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OpenAI limita múltiplas contas pagas — o motivo pode estar nos US$ 14 mil que gasta por usuário pesado

OpenAI restringe múltiplas contas por cartão para frear prejuízos com usuários pesados. Um deles pode custar até US$ 14 mil em processamento por mês.

Por Redação Ai Lucro · · 5 min de leitura
Cartão de crédito genérico sobre uma tela de smartphone desfocada com ícone de chat de IA
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A OpenAI passou a limitar quantas assinaturas pagas do ChatGPT podem existir no mesmo cartão de crédito ou no mesmo dispositivo. A empresa chama isso de proteção de privacidade. Mas a mudança aparece no mesmo momento em que relatórios apontam que um único assinante do plano Pro (US$ 200 por mês), se usar o serviço no limite, pode gerar até US$ 14 mil em custo de computação equivalente ao preço de API, segundo a consultoria SemiAnalysis. A conta, simplesmente, pode não fechar — e a OpenAI está fechando as brechas antes de precisar explicar isso a investidores públicos.

O que mudou

Segundo o site The Decoder e o Xenospectrum, a OpenAI agora restringe quantas contas dos planos Go (US$ 8/mês), Plus (US$ 20/mês), Pro 100, Pro 200 e Pro 500 podem ser usadas no mesmo dispositivo ou vinculadas ao mesmo cartão de pagamento. Contas gratuitas e os planos corporativos Business, Enterprise e Edu ficam de fora da regra.

Ao bater no limite durante uma compra, o usuário vê a mensagem "Too many subscriptions associated with this card or device. We can't complete this purchase" ("Muitas assinaturas associadas a este cartão ou dispositivo. Não foi possível concluir esta compra"). Em outros casos relatados, aparece o aviso "Device limit reached" e a sessão pode ser encerrada sem aviso prévio — sair de uma conta não libera vaga para abrir outra. A OpenAI não divulgou o número exato de contas permitido por cartão ou aparelho, nem a data exata em que a regra entrou em vigor.

Em vez de vender uma segunda assinatura com preço fixo a quem precisa de mais uso, a empresa está direcionando esses usuários para créditos extras e resets de cota pontuais — opções que, segundo o The Decoder, custam mais do que uma assinatura adicional. De acordo com publicações nas redes sociais, a medida também passou a afetar usuários do Codex, a ferramenta de programação da OpenAI, que agora compartilha a mesma cota paga do ChatGPT.

A conta que não fecha

A tese por trás dessa matéria é simples: o limite de contas por cartão não é só sobre segurança, é sobre impedir que o uso mais caro da plataforma se multiplique por preço fixo.

A OpenAI reportou, segundo o Wall Street Journal, prejuízo operacional de US$ 12,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, maior que o do primeiro trimestre (US$ 9,3 bilhões). Estimativas da consultoria Sacra, citadas no mesmo relatório que reúne os dados financeiros da empresa, projetam o custo de inferência da OpenAI em US$ 14,1 bilhões para 2026 inteiro — hoje a maior linha de custo da empresa. Esses números não constam de um balanço auditado e público, porque a OpenAI ainda não é uma companhia de capital aberto.

É nesse contexto que a estimativa da SemiAnalysis ganha peso: se um único usuário Pro consegue gerar custo de computação da ordem de US$ 14 mil num mês de uso intenso, cada conta "extra" empilhada no mesmo cartão representa um buraco de margem que a empresa paga do próprio bolso.

As fontes

SemiAnalysis (relatório de empresa, 2026). A consultoria estimou que um assinante do ChatGPT Pro usando o plano ao máximo pode gerar até US$ 14 mil em custo de computação equivalente ao preço cobrado pela própria OpenAI em sua API. O método aplica os preços públicos de API a padrões de uso intenso típicos do plano Pro — não é um número contábil divulgado pela OpenAI. Limitação: o preço de API tende a ser mais alto que o custo real de produção interno da empresa, então o impacto real na margem é provavelmente menor que US$ 14 mil, ainda que a SemiAnalysis não divulgue essa diferença com precisão.

Wall Street Journal (reportagem jornalística, 2026) e estimativas da consultoria Sacra. O WSJ reportou o prejuízo operacional de US$ 12,3 bilhões da OpenAI no segundo trimestre de 2026. Já a projeção de custo de inferência de US$ 14,1 bilhões para 2026 inteiro é uma estimativa da consultoria Sacra, não um número apurado diretamente pelo WSJ ou divulgado pela própria OpenAI. Limitação: nenhum dos dois números é auditado ou publicado em balanço oficial, já que a OpenAI não tem obrigação de divulgação pública — dependem da precisão do material repassado à imprensa e das premissas de cada estimativa.

Nenhuma das duas fontes é um artigo científico revisado por pares; ambas são estimativas de mercado ou reportagem baseada em dados internos, não medições independentes do custo real de inferência da OpenAI.

O outro lado

A própria OpenAI enquadra o limite de contas como proteção de privacidade e segurança, não como corte de custos — e isenta justamente os planos Business, Enterprise e Edu, que segundo analistas de mercado têm a melhor economia unitária da empresa. Isso sugere um alvo mais estreito: o pequeno grupo de usuários que empilhava várias contas baratas (Go, Plus) no mesmo cartão ou aparelho para multiplicar uso sem pagar por isso, não uma reestruturação geral de margem.

O que observar

Vale acompanhar três coisas: se a OpenAI vai divulgar algum dado oficial de custo de inferência por usuário à medida que se aproxima de uma eventual oferta pública; se o limite de contas vai se estender a mais planos ou regiões; e como a Anthropic, concorrente direta que também mira o mercado de capitais, comunica sua própria estrutura de custo por usuário pesado. Esse contraste entre as duas empresas deve dizer mais sobre a saúde real do setor do que qualquer anúncio de produto.

Fontes

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