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Coinbase e Marqeta anunciam cartões em stablecoin para empresas, com liquidação na rede Base

Coinbase e Marqeta vão oferecer cartões corporativos lastreados em stablecoin, com liquidação na rede Base e recarga 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Cartão de pagamento azul sem marca apoiado em uma maquininha sobre balcão de madeira clara
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A Coinbase (Nasdaq: COIN) e a Marqeta (Nasdaq: MQ) anunciaram em 16 de outubro de 2026 a expansão da parceria entre as duas empresas para oferecer cartões de pagamento lastreados em stablecoin a clientes corporativos — inclusive a empresas que não atuam com cripto. Segundo as companhias, a liquidação on-chain será feita na Base, a rede de camada 2 da própria Coinbase, e os programas construídos sobre a parceria terão recarga 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Na prática, é a infraestrutura que permite a uma empresa manter saldo em dólar digital e deixar que seus portadores de cartão gastem esse dinheiro em qualquer estabelecimento que aceite cartão, sem que o lojista precise lidar com cripto.

Quem faz o quê nos cartões lastreados em stablecoin

A divisão de tarefas foi detalhada no anúncio. A Coinbase cuida da custódia dos saldos em stablecoin, da conversão entre ativo digital e moeda tradicional no momento do gasto e da liquidação na Base. A Marqeta fica com a emissão do cartão, o processamento das transações e as relações com bancos e bandeiras — a parte regulada e pouco glamourosa que faz um cartão funcionar em um terminal comum.

Anthony Peculic, Chief Strategy Officer da Marqeta, disse que ampliar a relação com a Coinbase foi "um próximo passo natural" enquanto a empresa monta a pilha completa de cartões lastreados em stablecoin, de acordo com o PYMNTS. Alec Lovett, Head of Infrastructure Products da Coinbase, afirmou que a colaboração combina os trilhos de pagamento em stablecoin da exchange com a capacidade de emissão e processamento da Marqeta para entregar transações globais em tempo real.

Recarga fora do horário bancário é o ponto central

O detalhe operacional mais relevante não é o cartão em si, e sim quando ele pode ser abastecido. Conforme o Crypto Briefing, os programas terão recarga 24 horas por dia, 7 dias por semana: uma empresa pode repor o limite de um cartão corporativo numa madrugada de sábado, sem esperar a abertura do sistema bancário tradicional na segunda-feira.

Para quem opera em fuso horário diferente, paga prestadores no exterior ou precisa comprar de fornecedor com urgência, essa janela permanente é o argumento comercial. A liquidação na Base tende a reduzir o custo por transação em relação à rede principal do Ethereum, embora nenhuma das duas empresas tenha divulgado tarifas.

De cartão de consumidor para cliente corporativo

A parceria não começa agora. Coinbase e Marqeta já haviam trabalhado juntas entre 2020 e 2021, quando sustentaram o cartão de gastos em cripto da exchange voltado a pessoas físicas. O que muda é o público: o novo movimento mira empresas, incluindo as que não têm nada a ver com o mercado cripto.

A escala da Marqeta dá a dimensão do anúncio. A processadora movimentou cerca de US$ 400 bilhões em volume de pagamentos em 2025 e opera em mais de 40 países, segundo o Crypto Briefing.

O que muda para o brasileiro

Por ora, nada de imediato: nenhuma das duas empresas citou o Brasil no anúncio, e não há indicação de que os cartões serão oferecidos aqui. Ainda assim, o movimento ajuda a ler o cenário local.

O Banco Central publicou em 10 de novembro de 2025 as Resoluções BCB 519, 520 e 521, que regulamentam as prestadoras de serviços de ativos virtuais e entraram em vigor em 2 de fevereiro de 2026. A Resolução 521 inseriu parte das operações com ativos virtuais no mercado de câmbio, equiparando a transações cambiais a compra e venda de stablecoins referenciadas em moeda estrangeira e as transferências internacionais com cripto. Pela leitura do escritório CSMV Advogados, prestadoras já em atividade têm até 30 de outubro de 2026 para protocolar o pedido de autorização.

Ou seja: qualquer produto desse tipo que chegue ao país entra num ambiente regulado, com reporte e autorização prévia, e não mais numa zona cinzenta.

O que ainda não foi dito

As empresas não divulgaram data de lançamento, nem quais stablecoins serão aceitas, nem em quais mercados os programas começam. Também não informaram preços para os clientes corporativos. Resta saber como a integração entre custódia, conversão e liquidação se comporta em volume, e como a oferta se ajusta a regras que mudam de país para país.

Este texto é informativo e não constitui recomendação de investimento.

Fontes

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