Como verificar se uma imagem foi feita por IA: 4 checagens gratuitas antes de compartilhar no 2º turno
Guia prático para verificar se uma foto ou vídeo foi feito por IA antes de compartilhar no segundo turno, com Gemini, SynthID Detector e regras do TSE.

Na reta final do segundo turno, cartaz, áudio e vídeo de candidato chegam de hora em hora no grupo da família. Para verificar se uma imagem foi feita por IA antes de repassar, há quatro checagens gratuitas que levam menos de um minuto cada: o app Gemini, o recurso "Sobre esta imagem" da Busca do Google, o portal SynthID Detector e a ferramenta de verificação da OpenAI.
Nenhuma delas é infalível, e nenhuma delas funciona sozinha. Combinadas, resolvem a maior parte dos casos que circulam no WhatsApp. E há um motivo extra para checar: a Resolução nº 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral criou obrigações específicas sobre conteúdo sintético em campanha, o que torna a dúvida do eleitor um problema também jurídico.
Por que ficou mais fácil verificar imagem de IA em 2026
A base técnica é o SynthID, sistema do Google DeepMind que insere marcas d'água imperceptíveis em conteúdo gerado por IA. Segundo a página oficial da empresa, a tecnologia cobre imagem, vídeo, áudio e texto, e a marca é feita para resistir a modificações comuns, como recorte, aplicação de filtros, mudança de taxa de quadros e compressão com perdas.
Dois movimentos ampliaram o alcance. O SynthID Detector, portal de verificação que antes atendia sobretudo jornalistas e profissionais de mídia, está sendo aberto ao público em geral. E o sistema passou a reconhecer conteúdo não só do Google, mas de parceiros como OpenAI, NVIDIA e Kakao, com Apple citada pela empresa como próxima da lista.
Em maio de 2026, de acordo com reportagem do TechCrunch, a OpenAI começou a embutir a marca d'água SynthID junto com manifestos no padrão C2PA nas imagens geradas por seus modelos e passou a oferecer, em versão de prévia, uma ferramenta pública para checar esses dois sinais. As duas camadas se complementam: os metadados C2PA carregam mais informação sobre origem e histórico de edição, mas podem ser adulterados porque ficam acessíveis no arquivo; a marca d'água resiste melhor a transformações como captura de tela.
Passo a passo para verificar se uma imagem foi feita por IA
Todas as etapas são gratuitas. As três primeiras exigem apenas uma conta Google.
1. Pergunte direto ao Gemini. Abra o app e anexe no chat a imagem, o vídeo ou o trecho de áudio. A própria página do SynthID descreve o fluxo como enviar o arquivo e perguntar se ele foi criado ou alterado por IA do Google. Um pedido que funciona bem:
Anexei um arquivo que recebi no WhatsApp.
Verifique se há marca d'água SynthID e me diga, de forma objetiva:
1) o arquivo tem marca d'água de IA?
2) qual a confiança dessa resposta?
3) o que você NÃO consegue concluir a partir deste arquivo?
A terceira pergunta é a mais importante: ela força o modelo a explicitar o limite em vez de entregar um veredito redondo.
2. Rode o arquivo no SynthID Detector. É o portal dedicado do Google DeepMind, feito para analisar o arquivo e indicar se há marca d'água do SynthID. Use quando a resposta do Gemini vier vaga ou quando o conteúdo for sensível, como áudio atribuído a um candidato.
3. Use "Sobre esta imagem" na Busca. Pesquise a imagem no Google, abra o visualizador de imagens e toque no ícone de informações. Conforme a Ajuda da Pesquisa do Google, a seção mostra quando a imagem, ou imagens visualmente semelhantes, podem ter sido encontradas pela primeira vez pelo Google, como outras páginas usam a mesma imagem e detalhes que podem indicar se ela foi capturada com uma câmera ou gerada com IA. No Android, também dá para chegar lá pelo Circle to Search ou pelo Google Lens, segundo o blog do Google.
Esse passo pega um golpe que a marca d'água não pega: a foto real, antiga ou de outro país, recirculada como se fosse de agora.
