Sábado, 17 de outubro de 2026Inteligência artificial e tecnologia, todo dia
Negócios

Ataque com agente de IA atinge 16 instituições financeiras da Coreia do Sul e expõe 100 mil registros

CrowdStrike liga o agente de IA de código aberto ARTEX a ataques contra instituições financeiras sul-coreanas; FSC fala em 16 empresas atingidas e 100 mil registros pessoais expostos.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Centro de operações de segurança bancária em penumbra com monitores exibindo gráficos de tráfego de rede
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Um agente de IA de código aberto foi usado para atacar 16 instituições financeiras da Coreia do Sul e expor cerca de 100 mil registros pessoais, segundo a Financial Services Commission (FSC), reguladora do setor financeiro do país. As invasões vêm sendo reportadas desde o início de outubro de 2026 e foram divulgadas pelo regulador em 14 de outubro.

A empresa de segurança CrowdStrike ligou a campanha ao ARTEX, uma ferramenta de pentest agêntica desenvolvida na China e distribuída em código aberto. Segundo a companhia, os indícios apontam para um único operador por trás das ações, avaliação feita com confiança moderada. A FSC afirmou que ainda apura se todos os ataques partiram do mesmo grupo.

Quais instituições financeiras foram atingidas

A FSC listou quatro bancos comerciais: Shinhan, KB Kookmin, BNK Busan e Hana. Também aparecem os bancos de poupança Yegaram, Welcome, DB e OK, as financeiras Hyundai Capital e KDB Capital, a Federação Coreana de Cooperativas de Crédito Comunitário e as empresas PFCT, Mouda, Brightfix, Streami e Pravang.

Os dados expostos incluem nomes, dados de contato e números de registro de residente, o equivalente coreano ao CPF. Segundo o regulador, não há evidência de que números de conta ou de cartão tenham sido comprometidos.

Segundo o detalhamento publicado pela Infosecurity Magazine a partir do levantamento da CrowdStrike, o caso mais grave foi o do Yegaram Savings Bank, com cerca de 40 mil pessoas afetadas após o comprometimento de um sistema móvel usado por funcionários. No Shinhan Bank, cerca de 25 mil pessoas foram atingidas por uma invasão em um serviço de consulta de andamento de empréstimo.

Como o agente de IA ARTEX operava

O ARTEX foi usado para encontrar vulnerabilidades e comprometer serviços das vítimas entre o fim de setembro e o início de outubro de 2026, segundo a CrowdStrike. O agente rodava apoiado em três modelos de linguagem: DeepSeek v4.1-flash como principal, GLM-5.3, da Zhipu AI, e Grok 4.6. O atacante também usou o Claude Code em seu fluxo de trabalho, com instruções em chinês para tarefas de teste de invasão.

A campanha foi descoberta por um descuido do próprio atacante. Os pesquisadores encontraram um diretório aberto em um servidor dele, com arquivos de configuração do ARTEX, documentos em markdown e históricos de sessões do Claude Code. A partir desse material, a CrowdStrike avalia com confiança moderada que se trata de um falante de chinês com motivação financeira; uma das sessões continha um nome de usuário de Telegram e a indicação da cidade de Maoming, na província de Guangdong.

"O uso de ferramentas de IA agêntica ao lado de capacidades ofensivas tradicionais evidencia a evolução contínua observada pela CrowdStrike no modo de operação dos adversários", afirmou a empresa.

A FSC já havia encontrado falhas básicas em 130 empresas

Em paralelo aos ataques, a FSC concluiu até 8 de outubro uma revisão de 555 empresas financeiras em 12 áreas e encontrou deficiências de segurança em 130 delas, ou 23,4% do total. As falhas são conhecidas e pouco sofisticadas: patches de segurança não aplicados, supervisão inadequada de sistemas sem suporte do fabricante, ausência de monitoramento 24 horas e autenticação fraca em sistemas acessíveis de fora.

O secretário-geral da FSC, Shin Jin-chang, disse ser preocupante que as empresas ainda não cumpram requisitos básicos de segurança apesar das cobranças repetidas. A comissão afirmou que vai reforçar as práticas do setor e aumentar a responsabilização de presidentes e conselhos de administração.

O que o caso significa para bancos e fintechs do Brasil

O alerta para o mercado brasileiro está menos na novidade técnica e mais na combinação de escala com descuido. A automação derruba o custo de varrer muitos alvos ao mesmo tempo, o que ajuda a explicar 16 instituições atingidas em poucos dias. E as brechas exploradas não exigem técnica avançada: são o tipo de falha que aparece em qualquer inventário de TI malcuidado.

A lista de deficiências apontada pela FSC serve como checklist para bancos, financeiras, fintechs e corretoras de cripto brasileiras, setor supervisionado pelo Banco Central e sujeito à LGPD, que obriga a comunicação de incidentes relevantes de segurança à Autoridade Nacional de Proteção de Dados e aos titulares afetados.

Até agora, nenhuma das duas fontes indica ação de autoridade policial ou identificação formal do responsável. A FSC não informou prazo para concluir a apuração nem anunciou sanções às instituições atingidas.

Fontes

seguranca ciberneticaagentes de iabancoscrowdstrikecoreia do sul

Leia também