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Tailândia põe em vigor regras para ETFs de bitcoin e ether com piso de 80% e veto a margem

Regras da SEC da Tailândia para ETFs de bitcoin e ether entraram em vigor em 16 de outubro, com exposição mínima de 80%, custódia licenciada e veto a margem.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Fachada de bolsa de valores asiática vista de baixo, com painel de cotações desfocado atrás do vidro
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Entraram em vigor em 16 de outubro as regras que autorizam a criação de ETFs de bitcoin e ether na bolsa da Tailândia, segundo o The Block. O arcabouço da Securities and Exchange Commission (SEC) tailandesa libera o produto, mas com travas pesadas: exposição mínima de 80% ao ativo de referência, custódia obrigatória com agentes licenciados e proibição de que corretoras financiem a compra desses fundos com empréstimo de margem.

Com isso, a Tailândia entra no grupo de países asiáticos que abriram a bolsa local a produtos listados de criptomoedas em vez de empurrar o investidor doméstico para plataformas no exterior. O desenho é conservador e começa estreito.

O que as regras para ETFs de bitcoin e ether exigem

Na fase inicial, só bitcoin e ether podem lastrear os fundos. Segundo a Crypto Economy, incluir outros criptoativos vai depender de uma avaliação do regulador sobre liquidez, aceitação de mercado, segurança e riscos ao investidor, sem prazo definido.

Os pontos centrais do arcabouço, de acordo com o The Block:

  • os fundos precisam manter exposição líquida média de pelo menos 80% do patrimônio líquido ao ativo de referência em cada exercício contábil;
  • os criptoativos devem ficar sob guarda de custodiantes licenciados e supervisionados pela SEC tailandesa;
  • a negociação só pode acontecer na Stock Exchange of Thailand (SET);
  • gestoras podem terceirizar a administração apenas para gestores de fundos de ativos digitais licenciados;
  • empresas de ativos digitais que cumpram exigências de capital, equipe e sistemas operacionais podem supervisionar esses ETFs.

A Crypto Economy descreve o pacote como 11 disposições regulatórias, que tratam de estrutura dos fundos, custódia de ativos digitais, obrigações dos intermediários e proteção ao investidor.

O que ficou proibido para o varejo

A regra que mais limita o apetite especulativo é a vedação ao crédito: corretoras não podem oferecer empréstimo com margem para a compra desses fundos, o que na prática impede exposição alavancada ao produto dentro do sistema regulado.

Há ainda um filtro de entrada. Antes de operar, o investidor precisa receber informações de risco e confirmar que entendeu as características do produto e as possíveis perdas, conforme a Crypto Economy.

O arcabouço também fecha a porta lateral do exterior. Certificados de depósito ligados a ETFs de cripto estrangeiros estão proibidos nesta fase inicial, e corretoras não podem intermediar investimento em ETFs de cripto de fora para clientes que não sejam institucionais ou de patrimônio muito elevado, segundo o The Block. Em compensação, fundos mútuos e fundos privados tailandeses passam a poder comprar os ETFs de cripto listados localmente, algo antes restrito a produtos estrangeiros.

Nenhum fundo anunciado até agora

A regra está válida, mas não existe produto. Nenhum fundo foi anunciado e não há data de início de negociação, informa a Crypto Economy. Antes de lançar, as gestoras precisam publicar prospecto, contratar custodiante e concluir os procedimentos de autorização junto à SET — etapas que costumam levar meses.

O que isso diz para o investidor brasileiro

Na prática, nada muda para quem investe no Brasil: o país já está vários passos à frente nesse ponto específico. A B3 lista 19 ativos ligados a criptomoedas, entre ETFs e BDRs de ETFs, com produtos de bitcoin, ether e solana, de acordo com a própria bolsa. O primeiro ETF de cripto brasileiro, o HASH11, foi lançado em abril de 2021.

A comparação útil não é de velocidade, e sim de desenho. A Tailândia proibiu, por ora, justamente o formato de certificado de depósito sobre ETF estrangeiro — modelo que no Brasil existe e dá acesso a produtos como o fundo de bitcoin da BlackRock via BDR. E amarrou duas exigências explícitas no texto: piso de exposição ao ativo e bloqueio de alavancagem via corretora.

São parâmetros que tendem a aparecer no debate regulatório brasileiro sobre custódia e risco em produtos de cripto. A B3 reconhece que esses ativos têm alta volatilidade e que o investidor deve entender o funcionamento e os riscos antes de aplicar.

O que esperar

O próximo marco é o primeiro pedido de registro de ETF na SET e o nome das gestoras dispostas a operar dentro do limite de 80% com custodiante licenciado. A ampliação para outros criptoativos além de bitcoin e ether depende de uma decisão discricionária do regulador tailandês, sem cronograma público.

Este texto é informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptoativos têm alta volatilidade e risco de perda do capital aplicado.

Fontes

tailândiaetfbitcoinetherregulaçãob3

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