4. Se a suspeita for de imagem da OpenAI, use o verificador da empresa. A ferramenta pública anunciada em maio, em versão de prévia, checa os sinais de procedência embutidos pelos modelos da OpenAI, incluindo metadados C2PA e a marca d'água SynthID.
5. Volte à fonte antes de encaminhar. Procure o material no perfil oficial do candidato, no site do partido ou em veículo de imprensa. Se o conteúdo é relevante e verdadeiro, ele existe em algum lugar além do grupo que mandou. Se não existe, isso já é resposta.
O que essas ferramentas não detectam
O limite principal é de cobertura: a verificação só encontra marca d'água em conteúdo produzido por ferramentas que aderiram ao sistema. O TechCrunch registrou que a checagem da OpenAI nasceu restrita a imagens geradas pelos próprios produtos da empresa e, portanto, não cobre material feito em outros geradores de IA — a companhia afirma que espera ampliar o alcance.
Ou seja: ausência de marca d'água não prova que a imagem é autêntica. Prova apenas que não foi detectada marca d'água compatível. Metadados C2PA podem ser removidos ou alterados, e recorte, filtro e recompressão agressiva degradam qualquer sinal.
Há ainda a inconsistência das próprias ferramentas de geração. Em testes publicados pela CartaCapital em 14 de outubro de 2026, a IA da Meta no WhatsApp recusou pedidos de cartaz com "Lula" e o número 13, respondendo que não conseguiu gerar a imagem, mas produziu peças com "Flávio 22" e "Cury 70". A Meta atribuiu o episódio a falha nos mecanismos automáticos de identificação de candidatos, negou ter favorecido ou prejudicado candidaturas e afirmou que a alegação de favorecimento "é falsa, não está demonstrada e não resiste ao confronto com os fatos e com dados objetivos". A campanha de Lula levou o caso ao TSE, que já havia cobrado explicações da empresa sobre restrições à propaganda do candidato, segundo a Fast Company Brasil. O alerta prático é que o comportamento desses filtros varia — e não serve de critério de autenticidade.
O que a Resolução 23.755 do TSE exige
A Resolução nº 23.755, de 2 de março de 2026, que alterou a Resolução 23.610/2019, proíbe que provedores de aplicação com sistemas de IA ranqueiem, recomendem, sugiram ou priorizem candidaturas, partidos, federações ou coligações, com a finalidade de evitar interferência algorítmica na definição do voto, conforme noticiado pela CartaCapital. O texto integral está disponível no site do TSE.
A norma também exige rotulagem. Segundo análise publicada no Migalhas, quem produz propaganda eleitoral com IA generativa precisa informar de forma explícita que o conteúdo foi fabricado ou manipulado, com regras por formato: aviso no início do áudio, rótulo e audiodescrição em imagem estática, combinação das duas em vídeo e identificação em cada página de material impresso. E há uma janela de silêncio: nas 72 horas anteriores ao pleito e nas 24 horas posteriores, fica vedada a publicação, republicação ou impulsionamento de novos conteúdos sintéticos que usem imagem, voz ou manifestações de candidatos — ainda que estejam rotulados.
Na prática, peça de campanha com cara de IA e sem rótulo já é sinal de irregularidade, independentemente do que o verificador apontar.
Cuidados antes de checar e de repassar
Não encaminhe "só para perguntar se é verdade". No WhatsApp, repasse é distribuição, e o material chega adiante sem a sua ressalva. Se quiser checar, salve o arquivo e use as ferramentas antes de qualquer envio.
Evite também subir para o chat de IA print de conversa privada, documento com CPF, endereço ou foto de terceiros sem consentimento, sobretudo de crianças. Essas ferramentas processam o arquivo em nuvem, e expor dado pessoal de outra pessoa sem necessidade é um risco que não se desfaz depois. Este texto tem caráter informativo e não substitui orientação jurídica: suspeita de propaganda irregular se resolve na Justiça Eleitoral, não no grupo da família.
Por fim, desconfie do seu próprio reflexo de concordar. O conteúdo falso mais eficaz é aquele que confirma o que você já acredita. A checagem só vale se você a fizer também no material que te agrada.
Fontes
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