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IA erra dados sobre candidaturas nas eleições 2026, mostra estudo

Estudo da VeroRank testou ChatGPT, Gemini e AI Overview e achou falhas de atualização e pouca transparência nas fontes sobre eleições 2026.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Tela de smartphone com chat de IA ao lado de uma urna eletrônica estilizada
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Quem recorre ao ChatGPT ou ao Gemini para tirar dúvidas sobre as eleições 2026 corre o risco de receber uma resposta desatualizada ou mal sustentada. É o que mostra um estudo da VeroRank, plataforma que monitora como sistemas de IA generativa respondem sobre marcas e temas públicos: as ferramentas acertam o básico, mas falham em detalhes que mudam de um dia para o outro, como o número de candidaturas registradas.

O levantamento testou ChatGPT, Gemini e o AI Overview do Google durante 16 dias, entre 8 e 23 de setembro de 2026. Ao todo, a VeroRank registrou 1.269 execuções, 9.991 consultas a fontes e 4.420 citações, espalhadas por 498 domínios diferentes.

A tese desta análise é direta: usar IA como atalho para se informar sobre eleições sem checar a data da resposta é um risco real, não um exagero de especialista.

Eleições 2026: onde a IA acerta e onde erra

Os três sistemas tiveram bom desempenho em um ponto específico: 98% das respostas associaram corretamente um candidato ao seu partido, segundo o estudo. É um dado relativamente estável, que não muda todos os dias.

O problema aparece quando a pergunta exige informação mais recente. Apenas 64% das respostas sobre o número de candidaturas registradas estavam corretas, e 34% traziam dados desatualizados, de acordo com a VeroRank. A data do primeiro turno das eleições saiu errada em 10% das respostas analisadas.

A explicação é simples: candidaturas são confirmadas, impugnadas ou substituídas ao longo da campanha, e o calendário eleitoral pode gerar confusão quando a IA mistura informações de pleitos anteriores com as de 2026. Quem pergunta "quantos candidatos tem nesta eleição" numa terça-feira pode receber uma resposta que já estava errada na segunda.

O problema que poucos notam: a fonte que a IA lê não é a que ela cita

Segundo a VeroRank, o ChatGPT consultou fontes em 65% das respostas, mas incluiu citação visível em apenas 20% delas — o equivalente a 14 citações para cada 100 fontes efetivamente lidas. Gemini e AI Overview, por outro lado, citaram todas as fontes que consultaram, segundo o mesmo levantamento.

Isso significa que, no caso do ChatGPT, boa parte do material usado para montar a resposta fica invisível. O usuário não tem como saber se a informação veio do TSE, de um portal de notícia ou de uma postagem qualquer, porque a citação que comprovaria isso simplesmente não foi gerada na maior parte das vezes.

O estudo também encontrou baixa sobreposição entre os sistemas: menos de 8 fontes em comum a cada 100 entre Gemini e ChatGPT, e a coincidência nunca passou de um terço entre qualquer par de ferramentas testadas. Na prática, perguntar a mesma coisa para dois assistentes diferentes pode gerar respostas baseadas em conjuntos de fontes quase totalmente distintos.

Um dado que reforça a seriedade do tema: nenhum dos sistemas testados se recusou a responder perguntas sobre as eleições, mesmo quando a informação disponível era incompleta ou desatualizada. A IA prefere responder algo a admitir que não sabe.

O contra-argumento: a maioria das citações ainda vem de fontes sérias

É preciso reconhecer o que o estudo também mostrou de positivo. Entre as citações que os sistemas de fato geraram, 53% vieram de jornalismo e 17% de órgãos oficiais, com o TSE entre as fontes oficiais mais citadas, segundo a VeroRank. Isso indica que, quando a IA cita algo, a tendência é citar fonte confiável, e não qualquer site.

O ponto fraco não é a qualidade do que é citado, mas a cobertura: a maior parte do material consultado pelo ChatGPT simplesmente não chega a ser citada, e isso dificulta a verificação por parte de quem está lendo.

O que observar até o primeiro turno

Para quem usa IA para entender a disputa eleitoral, o cuidado prático é simples: tratar a resposta como ponto de partida, não como fonte final. Perguntas sobre números de candidaturas, datas e situação de registro devem ser confirmadas direto no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que foi uma das fontes oficiais mais citadas no próprio estudo.

A VeroRank informou que vai publicar uma atualização consolidada após o primeiro turno, em 4 de outubro, e que o monitoramento pode continuar até 25 de outubro de 2026, em caso de segundo turno, segundo o Estado de Minas. Até lá, a recomendação da Redação Ai Lucro é clara: quando a pergunta envolve data de votação, número de candidatos ou situação de uma candidatura, vale mais um minuto no site do TSE do que confiar de olhos fechados na resposta de um chatbot.

Fontes

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