Sábado, 17 de outubro de 2026Inteligência artificial e tecnologia, todo dia
Cripto

Visa Direct passa a usar USDC em produção para pré-financiar pagamentos em 180 países

A Visa tirou o pré-financiamento com USDC no Visa Direct da fase de piloto e levou o recurso à produção comercial, com a Inyo Global pagando em mais de 180 países, 24 horas por dia.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Cartão de pagamento azul sobre teclado de notebook com gráficos de fluxo de pagamentos internacionais ao fundo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A Visa anunciou em 15 de outubro de 2026 que o pré-financiamento de pagamentos com stablecoin no Visa Direct saiu da fase de piloto e entrou em produção comercial. O recurso usa a USDC para abastecer as contas que bancam pagamentos transfronteiriços quase em tempo real, sem depender do horário de funcionamento dos bancos.

A primeira empresa a colocar a função no ar é a Inyo Global, processadora que faz pagamentos via Visa Direct em mais de 180 países. Com isso, a Visa deixa de apenas testar stablecoin e passa a oferecer o recurso como produto disponível a clientes.

O que muda no Visa Direct com a USDC

A mudança está no pré-financiamento, o chamado prefunding. Hoje, uma empresa que envia dinheiro para fora precisa deixar saldo parado em contas bancárias de cada país ou corredor onde opera, e só consegue reabastecer esse saldo quando os bancos estão abertos. É esse colchão de capital que a Visa diz atacar.

Com a integração, o cliente pode usar USDC para financiar a conta que banca os pagamentos, segundo o comunicado da Visa a investidores. Tudo acontece pelas APIs que ele já usa, sem nova conexão técnica. Na descrição da companhia, o resultado é poder financiar e movimentar dinheiro de forma mais flexível e eficiente em escala global.

"O próximo capítulo das stablecoins é a adoção", afirmou Vira Platonova, head global do Visa Direct, no comunicado. Segundo a Visa, a Inyo Global entra como a primeira habilitadora da função.

Do lado da processadora, o argumento é operacional. Robson Dantas, diretor de produto e tecnologia e cofundador da Inyo Global, disse que a integração dá a transmissoras de dinheiro, fintechs e empresas de pagamento uma nova forma de financiar seus repasses, disponível 24 horas por dia.

De piloto a produção: a linha do tempo

A Visa vem empilhando testes com stablecoin há mais de um ano. De acordo com o levantamento do The Block, os primeiros testes de pré-financiamento com USDC e EURC começaram em setembro de 2025, e em novembro de 2025 a empresa iniciou pilotos de pagamento em que o destinatário recebia a stablecoin diretamente.

Em agosto de 2026, a Visa fechou parceria com a Zerohash para infraestrutura de stablecoin. No começo de outubro de 2026, concluiu com o banco britânico Lloyds um teste de sete dias que incluiu uma liquidação de US$ 750 mil processada em menos de uma hora, inclusive em transferências de fim de semana, conforme o The Block. É o único valor específico divulgado até agora.

O anúncio desta semana encerra o ciclo de provas de conceito. A diferença é que o recurso agora está disponível comercialmente, com um processador real operando. A Visa não divulgou condições de preço nem detalhes de cobrança.

O que muda para o brasileiro

Quem recebe dinheiro do exterior não vai ver a palavra USDC em nenhuma tela. A mudança está no andar de baixo: no jeito como a empresa que paga abastece o caixa que libera as transferências.

Se ela não precisa mais esperar a abertura dos bancos para recompor saldo, a janela de corte para liberar um pagamento tende a aumentar. Isso interessa ao freelancer que recebe de cliente de fora, ao prestador de serviço em plataformas internacionais, à pequena exportadora e a quem depende de remessas familiares, sobretudo em fim de semana e feriado. Capital parado também é custo, e processadora com menos capital imobilizado tem mais espaço para competir em tarifa, embora a Visa não tenha divulgado qualquer previsão de preço ao consumidor final.

Há ressalvas importantes. A própria Visa afirma que a disponibilidade varia conforme elegibilidade e geografia, e orienta clientes a consultar representantes da empresa sobre onde o recurso está liberado. O The Block registra a mesma limitação. Nenhum dos dois materiais detalha quais mercados estão habilitados, e não há confirmação específica sobre o Brasil. Qualquer operação de câmbio e de ativos virtuais aqui segue sujeita às regras brasileiras aplicáveis a quem presta esses serviços.

O que esperar

A Visa não informou metas de volume, cronograma de expansão por país nem quais processadores vêm depois da Inyo Global. Posicionou o anúncio como o começo de uma lista de habilitadores, e não como exclusividade.

Para o mercado de remessas, o teste real virá nos próximos trimestres. Se o pré-financiamento com stablecoin baratear o custo de operar corredores menores, a tecnologia tende a aparecer em serviços que hoje não compensam. Se ficar restrita aos grandes corredores, segue como eficiência de tesouraria, invisível para quem recebe.

Este texto é informativo e não constitui recomendação de investimento em criptoativos.

Fontes

visausdcstablecoinpagamentos internacionaisremessasvisa direct

Leia também