Solana ativa upgrade Alpenglow nesta quarta (21/10) e reduz confirmação de transações para 150 milissegundos
Solana troca o consenso TowerBFT pelo Votor em 21/10/2026, reduzindo o tempo de finalidade de 12,8s para 150ms na rede.

A Solana vai ativar nesta quarta-feira, 21 de outubro, a maior mudança no mecanismo de consenso da rede desde 2020. O upgrade Alpenglow entra em vigor no início da época (epoch) 1064, por volta das 15h UTC (12h em Brasília), de acordo com a Solana Foundation. A promessa é reduzir o tempo para uma transação se tornar irreversível de cerca de 12,8 segundos para aproximadamente 150 milissegundos.
Na prática, quem usa a rede para pagamentos, trocas em corretoras descentralizadas ou jogos deve notar confirmações quase instantâneas. Há também menos espaço para reorganizações de blocos, o fenômeno que hoje atrasa a certeza de que uma transação não será revertida.
O que é o Alpenglow e por que ele muda o consenso
O Alpenglow substitui o TowerBFT, sistema de votação usado pela Solana desde o lançamento da rede, por um novo protocolo chamado Votor. Até agora, os validadores confirmavam blocos enviando votos como transações registradas na própria blockchain, um processo que se acumulava ao longo de 32 slots antes de considerar um bloco definitivo.
Com o Votor, os validadores trocam votos diretamente entre si e os agregam em certificados, sem precisar gravar cada voto como uma transação on-chain. Segundo a Solana Foundation, um bloco pode ser finalizado em uma única rodada de votação se reunir pelo menos 80% do stake da rede concordando; caso contrário, uma segunda rodada com limiar de 60% decide a finalização. A rede continua funcionando mesmo com até 20% do stake agindo de forma maliciosa e outros 20% offline, segundo a fundação.
A transição não é instantânea: nos primeiros cerca de 18 minutos após o início da época 1064 (5 mil slots), o sistema antigo ainda roda em paralelo antes de o Votor assumir de fato o consenso, de acordo com a CoinDesk.
Por que o número de transações por segundo deve cair
Um efeito colateral importante, levantado pela Crowdfund Insider, é que o indicador de transações por segundo (TPS) exibido publicamente pela Solana deve cair de forma visível no dia da ativação, mesmo sem nenhuma queda real no uso da rede. Isso acontece porque os votos dos validadores, que hoje são contados como transações, deixam de aparecer nos blocos com o novo protocolo.
Em outras palavras, a métrica de TPS da Solana sempre incluiu um volume alto de "transações de voto" que não representam atividade de usuários. Com o Alpenglow, essas votações saem da contagem visível. O número de transações por segundo divulgado deve encolher de forma expressiva, enquanto a execução de transações de usuários reais permanece inalterada, conforme aponta a Crowdfund Insider.
O que muda para validadores e desenvolvedores
Operadores de validadores precisam rodar um cliente baseado em Agave (como Agave, Jito-Solana ou Harmonic Salsa) compilado na versão 4.3.0, informa a Solana Foundation. O software Firedancer e sua variante Frankendancer não têm suporte durante a migração, o que obriga operadores dessas versões a trocar temporariamente de cliente.
Também passa a existir uma taxa de admissão fixa, batizada de Validator Admission Ticket (VAT), de 0,8 SOL acima do mínimo isento de aluguel mantido na conta de voto, segundo a fundação. A CoinDesk observa que esse valor substitui um custo de votação que girava em torno de 1 SOL por época no modelo anterior.
Para quem desenvolve sobre a Solana, a execução de transações e a máquina virtual (SVM) não mudam. O que muda é a forma de consumir dados de blocos: como um slot agora pode conter múltiplos blocos candidatos, aplicações que leem dados diretamente da rede precisam passar a usar um identificador combinado de slot e "bank id" para evitar inconsistências, explica a Solana Foundation.
O que esperar depois de 21 de outubro
Se a migração seguir o cronograma, a Solana passa a operar com um dos tempos de finalidade mais baixos entre blockchains de grande escala, o que tende a reforçar o apelo da rede para exchanges, aplicações de pagamento e protocolos financeiros que dependem de confirmação rápida. O próximo passo já anunciado pela fundação é uma segunda fase do upgrade, batizada de Rotor, voltada a reduzir a latência na propagação de blocos entre validadores.
Para investidores, a atualização é técnica e não deve ser interpretada como recomendação de compra ou venda do token SOL; preço de criptoativos é volátil e qualquer decisão de investimento exige análise própria.
Fontes
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