Segunda-feira, 2 de novembro de 2026Inteligência artificial e tecnologia, todo dia
Cripto

Ledger e ex-CEO da Mt. Gox trocam farpas sobre aviso insuficiente em carteira cripto adulterada e perda de US$ 90 milhões

CEO da Ledger e Mark Karpelès trocam acusações sobre falha de aviso em carteiras hardware adulteradas; entenda o risco para quem guarda cripto.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Carteira de hardware cripto aberta sobre bancada com lupa revelando componente eletrônico extra soldado na placa
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

O CEO da Ledger, Pascal Gauthier, e o ex-CEO da Mt. Gox, Mark Karpelès, trocaram acusações públicas no X nesta semana sobre se a fabricante de carteiras hardware avisou os clientes de forma suficiente a respeito de dispositivos adulterados. O caso está ligado a perdas estimadas por Karpelès em mais de US$ 90 milhões em criptomoedas, segundo a TokenPost.

A discussão expõe um ponto sensível para quem guarda bitcoin e outras criptomoedas em carteira física: mesmo um aparelho original pode ser modificado por terceiros antes de chegar ao comprador, e o próprio sistema de verificação da Ledger admite não conseguir detectar esse tipo de fraude em todos os casos.

O que motivou a troca de acusações

Karpelès questionou publicamente se a Ledger havia sido clara o suficiente ao alertar seus clientes sobre o risco de dispositivos adulterados vendidos por canais não oficiais. Para o ex-executivo da Mt. Gox, uma comunicação mais direta da empresa poderia ter evitado parte das perdas atribuídas a esses golpes.

Gauthier rebateu de forma ríspida, questionando a legitimidade da crítica vinda justamente do ex-CEO da Mt. Gox, corretora japonesa que faliu em 2014 após o desaparecimento de centenas de milhares de bitcoins de clientes. Segundo a TokenPost, o CEO da Ledger publicou que Karpelès "is no white knight" ("não é nenhum herói", em tradução livre) para cobrar postura de transparência de outra empresa do setor.

Karpelès respondeu dizendo esperar que a Ledger "fosse melhor do que isso", mantendo a crítica sobre a insuficiência dos avisos aos usuários, de acordo com a TokenPost.

A falha técnica por trás da disputa

O gatilho da discussão foi a descoberta de um implante não autorizado em unidades genuínas da Ledger, um componente extra instalado fisicamente no hardware para capturar a frase de recuperação da carteira durante a configuração inicial. Quem tem acesso a essa frase pode esvaziar a carteira sem precisar da senha ou do próprio aparelho.

O problema é que o sistema de verificação de autenticidade da Ledger, chamado Genuine Check, confere se o chip de segurança (Secure Element) é original, mas não examina a placa inteira. Na prática, isso significa que um dispositivo pode passar a verificação como "genuíno" mesmo depois de receber um componente espião soldado, desde que o chip de segurança original não tenha sido trocado. A própria Ledger reconheceu essa limitação, informou a TokenPost, e atualizou suas orientações de compra em setembro para alertar os clientes sobre esse ponto cego.

Por que isso importa para quem guarda cripto no Brasil

O episódio reforça uma regra básica de segurança para quem usa carteira hardware para guardar bitcoin, ether ou outros ativos digitais: o risco não está só em golpes online, mas também na cadeia física de distribuição do aparelho.

Carteiras compradas de terceiros, em marketplaces, grupos de revenda ou com desconto fora do canal oficial do fabricante têm risco maior de adulteração física antes de chegar ao usuário. O selo de "verificado" de um aplicativo oficial, como mostra o caso da Ledger, não é garantia absoluta contra esse tipo de ataque, porque a verificação eletrônica tem limites técnicos reconhecidos pela própria fabricante.

A recomendação de segurança básica para quem usa carteira hardware é comprar diretamente do site do fabricante ou de revendedores oficiais listados por ele, conferir os lacres físicos da embalagem e, sobretudo, nunca digitar a frase de recuperação (seed phrase) em qualquer dispositivo, aplicativo ou site fora da tela do próprio hardware original. Qualquer pedido para "confirmar" ou "sincronizar" a seed phrase fora do fluxo oficial do fabricante é sinal de fraude.

O que esperar a partir daqui

A Ledger não detalhou publicamente, até o momento, um plano de substituição em massa dos dispositivos afetados nem um número oficial de usuários impactados, conforme apurado pela TokenPost. A expectativa do mercado é que fabricantes de carteiras hardware reforcem processos de verificação de integridade física, não apenas eletrônica, e ampliem a comunicação sobre canais seguros de compra.

Para o usuário brasileiro, o episódio funciona como lembrete prático: a segurança de uma carteira cripto depende tanto do software quanto da origem física do aparelho, e nenhuma delas deve ser dada como garantida sem conferência.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.

Fontes

Ledgercarteira hardwareMark KarpelèsMt. Goxsegurança cripto

Leia também