Pluto Security levanta US$ 34 milhões para mapear a shadow AI que funcionários criam sem avisar o TI
A israelense Pluto Security captou US$ 34 milhões para dar às equipes de segurança a lista das ferramentas de IA que os funcionários usam e dos agentes que eles criam sem passar pelo TI.

A startup israelense Pluto Security anunciou em 14 de outubro de 2026 uma rodada de US$ 34 milhões, liderada pela Jump Capital, segundo o The Jerusalem Post. O dinheiro vai para a shadow AI: os agentes, aplicativos e automações que funcionários constroem com ferramentas de IA sem passar pelo departamento de TI — e que, na tese da empresa, a área de segurança hoje não consegue nem listar.
Com a nova rodada, a Pluto soma US$ 42 milhões captados desde a fundação, em 2025. A rodada seed anterior foi liderada pela TLV Partners, com participação da Ansa Capital.
O que a Pluto vende contra a shadow AI
A plataforma entrega às equipes de segurança duas listas que, segundo a empresa, hoje faltam: as ferramentas de IA que os funcionários estão usando e o que eles construíram com essas ferramentas, incluindo agentes, aplicativos, automações e fluxos de trabalho. A partir daí, de acordo com o Jerusalem Post, o sistema bloqueia ações perigosas em tempo real sem derrubar a ferramenta ou o aplicativo que o funcionário estava usando.
Esse detalhe é o argumento comercial da empresa. "A segurança foi tradicionalmente construída em torno de impedir coisas, mas esse modelo quebra quando o negócio se move mais rápido do que a segurança consegue avaliar cada nova ferramenta", disse o CEO Shahar Bahat ao The Next Web.
A Pluto foi fundada por Bahat (CEO), Tal Ofer Regev (CPO) e Gil Maman (CTO), e tem cerca de 40 funcionários entre Israel e Estados Unidos, conforme o Jerusalem Post — o The Next Web reporta mais de 50. Na rodada atual, além da Jump Capital, participaram a Skinos e a AlphaDrive Ventures. A base de investidores da empresa inclui ainda nomes que entraram na fase seed, como Ariel Maislos e os fundadores da empresa de segurança Armis, Yevgeny Dibrov e Nadir Izrael.
Em números de negócio, a companhia afirma proteger mais de 1 milhão de endpoints e ter mais de 40 clientes corporativos, entre eles Oscar Health, Workato, Sixt e AlphaSense, com receita recorrente anual na casa dos milhões de dólares, segundo o The Next Web. São dados informados pela própria empresa, sem auditoria pública.
O canal de vendas é um projeto gratuito
Um ponto fora do padrão do setor: a Pluto mantém o Plutonium, um hub gratuito de avaliação de risco de componentes de IA, movido pelo banco de dados proprietário RisksDB da própria empresa, que profissionais de segurança usam e alimentam semanalmente. De acordo com o The Next Web, esse projeto gratuito virou o principal canal de aquisição de clientes da empresa, e a maior parte do pipeline chega hoje por demanda espontânea. Saaya Pal, sócia da Jump Capital, descreveu o arranjo, ao mesmo site, como um motor de vendas diferente do usual em cibersegurança.
Por que a shadow AI importa para a empresa brasileira
O problema que a Pluto tenta resolver não é israelense. Em qualquer empresa com time comercial, financeiro ou de atendimento, alguém já colou uma planilha de clientes em um chat de IA, montou um GPT próprio com o histórico de pedidos ou ligou uma automação entre o CRM e um modelo externo. Normalmente sem pedir autorização, porque funcionou e economizou tempo.
Quando esse dado é pessoal, a responsabilidade continua sendo da empresa. A LGPD exige que o controlador adote medidas de segurança sobre os dados que trata, e o artigo 48 determina a comunicação de incidente de segurança aos titulares e à Autoridade Nacional de Proteção de Dados quando houver risco ou dano relevante. A Resolução CD/ANPD nº 15, de 24 de abril de 2024, fixa o prazo de três dias úteis para essa comunicação, ressalvada a existência de prazo previsto em legislação específica, conforme a própria ANPD. Na prática, quem não sabe quais ferramentas de IA seus funcionários usam também não tem como saber se houve incidente, nem como cumprir o prazo. As informações sobre a norma são de caráter geral e não substituem a análise de um advogado sobre o caso concreto.
Vale separar fato de expectativa de mercado: uma rodada de US$ 34 milhões mostra que investidores apostam que o controle de shadow AI vai virar uma categoria de software corporativo, não que toda empresa precise comprar uma plataforma dessas. Para a maioria das companhias brasileiras, o primeiro passo é mais barato e não envolve fornecedor: levantar quais ferramentas de IA já estão em uso, definir por escrito que tipo de dado pode entrar nelas e quem aprova novas integrações.
O que esperar
A Pluto diz que vai usar o capital em produto, pesquisa e expansão nos Estados Unidos. O movimento tende a atrair concorrência de fornecedores já estabelecidos de segurança e governança de dados, que vêm encaixando módulos de inventário de IA em seus produtos. Para o comprador brasileiro, o efeito mais provável no curto prazo é ver esse recurso aparecer embutido em ferramentas que a empresa já contrata, antes de virar uma linha separada no orçamento.
Fontes
Leia também

Justiça de SP manda Jusbrasil tirar do llms.txt frases contra o Escavador

Anthropic oferece juro acima de 10% à Blackstone em pacote de US$ 60 bi para chips do Google, diz FT

Ataque com agente de IA atinge 16 instituições financeiras da Coreia do Sul e expõe 100 mil registros
