Nvidia negocia comprar ou ampliar participação na Reflection AI, avaliada em US$ 25 bilhões
Segundo o Financial Times, a Nvidia estuda comprar, fazer acquihire ou investir mais na Reflection AI, rival de modelos abertos que já recebeu US$ 800 milhões da gigante de chips.

A Nvidia está em negociações preliminares para comprar integralmente, fazer um acquihire ou aumentar sua participação na Reflection AI, startup de modelos de inteligência artificial de peso aberto já avaliada em US$ 25 bilhões, segundo reportagem do Financial Times. A fabricante de chips já é investidora da empresa, e as conversas, ainda em estágio inicial, podem resultar em um acordo em questão de semanas, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pelo jornal britânico.
O que está em discussão
Três caminhos estão sobre a mesa. O primeiro é a aquisição total da Reflection AI pela Nvidia. O segundo é um aumento da participação acionária já existente, possivelmente combinado a um acordo de fornecimento adicional de chips. O terceiro é um acquihire, modelo no qual a Nvidia contrataria a equipe da startup e licenciaria sua tecnologia sem assumir o controle societário da empresa — estrutura que, segundo reportagens sobre o caso, tende a evitar uma revisão antitruste mais demorada.
A Nvidia e a Reflection AI não comentaram publicamente as negociações.
Quem é a Reflection AI
Fundada em 2024 por Misha Laskin e Ioannis Antonoglou, ambos ex-pesquisadores do Google DeepMind, a Reflection AI desenvolve modelos de peso aberto voltados a programação e tarefas agênticas. Em outubro de 2026 a empresa lançou o Beam, modelo do tipo mixture-of-experts com 501 bilhões de parâmetros.
A Nvidia liderou uma rodada de US$ 2 bilhões na Reflection AI em outubro de 2025 e, ao todo, já aportou US$ 800 milhões na startup. O CEO Misha Laskin afirmou à CNBC que a Reflection AI buscava, em abril de 2026, uma nova rodada que a avaliaria em US$ 25 bilhões antes da entrada do novo capital.
A startup também fechou acordos de infraestrutura relevantes neste ano: até US$ 6,3 bilhões com a SpaceX por acesso a sistemas Nvidia GB300 em um data center da Colossus 2, em Memphis, com pagamentos mensais de US$ 150 milhões até 2029, além de US$ 1 bilhão em capacidade adicional de IA fechado com a Nebius Group.
Por que a Nvidia quer se aproximar de um rival
A movida se encaixa em uma estratégia mais ampla da Nvidia de blindar sua posição dominante no mercado de IA investindo em empresas que desenvolvem modelos de peso aberto — tecnologia que roda sobre os próprios chips da companhia e compete com alternativas estrangeiras de baixo custo, como o chinês DeepSeek. O governo dos Estados Unidos tem incentivado o desenvolvimento de alternativas domésticas a esses modelos.
A Nvidia também enfrenta escrutínio regulatório em negócios parecidos: o acordo de licenciamento de US$ 20 bilhões fechado com a Groq em dezembro é investigado pelo Departamento de Justiça americano por supostamente contornar as regras de revisão de fusões. Estruturas de acquihire, como a que está sendo discutida com a Reflection AI, têm recebido atenção crescente de reguladores justamente por permitirem que grandes empresas absorvam equipes e tecnologia sem passar pelo processo formal de aprovação de uma aquisição.
O que muda para quem usa IA no Brasil
Para empresas e desenvolvedores brasileiros que usam modelos de peso aberto como o Beam para construir produtos próprios, o desfecho da negociação importa diretamente. Uma aquisição pela Nvidia pode trazer mais investimento e capacidade computacional ao desenvolvimento do modelo, mas também abre a dúvida sobre se ele continuará tão aberto quanto hoje caso passe a integrar o ecossistema de uma fornecedora de hardware do tamanho da Nvidia.
Por ora, não há acordo fechado. O desfecho das negociações deve ficar mais claro nas próximas semanas.
Fontes
Leia também

OpenAI limita múltiplas contas pagas — o motivo pode estar nos US$ 14 mil que gasta por usuário pesado

Blackstone financiou Anthropic a 10% ao ano. Agora espera rating 'junk' no IPO

OpenAI reduz captação para US$ 20 bilhões enquanto investidores duvidam do retorno da IA
