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Anthropic assina contrato de 20 anos em data center de IA movido a energia eólica no Canadá

A EverWind vai investir C$ 10 bilhões em um data center de IA em Point Tupper, na Nova Escócia, e a Anthropic assinou locação de 20 anos para rodar o Claude com energia eólica.

Por Redação Ai Lucro · · 3 min de leitura
Galpão de data center em terreno costeiro com turbinas eólicas ao fundo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A Anthropic assinou um contrato de locação de 20 anos em um data center de inteligência artificial movido a energia eólica que será construído em Point Tupper, na província canadense da Nova Escócia. O anúncio foi feito na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, pela empresa de energia EverWind Fuels, que vai investir C$ 10 bilhões (dólares canadenses) no projeto — para a própria companhia, o maior aporte privado da história da província.

É o primeiro contrato de data center da Anthropic no Canadá, segundo a reportagem do Investing.com. A instalação vai rodar o Claude, assistente de IA da empresa, para atender à demanda canadense. O valor do aluguel pago pela Anthropic não foi divulgado.

O que entra na conta do data center de IA

Do total anunciado, C$ 8 bilhões vão para o campus de data center e C$ 2 bilhões para projetos de geração eólica onshore na própria Nova Escócia, de acordo com o comunicado da EverWind reproduzido pela BNN Bloomberg. A empresa disse que vai usar capital próprio na largada e depois buscar financiamento com bancos e fundos de pensão.

O prédio terá cerca de 18.600 metros quadrados. A primeira fase deve entrar em operação no fim de 2027 e consumir 95 megawatts. A segunda, prevista para meados de 2028, acrescenta 325 megawatts e leva a demanda total a 420 megawatts.

A energia virá de parques eólicos da região, com cerca de 200 megawatts-hora de armazenamento em baterias para dar firmeza ao fornecimento. A EverWind afirma já ter aprovações ambientais para quatro parques eólicos que somam 650 megawatts de capacidade. O resfriamento, em sistema de circuito fechado, vai usar 100 mil litros de água por dia na primeira fase e até 500 mil litros por dia depois da expansão.

Quem ganha e quem paga a conta

O projeto prevê 2.000 empregos na fase de construção e 215 posições permanentes, com salários anuais de C$ 135 mil a C$ 185 mil, segundo os números divulgados pela empresa. A EverWind negocia ainda uma participação de 9% com a Membertou Development Corporation, ligada à comunidade indígena local, e diz que fará consultas públicas.

A conta de luz do vizinho é o ponto sensível em qualquer projeto desse porte. EverWind e Anthropic afirmaram que vão bancar os custos de conexão, as melhorias de infraestrutura e os encargos de sistema para que os consumidores atuais não paguem a diferença, informou o Globe and Mail. Jacob Glick, responsável por políticas públicas da Anthropic no Canadá, disse que a população da Nova Escócia deve se beneficiar do que for construído ali.

O premiê da província, Tim Houston, apoiou a iniciativa e ligou o projeto ao potencial de geração de energia da região. Não há previsão de nova legislação provincial específica para o empreendimento, e a EverWind diz ter aderido aos princípios federais canadenses para data centers responsáveis.

Por que isso interessa ao Brasil

O anúncio escancara a conta por trás de cada resposta de um chatbot: energia barata, firme e contratada por décadas. Empresas de IA estão travando o insumo elétrico em contratos de 20 anos, prazo mais parecido com o de uma usina do que com o de um software.

É exatamente a disputa em que o Brasil entrou. O país tem parque eólico relevante no Nordeste, base hidrelétrica e episódios recorrentes de sobra de geração renovável, e governos estaduais têm cortejado operadores de data center com promessas de energia limpa e conexão rápida. O caso da Nova Escócia serve de parâmetro em três pontos: a escala de potência pedida (420 megawatts para um único campus), a exigência de armazenamento em baterias para estabilizar o fornecimento e a promessa explícita de não repassar custo de rede ao consumidor comum, tema que no Brasil passa pela Aneel e pelo debate sobre encargos setoriais.

Também vale observar o que o projeto não resolve. Capacidade eólica contratada não significa energia disponível a cada hora do dia, e as baterias anunciadas cobrem uma fração do consumo diário de uma instalação desse tamanho. Os próximos marcos a acompanhar são as consultas públicas, o fechamento da participação da Membertou e a entrada em operação da primeira fase, prometida para o fim de 2027.

Fontes

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