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Brasil é o 2º país do mundo mais aberto ao comércio agentico, atrás só da China

Estudo da Global Payments mostra que 72% dos brasileiros já testaram ou aceitam que uma IA compre por eles, atrás só da China.

Por Redação Ai Lucro · · 3 min de leitura
Carrinho de compras guiado por um braço robótico sobre um mapa estilizado do Brasil
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

O Brasil é o segundo país do mundo mais aberto ao comércio agentico — quando um agente de inteligência artificial faz compras em nome do consumidor —, atrás apenas da China. É o que mostra o Agentic Commerce Report 2026, da processadora de pagamentos Global Payments, divulgado nesta semana. O dado chama atenção porque coloca o país na liderança ocidental desse comportamento, à frente de mercados como Estados Unidos e Reino Unido.

O que o estudo mediu

A pesquisa ouviu 8.027 consumidores em sete mercados: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, França, China, Singapura e Austrália. A coleta foi feita em maio de 2026 e perguntava se o entrevistado já tinha usado, ou estaria disposto a usar, um assistente de IA — como ChatGPT ou Gemini — para fazer compras em seu lugar, cuidando de pedido, pagamento e escolha do produto.

O ranking de adoção ficou assim: China (86%), Brasil (72%), Singapura (59%), Reino Unido (48%), França (46%), Estados Unidos (45%) e Austrália (40%), segundo o relatório.

Salto de 33 pontos em um ano

O número que mais chama atenção no caso brasileiro é a velocidade da mudança. Em 2025, apenas 39% dos brasileiros diziam estar abertos a esse tipo de compra. Em 2026, o índice saltou para 72%, alta de 33 pontos percentuais, a maior entre os sete países pesquisados, de acordo com o TI Inside.

Dentro desse total, 24% dos brasileiros já testaram compras feitas por um agente de IA, enquanto 48% dizem estar dispostos a usar o recurso agora ou nos próximos 12 meses. O nível médio de confiança nesse tipo de compra também subiu, de 3,18 para 3,80 em uma escala de 1 a 5, segundo os dados levantados.

O medo ainda é o dado do cartão

Apesar da abertura, a confiança não é incondicional. Metade dos brasileiros entrevistados (50%) aponta a segurança dos dados de pagamento como principal receio ao delegar uma compra a uma IA, segundo o relatório. Outras preocupações relevantes são privacidade e uso de dados pessoais (45%) e o risco de a IA escolher o produto errado (41%), conforme o SINDPD.

Para ganhar mais confiança, os consumidores brasileiros pedem basicamente três coisas: confirmação antes de a compra ser concluída e alertas imediatos (41%), proteção reforçada contra ataques cibernéticos (34%) e regras claras sobre quem responde por um erro do agente (33%), de acordo com o levantamento.

"A rotina nas grandes cidades aumenta o interesse por ferramentas capazes de executar tarefas em nome dos consumidores", afirmou Juan Pablo D'Antiochia, gerente-geral da Global Payments para a América Latina, segundo o SINDPD.

O que o comércio agentico muda para quem vende e para quem compra

Para quem vende online no Brasil, o dado é um sinal de que o checkout vai precisar conversar diretamente com agentes de IA, não só com humanos clicando em botões. Isso envolve páginas de produto mais fáceis de "ler" por um sistema automatizado, políticas de troca e devolução claras e integrações de pagamento que sustentem autorizações feitas por software.

Para quem já usa assistentes como ChatGPT ou Gemini no dia a dia, o levantamento reforça que o brasileiro está, proporcionalmente, entre os mais avançados do mundo nesse uso. Mas a própria pesquisa mostra que a maior parte ainda quer manter um botão de confirmação final antes de o dinheiro sair da conta.

O que esperar

O relatório projeta que, nos próximos cinco anos, as compras feitas por agentes de IA devem responder por cerca de 17% do total de vendas no varejo, ficando perto de outros canais consolidados como lojas físicas (18%), sites de marca própria (13%) e buscas (12%), segundo os dados divulgados pela Global Payments. Se a curva de adoção brasileira seguir o ritmo visto entre 2025 e 2026, o país deve ser um dos primeiros a testar esse modelo em escala.

Fontes

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