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Cripto

Quantum Alliance quer proteger os cerca de 30% de bitcoins com chave pública exposta

Nove empresas e organizações de cripto lançaram a Quantum Alliance para criar padrões pós-quânticos; o grupo aponta 30,2% dos bitcoins em endereços com chave pública visível na blockchain.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Computador quântico dourado suspenso em cilindro criogênico dentro de laboratório escuro
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Nove empresas e organizações de cripto e segurança anunciaram na quinta-feira, 15 de outubro, a Quantum Alliance, grupo criado para definir padrões comuns de proteção do bitcoin, do Ethereum e de outras redes diante do avanço da computação quântica. O alvo prioritário são os endereços cuja chave pública já está visível na blockchain: segundo a aliança, eles concentram 30,2% da oferta total de bitcoin. As duas fontes divergem no número absoluto — a CoinDesk fala em 6,4 milhões de BTC e o TFTC, em cerca de 6,04 milhões, ainda que ambas citem o mesmo percentual.

Esses endereços seriam os alvos preferenciais de um futuro computador quântico suficientemente potente. Entre eles estão cerca de 1,1 milhão de BTC atribuídos a Satoshi Nakamoto, o criador pseudônimo do bitcoin, minerados nos primeiros tempos da rede em um formato antigo (pay-to-public-key) que deixa a chave pública permanentemente gravada na blockchain. O lançamento foi noticiado pela CoinDesk e pelo TFTC.

O que significa ter a chave pública exposta

Significa que metade do par criptográfico já é pública. Cada endereço de bitcoin funciona com duas chaves: a privada, que fica com o dono e autoriza gastos, e a pública, derivada dela. Nos endereços modernos, a chave pública só aparece na blockchain quando a pessoa movimenta os fundos. Em formatos antigos, como os usados nos primeiros anos da rede, ela está exposta desde sempre.

Hoje, deduzir a chave privada a partir da pública é inviável. O temor da aliança é que um computador quântico futuro, com poder de processamento suficiente, consiga fazer esse cálculo e assumir o controle das moedas. De acordo com a CoinDesk, nenhum computador quântico existente atualmente chega perto disso.

O que mudou foi a percepção de distância. O TFTC cita um estudo publicado pelo Google Quantum AI em março de 2026 que reduziu em cerca de 20 vezes a estimativa de qubits físicos necessários para quebrar a criptografia de curva elíptica do bitcoin (secp256k1), para menos de 500 mil.

Quando um computador quântico poderia quebrar o bitcoin

Não há consenso. Richard Carback, diretor de tecnologia da Postquant Labs, afirmou à CoinDesk que 2028 é uma data realista para o surgimento de uma máquina capaz de quebrar a criptografia atual. Bryn Bennett, diretor de receita da The Vault, disse que ninguém sabe a data, mas que as estimativas continuam caindo e que o risco já pode ser planejado.

O prazo é disputado até dentro do próprio grupo: o TFTC registra que o "Quantum Doom Clock" da aliança aponta março de 2028 apenas como a janela mais cedo possível, enquanto estimativas independentes que o site considera críveis colocam o cenário mais provável no início ou na metade da década de 2030.

Christopher Smith, fundador e CEO da Quantus, declarou ao TFTC que o cenário mais provável é que quem obtiver o primeiro computador quântico criptograficamente relevante fique com essas moedas, provavelmente com o aval de algum governo nacional. É uma projeção do executivo, sem confirmação independente.

Quem está na Quantum Alliance e o que o grupo pretende entregar

Os membros fundadores são Quantus, American Fortress, Intmax, Keystone, Midnight Foundation (ligada a Charles Hoskinson, do Cardano), Postquant Labs, Abelian, The Vault e Hacken. A proposta é publicar padrões abertos, critérios de teste, benchmarks e guias de migração em quatro frentes: migração de blockchains, provas de conhecimento zero pós-quânticas, segurança de carteiras e compatibilidade entre redes.

O processo seguirá um modelo de consenso aberto inspirado no da IETF, entidade que define padrões técnicos da internet. A aliança ainda não divulgou cronograma para a publicação dos primeiros documentos.

Congelar, migrar ou não fazer nada

A parte mais sensível do debate é o que fazer com os bitcoins vulneráveis, já que muitos pertencem a carteiras abandonadas ou a pessoas falecidas. Carback defende mover as moedas em vez de congelá-las. Bennett argumenta que congelar é uma decisão de governança da rede bitcoin, não da indústria, e que a medida trocaria o risco quântico por um precedente sobre direito de propriedade e neutralidade. "Um custodiante protege os ativos de seus clientes, não os abandonados", disse.

O que muda para quem tem bitcoin no Brasil

Para o investidor brasileiro comum, não há ação urgente. Quem comprou bitcoin em corretora, ou usa carteiras com endereços modernos e não reutiliza um endereço depois de movimentá-lo, está fora do grupo de 30,2% descrito pela aliança. O risco apontado é de médio prazo e depende de um hardware que ainda não existe.

O ponto prático é outro: qualquer migração para assinaturas pós-quânticas exigiria coordenação entre desenvolvedores, mineradores, corretoras e usuários, e as novas assinaturas tendem a ocupar mais espaço na blockchain, o que pode encarecer as taxas de transação, conforme a CoinDesk. Nada disso é recomendação de investimento.

Fontes

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