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Bank of America contratou 1.000 terceirizados para corrigir falhas apontadas pela IA Mythos, da Anthropic

Em balanço do 3º trimestre, o banco disse que mantém os mil terceirizados no time de correção de software e que gastou cerca de US$ 200 milhões ou mais no período, somando patches e questões de prevenção à lavagem de dinheiro.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Corredor de data center corporativo com racks de servidores e luz azulada
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

O Bank of America contratou 1.000 terceirizados para dar conta do volume de correções de software gerado pelas falhas que a inteligência artificial Mythos, da Anthropic, encontrou em programas de uso amplo. O número foi dado pelo próprio CEO do banco, Brian Moynihan, em 14 de outubro de 2026, na divulgação dos resultados do terceiro trimestre.

Segundo o International Business Times, Moynihan afirmou que o reforço entrou no segundo trimestre e não saiu: "Colocamos 1.000 terceirizados para nos ajudar no trabalho de correção no segundo trimestre, e essas pessoas continuam aqui hoje", disse. Elas se somam às 3.000 pessoas já alocadas na área. De acordo com a mesma publicação, as declarações estão entre as primeiras de uma grande empresa americana a detalhar quanta gente e quanto dinheiro foram destinados a lidar com um modelo de IA que encontra vulnerabilidades mais rápido do que as empresas conseguem corrigi-las.

Quanto o Bank of America gastou com as falhas apontadas pela IA Mythos

O banco falou em algo como US$ 200 milhões ou mais no terceiro trimestre, de acordo com o International Business Times. Esse valor junta a correção de software e questões regulatórias de prevenção à lavagem de dinheiro, o que impede atribuir a cifra apenas ao trabalho de patches.

No mesmo trimestre, o lucro líquido caiu 17% em relação a um ano antes, para US$ 6,9 bilhões, puxado por um encargo regulatório de US$ 1,2 bilhão ligado a falhas de prevenção à lavagem de dinheiro. Excluído o encargo, o resultado ajustado foi de US$ 8,1 bilhões, ou US$ 1,08 por ação.

Moynihan indicou que a conta tende a cair, com o argumento de que, uma vez feito o trabalho de correção, ele não precisa ser repetido na mesma escala. O banco também diz operar cerca de 130 projetos internos de IA, com economia projetada de US$ 300 milhões neste ano e US$ 700 milhões até 2027.

O que é o Claude Mythos e por que ele gerou essa corrida

O Claude Mythos Preview é um modelo de fronteira da Anthropic que, segundo a própria empresa, mostra que a IA chegou a um nível de capacidade de programação em que pode "superar todos, menos os humanos mais habilidosos, em encontrar e explorar vulnerabilidades de software". A Anthropic afirma que não planeja disponibilizá-lo ao público em geral.

O acesso começou em 7 de abril de 2026, pelo Project Glasswing, com parceiros fundadores como AWS, Apple, Broadcom, Cisco, CrowdStrike, Google, JPMorganChase, Linux Foundation, Microsoft, NVIDIA e Palo Alto Networks, e foi estendido a mais de 40 outras organizações que constroem ou mantêm software crítico — a ideia, diz a empresa, é dar tempo para essas organizações se protegerem antes de uma distribuição mais ampla.

O volume de achados foi inédito, de acordo com o The Next Web. A Mozilla publicou o Firefox 150 com correções para 271 vulnerabilidades identificadas pelo Mythos em uma única rodada de avaliação. O modelo também apontou um bug de 27 anos no OpenBSD e uma falha de execução remota de código de 17 anos no FreeBSD.

A reação chegou ao governo americano. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, convocaram uma reunião com CEOs dos maiores bancos do país para tratar do risco cibernético associado ao modelo. O FMI também sinalizou preocupação com ameaças cibernéticas movidas por IA no sistema bancário global.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, chamou o momento atual de "momento de perigo" e estimou uma janela de seis a doze meses antes que adversários reproduzam a mesma capacidade.

O que isso significa para empresas brasileiras

O efeito não depende de o Mythos chegar ao Brasil. As falhas divulgadas até agora estão em software de uso universal, como o navegador Firefox e os sistemas da família BSD, presentes em servidores, appliances de rede e produtos de fornecedores que bancos, fintechs e empresas brasileiras também usam. Corrigir vulnerabilidade conhecida é trabalho de inventário e de fila: saber o que roda onde, em qual versão, e em que ordem atualizar.

O caso do Bank of America dá a referência de escala. Uma instituição com 3.000 pessoas dedicadas à área precisou somar mais mil contratados e manter o reforço por dois trimestres. Quem tem equipe de segurança pequena e muito software de terceiro tende a sentir o mesmo aperto, em proporção diferente.

O que acompanhar nos próximos meses

Dois pontos valem atenção. O primeiro é se a janela de seis a doze meses descrita por Amodei se confirma e se a Anthropic amplia o acesso ao Mythos para além do Project Glasswing. O segundo são os balanços do quarto trimestre dos grandes bancos americanos: se outras instituições passarem a detalhar gastos de correção, fica mais claro se o caso do Bank of America é exceção ou o novo custo fixo de rodar software legado.

Fontes

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