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SpaceX negocia US$ 40 bilhões em dívida para comprar chips de IA da Nvidia

SpaceX busca US$ 40 bi em dívida para chips da Nvidia e pode dobrar seu endividamento para US$ 80 bi, quatro meses após IPO de US$ 86 bi.

Por Redação Ai Lucro · · 3 min de leitura
Plataforma de lançamento de foguete ao entardecer com estrutura de servidores em primeiro plano
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A SpaceX negocia cerca de US$ 40 bilhões em dívida nova para comprar chips de inteligência artificial da Nvidia, segundo reportagem do Financial Times citada pelo Tech Xplore. O pacote combina aproximadamente US$ 30 bilhões em títulos de grau de investimento e US$ 10 bilhões em empréstimos bancários — e chega apenas quatro meses depois de a empresa de Elon Musk levantar US$ 86 bilhões no que foi descrito como o maior IPO da história. O volume mostra o tamanho da aposta de Musk na infraestrutura de IA, num momento em que a disputa por capacidade computacional já pressiona o mercado de crédito global.

Por que a SpaceX precisa de mais dívida

Os chips da Nvidia seriam destinados a data centers de IA da própria SpaceX, segundo o site especializado Admiral Markets. A operação está sendo estruturada pela gestora Apollo Global Management, que deve liderar a colocação da dívida, com a Pimco entre os credores em conversas. O fechamento é esperado para 2027.

Se concluída como desenhada, a nova captação dobraria o endividamento total da SpaceX: de cerca de US$ 39,7 bilhões em 30 de junho de 2026 para aproximadamente US$ 80 bilhões. Em 31 de março do mesmo ano, a dívida da companhia era de US$ 30,6 bilhões — um salto que mostra o ritmo acelerado de alavancagem mesmo antes do novo pacote.

Isso não é falta de caixa: a empresa mantinha cerca de US$ 93,5 bilhões em dinheiro e mais US$ 6,5 bilhões em investimentos de curto prazo em junho de 2026, boa parte originada do IPO recente, segundo o Admiral Markets.

Nvidia como fornecedora e investidora da SpaceX

A relação entre as duas empresas vai além da venda de chips. A Nvidia também é acionista da SpaceX, com 122,8 milhões de ações avaliadas em cerca de US$ 20 bilhões — o que a coloca ao mesmo tempo como fornecedora, financiadora indireta e parte interessada no sucesso do negócio, de acordo com o Admiral Markets.

O mercado já reagiu ao risco da operação: o swap de crédito (CDS) de cinco anos da SpaceX atingiu um recorde de cerca de 197,6 pontos-base depois do noticiário sobre a dívida, segundo o mesmo levantamento — sinal de que investidores passaram a cobrar mais para se proteger contra um eventual calote da empresa.

O contexto: a corrida por chips eleva o custo do crédito

A demanda das empresas de IA por capacidade de processamento tem contribuído para elevar os rendimentos da dívida governamental em várias economias, segundo analistas citados pelo Tech Xplore. A analista sênior Ipek Ozkardeskaya, da Swissquote, resumiu o fenômeno: "são somas extraordinárias, e ainda assim sempre parece haver uma nova rodada de financiamento".

Analistas do banco Lombard Odier, também citados pela reportagem, observam que o volume de captações ligadas a data centers de IA "começa a competir diretamente com a emissão soberana" — ou seja, com os títulos que os próprios governos vendem para se financiar.

O relatório do Admiral Markets ainda associa a busca por chips a um projeto paralelo chamado Terafab, que envolveria Tesla, SpaceX e Intel na fabricação de semicondutores, com fase inicial orçada em US$ 16,8 bilhões, início de construção previsto para dezembro de 2026 e conclusão prevista para o fim de 2028.

O que esperar

Nem a SpaceX nem a Nvidia comentaram oficialmente a reportagem do Financial Times até a publicação desta matéria, segundo o Tech Xplore. A partir de agora, o mercado deve acompanhar se a alavancagem crescente da SpaceX eleva o custo de crédito de outras empresas ligadas a Musk, como a própria Tesla, parceira no projeto Terafab.

Para o investidor brasileiro que acompanha ações e criptoativos ligados à corrida de IA, o episódio confirma um padrão: até gigantes com caixa robusto recorrem a dívida pesada para financiar chips, o que tende a manter elevados a demanda e o preço dos processadores de IA nos próximos anos.

Fontes

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