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JAMA: 952 mil profissionais de saúde fizeram 271 milhões de consultas ao OpenEvidence em 30 meses

Estudo do Mass General Brigham e de Harvard na JAMA analisou o uso do OpenEvidence entre janeiro de 2024 e junho de 2026. Enfermeiros de prática avançada, assistentes médicos e médicos em início de carreira lideram.

Por Redação Ai Lucro · · 3 min de leitura
Médica de jaleco consultando um tablet em corredor de hospital
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Um estudo publicado na revista JAMA por pesquisadores do Mass General Brigham e da Faculdade de Medicina de Harvard mostra, pela primeira vez em larga escala, como profissionais de saúde usam uma plataforma de IA para pesquisa clínica. Entre janeiro de 2024 e junho de 2026, cerca de 952 mil clínicos enviaram aproximadamente 271 milhões de perguntas ao OpenEvidence, descrito pelos autores como a plataforma de IA clínica mais usada nos Estados Unidos.

O que foi analisado

O artigo se chama "Clinician Use of an Artificial Intelligence–Enabled Clinical Information Platform". É liderado por Vishal Patel, com supervisão de Anupam Jena, ambos do Mass General Brigham e de Harvard. Os pesquisadores examinaram dados de uso da plataforma ao longo de 30 meses, incluindo número de usuários ativos, volume de consultas e retenção.

O OpenEvidence permite que o profissional escreva uma pergunta clínica e receba uma resposta sintetizada a partir da literatura médica.

Principais achados

  • O número de usuários ativos, o volume de consultas e a retenção cresceram bastante no período.
  • O uso foi especialmente alto entre enfermeiros de prática avançada, assistentes médicos, médicos no início de carreira, residentes e fellows.
  • Por especialidade, o uso foi maior em oncologia e hematologia, clínica médica e medicina de família, e menor em oftalmologia, radiologia, ortopedia e anestesiologia.
  • A maior parte das perguntas tratava de tratamento e conduta, e não de diagnóstico.
  • Os profissionais também perguntaram com frequência sobre temas fora da própria especialidade.

Os autores apresentam o trabalho como uma das primeiras fotografias em larga escala do uso real de uma IA clínica, algo que pode orientar como essas ferramentas serão avaliadas e integradas à rotina.

O que o estudo não mede

Os resumos públicos não mencionam limitações, mas o desenho permite algumas observações. O estudo descreve quem usa e para quê, e não se as respostas estavam corretas ou se levaram a melhores desfechos para os pacientes. Trata-se também de uma única plataforma, então não se pode generalizar para outras ferramentas. E os resumos não explicam como os papéis e as especialidades dos usuários foram definidos.

Um volume alto de consultas mostra adoção, não qualidade. Esse ponto é importante porque outras pesquisas recentes sobre IA na medicina têm encontrado diferença grande entre o desempenho de um modelo em testes e o resultado quando pessoas reais o usam.

Contexto e relevância

Os dados indicam que a IA clínica já virou ferramenta de consulta cotidiana, principalmente para profissionais com menos tempo de carreira ou que atuam em funções de apoio, que costumam ter menos acesso a especialistas na hora da dúvida. Isso levanta perguntas práticas para sistemas de saúde: quem supervisiona o uso, como registrar o que foi consultado e como treinar equipes para checar respostas.

No Brasil, a plataforma é americana e os dados descrevem o uso nos Estados Unidos. O estudo não traz análise sobre o mercado brasileiro, mas serve de referência para quem discute regras e treinamento para o uso de IA em hospitais e clínicas.

O que esperar

Os autores sugerem que os resultados possam embasar futuras avaliações de como integrar ferramentas desse tipo. O passo seguinte, ainda por fazer, é ligar o uso a desfechos clínicos: se as decisões tomadas com apoio da plataforma são melhores, iguais ou piores do que as tomadas sem ela.

Fontes

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