Anthropic pede US$ 2 trilhões no IPO. Analista diz: "a oferta mais ridícula de 2026
Anthropic mira IPO a US$ 2 trilhões em novembro. Analista diz que o valuation está 13 vezes acima da realidade. A disputa revela como Wall Street precifica IA sem lucro à vista.

A Anthropic quer começar a vender ações ao público na semana de 9 de novembro e estrear na Nasdaq antes do Thanksgiving, em 26 de novembro, mirando um valuation de até US$ 2 trilhões. Seria o maior IPO da história. A house de research New Constructs acha que esse número é fantasia: segundo ela, a empresa vale no máximo US$ 150 bilhões — um sétimo do que Wall Street está prometendo.
A tese da Redação Ai Lucro: o IPO da Anthropic é o teste mais concreto até agora de até onde o mercado está disposto a pagar por promessa de inteligência artificial sem lucro à vista. Os números divulgados pela própria empresa dão munição para os dois lados — e é raro ver essa distância entre o preço pedido e o preço calculado por um analista independente.
Os números que a Anthropic mostrou
Segundo o PYMNTS, que teve acesso a dados do processo de abertura de capital, a Anthropic registrou receita de cerca de US$ 4,6 bilhões no último ano, um salto de 12 vezes. Mas o prejuízo operacional passou de US$ 8 bilhões, e o prejuízo líquido anual chegou a US$ 42 bilhões. A empresa projeta ainda gastar US$ 518 bilhões em nuvem, computação e infraestrutura nos próximos anos.
Para sustentar o controle após a abertura de capital, os sete cofundadores vão concentrar o poder em uma "Founder LLC" com ação de classe especial que garante 50,1% dos votos em decisões corporativas — um desenho que blinda a gestão mesmo com o capital pulverizado entre novos acionistas.
A disputa: US$ 150 bilhões vs. US$ 2 trilhões
New Constructs (David Trainer, CEO) — relatório de research, 2026. Usando seu modelo proprietário de "economic earnings" aplicado aos dados financeiros públicos do processo de IPO, a firm calculou o valor justo da Anthropic em cerca de US$ 150 bilhões. O argumento central, segundo a Yahoo Finance: para justificar um valuation de US$ 2 trilhões, a Anthropic precisaria gerar lucro equivalente a mais do que o dobro do lucro líquido anual acumulado em quatro trimestres da Nvidia — hoje a empresa mais valiosa do mundo.
A New Constructs chamou a oferta de "a IPO mais ridícula de 2026" e disse que ela representa "um teste sem precedentes da credulidade dos investidores". Em outro trecho, a firma foi direta: "não achamos que a Anthropic tenha um negócio viável".
Limitação: é uma casa que vende assinaturas de research e tem interesse comercial em chamar atenção com calls contundentes; seu histórico inclui avaliações pessimistas que não se confirmaram no longo prazo, como no caso do DoorDash em 2020, hoje avaliado em cerca de US$ 83 bilhões.
Dados financeiros do S-1 — divulgação oficial da Anthropic, 2026. Os números de receita, prejuízo e investimento projetado vêm do próprio processo confidencial de registro na SEC.
Limitação: são dados de uma oferta ainda não finalizada e podem mudar até a precificação definitiva.
Nenhuma das duas fontes é um artigo acadêmico revisado por pares. Uma é relatório de research privado com interesse comercial declarado; a outra é divulgação financeira da própria empresa interessada no sucesso do IPO.
O contra-argumento
O preço-alvo de US$ 1,8 trilhão a US$ 2 trilhões não saiu do nada: é sustentado por investidores institucionais e pelos bancos que vão coordenar a oferta — Morgan Stanley, Goldman Sachs e JPMorgan, segundo reportagens do setor. Esses bancos têm acesso a mais informação da empresa do que qualquer analista externo, e carregam o próprio risco reputacional se a oferta decepcionar.
Além disso, o histórico da própria New Constructs joga contra sua credibilidade: a comparação que a firma fez entre o DoorDash e a WeWork em 2020 não se confirmou — o DoorDash hoje vale uma fração considerável do que a New Constructs via como teto razoável na época.
O que isso significa para quem acompanha a bolha de IA
A distância entre US$ 150 bilhões e US$ 2 trilhões não é uma margem de erro de análise: é um sinal de que ninguém, nem os bancos coordenadores nem os críticos, tem um método confiável para precificar uma empresa que queima dezenas de bilhões de dólares por ano apostando que a demanda por modelos de IA vai superar o custo de construir a infraestrutura para rodá-los.
Checklist do pesquisador
- Acompanhe a divulgação do S-1 público da Anthropic, esperada perto do início do marketing na semana de 9 de novembro — ele vai trazer números auditados, não só os citados pela imprensa.
- Compare o valuation final de precificação (perto de 26 de novembro) com a faixa de US$ 1,8-2 trilhões hoje especulada; qualquer corte relevante já é um dado sobre o apetite real do mercado.
- Observe se bancos como Morgan Stanley, Goldman Sachs e JPMorgan ajustam a faixa de preço nos dias que antecedem a oferta — isso costuma vazar antes do pregão.
- Cruze a relação receita/prejuízo da Anthropic com a de concorrentes diretos como OpenAI quando dados comparáveis surgirem, para avaliar se a "fome por capital" é um problema do setor ou específico da empresa.
Isto não é recomendação de investimento. Os números acima refletem dados públicos e análises de terceiros atribuídas, não uma previsão de preço de ações.
Fontes
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