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Tutor de IA em universidade dos EUA não melhorou notas em teste com 2.379 alunos

Ensaio aleatório da Universidade de Maryland com 2.379 graduandos e 30 professores não achou ganho com um tutor de IA. Só 15% dos alunos usaram a ferramenta.

Por Redação Ai Lucro · · 3 min de leitura
Sala de aula universitária semivazia com notebooks abertos sobre as mesas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Um ensaio aleatório da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, não encontrou melhora de desempenho entre alunos que receberam um tutor de inteligência artificial integrado às disciplinas. Em parte das análises, o resultado foi pior: notas finais e participação na plataforma do curso ficaram abaixo do grupo de comparação. O estudo é um documento de trabalho, ainda sem revisão por pares.

Como o estudo foi feito

No segundo semestre de 2025, 2.379 graduandos e 30 professores de várias áreas participaram do experimento, que foi desenhado por pesquisadores de educação da universidade a pedido da reitora acadêmica, Jennifer King Rice. A ferramenta, chamada Virtual Study Assistant (VSA), é um tutor fechado, baseado num modelo da OpenAI, conectado ao sistema de gestão de cursos e alimentado principalmente com o material de cada disciplina.

A sorteio definiu quais turmas ofereciam o tutor. O resultado está no documento 26-1598 da série EdWorkingPapers, de autoria de uma equipe liderada por Jing Liu.

O que eles encontraram

O resumo do trabalho informa que, entre turmas da mesma disciplina, o acesso ao tutor reduziu a nota final em 0,37 desvio-padrão e a participação no sistema do curso em 0,90 desvio-padrão. Os autores dizem ainda que as perdas foram maiores entre estudantes que são a primeira geração da família na faculdade, e sugerem que o tutor pode ter ocupado o lugar de outras atividades de aprendizagem sem trazer ganho.

Há uma ressalva importante nos comentários sobre o estudo: o Inside Higher Ed descreve o efeito sobre as notas como pequeno, e os próprios pesquisadores pedem cautela com os resultados por subgrupos, como o de estudantes de primeira geração. Em outras palavras, a conclusão mais segura é "nenhum benefício demonstrado", e não "o tutor derrubou as notas".

Por que o resultado é difícil de interpretar

Só cerca de 15% dos alunos do grupo com acesso usaram o VSA. Os estudantes também tinham à disposição, pela universidade, outras ferramentas como ChatGPT e Gemini. Os pesquisadores levantam a hipótese de que a divulgação do tutor pelos professores, que podiam ver o histórico de conversas, pode ter desestimulado o uso ou influenciado o que os alunos perguntavam.

Entre quem usou, 73,8% pediram informação, explicações ou soluções, 11,3% usaram para praticar e se preparar para provas e apenas 0,7% pediram retorno sobre um trabalho próprio. Poucos professores trocaram o modo padrão, que dá a resposta certa de imediato, pelo modo de tutor, que conduz o aluno até a resposta.

O que dizem os envolvidos

A reitora Rice afirmou que o estudo não trouxe conclusões claras e que a universidade quer entender como implantar essas ferramentas, em vez de simplesmente liberá-las. A ampliação do acesso segue suspensa. Jing Liu disse que os professores receberam apenas treinamento leve e que será preciso preparar melhor o corpo docente.

Justin Reich, do MIT, elogiou o esforço de pesquisa, mas lembrou que ensaios de campo juntam várias mudanças ao mesmo tempo e não isolam todos os mecanismos. Stephen Aguilar, da Universidade do Sul da Califórnia, observou que universidades têm dificuldade em competir com o mercado de ferramentas e que modelos menores, que fazem poucas coisas bem, podem ser uma saída melhor.

O que isso significa para escolas e universidades brasileiras

O estudo não prova que tutores de IA não funcionam. Ele mostra que colocar uma ferramenta à disposição, sem mudar a forma de ensinar, tem baixa adesão e efeito incerto. A discussão que fica é sobre desenho: como o tutor é configurado, se o professor integra a ferramenta à aula e o que os alunos de fato pedem a ela. Essas variáveis ainda não foram separadas em experimentos próprios.

Fontes

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