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EUA liberam US$ 4,4 bi para religar 3 usinas nucleares e alimentar data centers de IA da Microsoft e Google

Departamento de Energia dos EUA financia reativação de três usinas nucleares fechadas para suprir energia aos data centers de IA de Microsoft e Google.

Por Redação Ai Lucro · · 3 min de leitura
Torres de resfriamento de usina nuclear ao entardecer com linhas de transmissão de energia ao fundo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

O Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) fechou, entre setembro de 2024 e setembro de 2026, até US$ 4,42 bilhões em empréstimos do programa Title 17 para religar três usinas nucleares desativadas no país — a mais recente das três, de US$ 1,9 bilhão, saiu em setembro passado para a usina Duane Arnold, no Iowa. A medida responde a um problema concreto: os data centers que treinam e operam modelos de inteligência artificial de Microsoft e Google consomem energia muito além da capacidade que a rede elétrica americana tem hoje.

Quais usinas nucleares vão voltar a funcionar

As três plantas financiadas são Palisades, em Michigan (800 MW, operada pela Holtec, com empréstimo de US$ 1,52 bilhão fechado em setembro de 2024); o Crane Clean Energy Center, antiga Three Mile Island, na Pensilvânia (835 MW, operada pela Constellation, com US$ 1 bilhão fechado em novembro de 2025); e Duane Arnold, em Iowa (615 MW, operada pela NextEra Energy, com US$ 1,9 bilhão fechado em setembro de 2026), segundo levantamento do site Karmactive.

Juntas, as três usinas devem devolver 2,25 gigawatts à rede elétrica dos EUA, energia suficiente para abastecer cerca de 2 milhões de residências, de acordo com a mesma análise.

O custo de reativar um reator fechado

Religar uma usina nuclear desligada não é barato nem rápido. O Karmactive mostra que o custo por megawatt varia bastante entre os projetos: a reativação do Crane Clean Energy Center sai a cerca de US$ 1,19 milhão por MW, enquanto Duane Arnold custa US$ 3,08 milhões por MW, valor mais alto porque a usina precisa reconstruir torres de resfriamento danificadas por um derecho (tempestade severa de vento) em 2020.

As três plantas também devem gerar empregos permanentes: 600 postos em Palisades, 627 no Crane Clean Energy Center e 462 em Duane Arnold, segundo o levantamento.

Microsoft e Google já garantiram a energia

A corrida por energia para IA já tem donos definidos para parte dessa capacidade. A Microsoft fechou um contrato de compra de energia (PPA) de 20 anos com o Crane Clean Energy Center para abastecer data centers de IA na região da operadora de rede PJM, que cobre boa parte do nordeste e centro-leste dos EUA, segundo a Constellation Energy, operadora da usina. A empresa prevê religar a usina em 2027.

O Google, por sua vez, firmou um acordo de 25 anos para a energia de Duane Arnold. A NextEra projeta o primeiro trimestre de 2029 para colocar o reator de volta em operação, prazo que ainda depende de aprovação da Comissão Reguladora Nuclear dos EUA (NRC), segundo o Departamento de Energia. A TechCrunch indica que o Google avalia construir até seis data centers próximos à usina em Iowa. Do total de 615 MW da planta (14 MW a mais do que a capacidade original, após a refurbição), apenas 50 MW ficarão reservados para a cooperativa elétrica local — o restante deve seguir para os contratos com grandes consumidores como o Google.

Por que isso importa para quem acompanha a corrida da IA

O episódio ilustra um gargalo que raramente aparece nos anúncios de novos modelos de IA: energia. Treinar e rodar sistemas como os usados por Microsoft e Google exige um volume de eletricidade que a infraestrutura atual não comporta, e isso está levando as big techs a financiar, via contratos de longo prazo, a reabertura de usinas que haviam sido desativadas por razões econômicas.

Para o Brasil, o caso mostra o tamanho do investimento em energia que acompanha a expansão da IA generativa — e reforça que a disputa tecnológica entre as gigantes americanas também é, cada vez mais, uma disputa por quem garante energia de base suficiente para sustentar seus data centers nas próximas décadas.

O que esperar agora é o cronograma de obras avançar nas três usinas, com o Crane Clean Energy Center sendo o primeiro a voltar à rede, em 2027, seguido por Duane Arnold, com meta para o início de 2029, sujeita às aprovações regulatórias dos órgãos de segurança nuclear dos EUA.

Fontes

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