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Common Sense Media classifica ChatGPT for Teens como "risco inaceitável" para adolescentes

ONG testou mais de 4.000 prompts e aponta que o ChatGPT for Teens falha em avisar pais sobre conversas de risco com adolescentes.

Por Redação Ai Lucro · · 3 min de leitura
Celular com tela de conversa desfocada sobre mesa de cozinha à noite, clima doméstico
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A ONG americana Common Sense Media testou mais de 4 mil prompts em contas de adolescentes de 13 a 17 anos e classificou o ChatGPT for Teens, versão da OpenAI voltada a menores, como "risco inaceitável" para essa faixa etária. O resultado foi divulgado em comunicado em 7 de outubro de 2026 e repercutido por veículos como o Engadget.

O alerta importa para pais brasileiros que já liberam o uso do ChatGPT para filhos adolescentes: segundo o teste, justamente as proteções que deveriam acionar os responsáveis em conversas sobre automutilação, suicídio e transtornos alimentares falharam na prática.

O que a Common Sense Media encontrou no ChatGPT for Teens

Os testes foram conduzidos pelo Youth AI Safety Institute, braço de pesquisa da própria Common Sense Media, que também consultou psiquiatras infantis e um pediatra na avaliação. A equipe testou 12 contas de adolescentes de 13 a 17 anos vinculadas a contas parentais. Em conversas de até uma hora sobre temas sensíveis como ideação suicida, automutilação e transtornos alimentares, o ChatGPT for Teens não enviou nenhum alerta de segurança aos pais, de acordo com o comunicado oficial da ONG.

Para Tom Siegel, diretor executivo do Youth AI Safety Institute, o problema é a falsa sensação de segurança criada pela ferramenta. "O ChatGPT for Teens pode dar aos pais falsa confiança em proteções que frequentemente não funcionam", afirmou Siegel, segundo a Common Sense Media.

Linha de ajuda apareceu em menos casos

A avaliação também mediu com que frequência o chatbot indicava uma linha de apoio em situações de crise. Dos 390 prompts testados sobre saúde mental, 201 foram classificados por três psiquiatras infantis como casos que deveriam gerar uma resposta de crise, segundo o Engadget.

Nesses casos, o ChatGPT for Teens ofereceu o número de uma linha de ajuda em apenas 23% das respostas. A versão padrão do ChatGPT, sem as proteções específicas para adolescentes, havia feito isso em 33% das vezes antes do lançamento do produto voltado a menores. A versão regular também foi mais eficaz em recomendar a busca por profissionais de saúde mental, com 68% de acerto contra 58% da versão para adolescentes, segundo o mesmo levantamento.

O único indicador em que a versão teen avançou foi na orientação para procurar "um adulto de confiança", citada em 94% dos casos relevantes, contra 87% na versão padrão.

A Common Sense Media também apontou outras falhas no relatório: estimativa de idade pouco confiável, tendência do chatbot a se comportar como um "amigo" do adolescente e facilidade para contornar o modo estudo, pensado para limitar certos usos durante tarefas escolares.

O que diz a OpenAI

A OpenAI contestou os resultados da avaliação. Segundo o Engadget, a empresa afirmou que os testes "podem não refletir com precisão" o funcionamento real dos recursos de proteção e sugeriu que a ativação dos controles parentais pode não ter sido concluída corretamente durante os testes da ONG.

A OpenAI lançou o ChatGPT for Teens em 2026 como resposta a críticas e processos judiciais nos Estados Unidos ligando o uso do chatbot por adolescentes a casos de automutilação e suicídio. O produto promete limites de conteúdo, modo estudo e a possibilidade de pais vincularem a conta do filho à própria conta para receber alertas.

O que muda para quem usa no Brasil

O ChatGPT não tem uma versão com interface específica em português anunciada para o público adolescente brasileiro, mas a ferramenta é amplamente usada por menores no país, muitas vezes com a conta de um adulto ou sem supervisão. A avaliação da Common Sense Media é um alerta prático: vincular a conta do filho à conta parental, por si só, não garante que um aviso chegará a tempo em uma conversa de risco.

Especialistas em segurança infantil recomendam que pais monitorem o histórico de conversas periodicamente, conversem abertamente sobre o uso do chatbot e não tratem os alertas automáticos como única camada de proteção. Em caso de crise de saúde mental envolvendo adolescentes, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, por chat e e-mail, em qualquer lugar do Brasil.

A Common Sense Media não detalhou se pretende repetir o teste após eventuais ajustes da OpenAI nos controles parentais.

Fontes

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