Vitalik Buterin diz que corrida por velocidade dos zkEVMs acabou e pede foco em segurança
Cofundador da Ethereum afirma que disputa por desempenho dos zkEVMs está vencida e defende prioridade total para auditoria e verificação formal.

O cofundador da Ethereum, Vitalik Buterin, declarou em 15 de outubro que a corrida pela velocidade entre os zkEVMs — os provadores de validade que sustentam o processamento de transações da rede — está definitivamente vencida. Para ele, o próximo capítulo da tecnologia precisa se concentrar em segurança, não em desempenho.
A declaração veio como elogio ao time Airbender, da ZKsync, que conseguiu gerar uma prova em tempo real na Ethereum usando uma única GPU, segundo o PANews. Buterin tratou o feito como um marco que encerra a disputa por quem prova blocos mais rápido.
O que é um zkEVM e por que isso importa
zkEVMs são sistemas que geram provas criptográficas de que transações processadas fora da camada principal da Ethereum — nas chamadas redes de camada 2, como a própria ZKsync — foram executadas corretamente, sem precisar reexecutar cada transação na rede principal. É essa tecnologia que permite à Ethereum escalar sem abrir mão da segurança original da blockchain.
Até agora, boa parte da competição entre projetos de camada 2 girava em torno de qual rede conseguia gerar essas provas mais rápido e com menor custo. Com a velocidade tratada como problema resolvido, Buterin sinaliza que o critério decisivo passa a ser quão auditado e matematicamente verificado é o código que gera a prova.
Por que a prioridade muda agora
"Neste momento, considero a batalha pela velocidade definitivamente vencida", disse Buterin, segundo o TokenPost. Na prática, ele argumenta que ganhos de desempenho já deixaram de ser o fator que separa um zkEVM confiável de outro: o teste da ZKsync não resolve, por si só, as questões de segurança e de conformidade com a especificação da Ethereum.
Buterin listou três requisitos que, na visão dele, toda zkEVM deveria cumprir a partir de agora:
- Equivalência formalmente verificada entre a lógica do provador e a especificação oficial da Ethereum;
- Um limite rígido e comprovado entre o custo computacional do provador e o gás disponível em cada bloco;
- Segurança comprovada do próprio sistema de prova — garantia de que o mecanismo que gera e verifica as provas não pode ser enganado.
Segundo o TokenPost, o recado é que verificação formal e auditoria, e não mais benchmarks de velocidade, devem decidir em quais zkEVMs a rede Ethereum vai confiar daqui para frente.
O que muda para quem investe em cripto no Brasil
Para o investidor brasileiro que acompanha o ecossistema Ethereum, a fala de Buterin funciona como um indicador de onde focar a atenção ao avaliar redes de camada 2: não basta uma rede ser rápida ou barata, ela também precisa divulgar auditorias independentes e verificação formal do seu provador.
Isso não é recomendação de investimento. O posicionamento em qualquer ativo ligado a essas redes deve ser avaliado com cautela, já que a segurança de um sistema de prova é algo que leva tempo para ser comprovado na prática, não apenas anunciado.
O que esperar a seguir
Buterin não citou um cronograma oficial, mas a fala indica que a comunidade de desenvolvedores da Ethereum deve passar a exigir, cada vez mais, relatórios de auditoria e provas formais de equivalência como critério para que um zkEVM seja considerado confiável pela rede principal. Projetos que não avançarem nesses três pontos tendem a perder espaço na discussão técnica, mesmo que já tenham resolvido o problema de velocidade.
Fontes
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