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DTCC lança tokenização de até US$ 30 trilhões em ações e títulos dos EUA

Depositária central dos EUA começa a transformar ações, ETFs e Treasuries em tokens digitais, com CUSIP e proteções mantidas.

Por Redação Ai Lucro · · 3 min de leitura
Pregão de bolsa de valores moderno com telas de gráficos e blocos digitais conectados
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A DTCC, depositária central que custodia US$ 114 trilhões em ativos nos Estados Unidos, lançou em 16 de outubro de 2026 um serviço que transforma em tokens digitais até US$ 30 trilhões em ações, ETFs e títulos do Tesouro americano. É o maior teste real de blockchain dentro do sistema financeiro tradicional dos EUA até hoje.

O novo Tokenization Service começa de forma restrita, com apenas 25 valores mobiliários elegíveis, mas já conta com participação de gigantes do mercado. Mais de 30 instituições, incluindo BlackRock, Goldman Sachs, J.P. Morgan, Citadel Securities e Vanguard, testaram operações reais de produção com o sistema em julho de 2026, segundo comunicado da própria DTCC.

O que é a tokenização da DTCC

Cada token emitido pela DTCC é garantido 1:1 pelos ativos que a DTC (Depository Trust Company, a subsidiária responsável pela custódia) já mantém guardados. Para cada ação ou título transformado em token, existe um ativo real equivalente parado em custódia.

Os tokens mantêm o mesmo código CUSIP do ativo original, o identificador usado para rastrear valores mobiliários nos EUA, e preservam as mesmas proteções e direitos de propriedade que um investidor teria com o ativo tradicional. A própria DTCC continua sendo a autoridade oficial de registro de propriedade, mesmo depois da conversão em token.

Segundo a Genfinity, a conversão entre a forma tradicional e a forma tokenizada de um ativo leva até 15 minutos quando feita dentro do horário comercial designado pela DTCC. Já as transferências de tokens entre carteiras já registradas na mesma rede podem ocorrer 24 horas por dia, sete dias por semana, sem depender do expediente do mercado.

Quais redes blockchain estão envolvidas

O lançamento usa duas infraestruturas: a Canton Network, rede pública criada pela Digital Asset Holdings, e a Hyperledger Besu, rede privada operada pela própria DTCC através do consórcio LFDT. A companhia descreve a escolha como uma estratégia multi-chain, pensada para dar resiliência e capacidade de crescimento ao sistema.

A DTCC já sinalizou que pretende integrar outras duas redes em 2027: a Stellar e a Arc, desenvolvida pela Circle, emissora da stablecoin USDC. Isso ampliaria o alcance do serviço para ecossistemas blockchain adicionais, hoje fora do escopo do lançamento inicial.

Antes de liberar o serviço, a DTC obteve em dezembro de 2025 uma "no-action letter" da Securities and Exchange Commission (SEC), o aval regulatório que permitiu à depositária operar a tokenização sem risco imediato de sanção pelo órgão.

Testes já cobriram operações complexas do mercado

Os testes realizados em julho de 2026 com as mais de 30 firmas participantes não se limitaram a simular compra e venda simples de tokens. Segundo a DTCC, as transações incluíram dação de colateral (pledging), empréstimo de títulos, operações de entrega contra pagamento (DVP) envolvendo Treasuries e repos, transferência de tokens de ações e fluxos de margem para contrapartes centrais.

"A DTCC demonstrou que podemos aplicar o mesmo rigor institucional à tokenização", afirmou o CEO da companhia, Frank La Salla, segundo comunicado oficial da depositária.

Por que isso importa para o Brasil

A DTCC é a peça central da infraestrutura pós-negociação do mercado americano: é ela quem garante, nos bastidores, que uma compra de ação nos EUA resulte na troca de propriedade e dinheiro entre as partes. Um movimento desse tamanho dentro dessa estrutura tende a servir de modelo para outras depositárias e bolsas do mundo, incluindo a B3, que já estuda iniciativas de tokenização de ativos no mercado brasileiro.

Se a experiência da DTCC se mostrar segura em escala, bancos e bolsas em outros países, inclusive no Brasil, tendem a acelerar seus próprios projetos de tokenização de ações, títulos públicos e outros ativos financeiros nos próximos anos. Por ora, o serviço da DTCC segue restrito aos 25 valores mobiliários iniciais, e a companhia não detalhou cronograma de expansão para outros ativos.

Fontes

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