Segunda-feira, 2 de novembro de 2026Inteligência artificial e tecnologia, todo dia
Negócios

Suno e Anthropic processadas por US$ 340 milhões: contratos da própria Suno viram prova contra ela

Reservoir move ações de US$ 340 milhões contra Suno e Anthropic — e usa os próprios contratos de licença da Suno com Warner e BMG para argumentar que "não havia mercado" não se sustenta.

Por Redação Ai Lucro · · 3 min de leitura
Martelo de juiz sobre mesa de madeira escura ao lado de disco de vinil parcialmente transformado em circuitos digitais
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

"Papa Don't Preach", de Madonna. "Ring of Fire", de Johnny Cash. "Both Sides Now", de Joni Mitchell. Essas são algumas das composições que a gravadora e editora Reservoir Media diz ter encontrado nos dados de treinamento da Suno e da Anthropic, sem autorização.

A Reservoir entrou com duas ações na Justiça Federal do Distrito Norte da Califórnia em 21 de outubro de 2026, uma contra cada empresa. Juntas, elas pedem quase US$ 340 milhões em danos: US$ 186,4 milhões da Suno e US$ 151,4 milhões da Anthropic, segundo o Law Commentary.

O que a Reservoir alega

Contra a Suno, a editora cita 1.050 composições que afirma controlar nos Estados Unidos e que teriam sido copiadas para treinar o gerador de música da empresa. A ação acusa a Suno de violação de direitos autorais e de burlar controles de acesso e remover informações de gerenciamento de direitos, práticas vedadas pelo Digital Millennium Copyright Act (DMCA), de acordo com o Music Ally.

Contra a Anthropic, a Reservoir cita letras de 853 composições que teriam entrado nos dados de treinamento dos modelos Claude. A ação argumenta que a empresa não apenas usou esse material para treinar a IA, como o Claude também gera cópias e obras derivadas dessas letras em suas respostas a usuários.

O advogado da Reservoir, Richard Busch, resumiu a tese do processo contra a Suno como uma estratégia de "copiar música primeiro e negociar licenças depois", segundo o Law Commentary. Busch já atuou no caso de direitos autorais de "Blurred Lines" e representou o grupo Salt-N-Pepa em disputa de direitos de rescisão contra a UMG.

Em nota citada pelo Law Commentary, a fundadora e CEO da Reservoir, Golnar Khosrowshahi, afirmou que a empresa "apoia o desenvolvimento tecnológico", mas pretende "proteger os direitos de seus compositores, artistas e parceiros de publicação quando suas obras são supostamente usadas sem autorização".

O argumento que mais pesa contra a Suno

Um ponto específico da ação contra a Suno chama atenção: a petição usa os próprios acordos de licenciamento que a empresa já fechou com as gravadoras Warner Music Group (WMG), BMG e Believe como prova contra ela mesma. Segundo o Music Ally, a Reservoir argumenta que esses contratos comprovam que "existe um mercado funcional para licenciar música e fonogramas para dados de treinamento" e que, portanto, a Suno tinha caminho disponível para negociar antes de usar o catálogo sem permissão.

Isso transforma o argumento de defesa mais comum das empresas de IA generativa, o de que não havia alternativa de licenciamento viável, em um ponto fraco: se a Suno já paga por licenças com outras gravadoras, fica mais difícil sustentar que não poderia ter feito o mesmo com a Reservoir.

Por que isso importa para quem acompanha IA

Os dois processos se somam a uma lista crescente de ações judiciais de editoras musicais contra empresas de IA generativa nos Estados Unidos, movimento que ganhou força desde que a Suno e rivais como a Udio começaram a ser alvo de gravadoras majors em 2024. O caso da Anthropic amplia a frente de batalha para fora da música gerada por IA: aqui a disputa é sobre o próprio material usado para treinar um modelo de linguagem de uso geral, o Claude, que a Reservoir diz reproduzir letras protegidas quando solicitado.

Se as cortes aceitarem o argumento de que acordos de licenciamento já existentes tornam o uso não autorizado de outros catálogos mais difícil de defender, o precedente pode pressionar outras empresas de IA a fechar licenças em massa com editoras antes de treinar novos modelos, o que tende a encarecer o custo de dados de treinamento musical e textual no setor.

Fontes

anthropicsunodireitos autoraismúsicaprocessointeligência artificial

Leia também