Ledger anuncia hardware wallet Atom de US$ 849 após hack em carteiras na Ásia
Ledger anuncia o Atom, hardware wallet de US$ 849 com proteção contra adulteração, dias após descoberta de implantes maliciosos na Ásia.

A Ledger, maior fabricante de hardware wallets do mundo, anunciou o Atom, novo dispositivo de US$ 849 com envio previsto para meados de 2027. O anúncio vem poucos dias depois da descoberta de implantes maliciosos em carteiras Ledger vendidas na Ásia, episódio que já levou uma grande rede de varejo europeia a retirar os produtos das lojas.
O caso expõe um ponto sensível para quem guarda criptomoedas em dispositivos físicos: mesmo um "cofre" desconectado da internet pode ser comprometido antes de chegar ao comprador, se alguém adulterar o hardware na cadeia de distribuição.
O que aconteceu com as carteiras adulteradas
Segundo a Cointelegraph, as carteiras comprometidas foram vendidas pela CryptoBilis, revendedora autorizada da Ledger na Ásia. De acordo com a CoinDesk, o distribuidor afetado era malaio e os prejuízos se concentraram no Sudeste Asiático, sem perdas relatadas na Europa.
A CoinDesk cita estimativas de pesquisadores on-chain de até US$ 93,2 milhões em perdas, afetando mais de 300 carteiras. O método relatado envolvia chips ocultos instalados nos dispositivos, capazes de interceptar as frases de recuperação de 24 palavras lendo os sinais exibidos nas telas das carteiras. A Tether, emissora do USDT, congelou US$ 10 milhões em tokens relacionados ao caso, segundo a CoinDesk.
A repercussão chegou ao varejo físico: a MediaMarktSaturn, controladora da rede europeia MediaMarkt, retirou carteiras Ledger de suas prateleiras e de sua loja on-line após relatos de adulteração, conforme reportagem da Cointelegraph. Em resposta ao episódio, a Ledger pediu a distribuidores do Sudeste Asiático e de Hong Kong que suspendessem vendas, passou a exigir que revendedores autorizados mantenham os dispositivos fora de vitrines e proibiu a revenda de unidades devolvidas.
Um porta-voz da Ledger disse à Cointelegraph que as novas proteções anti-adulteração do Atom "não foram uma resposta a incidentes isolados", sem detalhar o cronograma de desenvolvimento do recurso.
Como funciona o hardware wallet Atom
O Atom roda Android e separa os aplicativos do dia a dia, como WhatsApp, Instagram e TikTok, das operações sensíveis de gestão de criptoativos, que ficam isoladas em um modo protegido dedicado, apurou a CoinDesk. O dispositivo também integra um assistente de inteligência artificial chamado OpenClaw para aprovação de transações e mensagens criptografadas, segundo a CoinDesk.
Para evitar um novo caso como o da CryptoBilis, a Ledger equipou o Atom com um invólucro resistente a adulteração, sensores de detecção e uma bateria independente que mantém o sistema de monitoramento ativo mesmo quando o aparelho está desligado. O dispositivo também traz suporte a criptografia pós-quântica. A fabricação ocorre na fábrica da Ledger no Vietnã, conforme a CoinDesk.
A empresa pretende vender o Atom inicialmente apenas pelo próprio site, numa tentativa de reduzir o risco de adulteração por terceiros na cadeia de distribuição. Não haverá programa de troca para clientes atingidos pelo incidente da CryptoBilis, de acordo com a CoinDesk.
O que muda para quem guarda cripto no Brasil
A Ledger ainda não confirmou revendedores autorizados no Brasil para o Atom, e o preço de US$ 849 deve tornar o dispositivo um produto de nicho por aqui. Para quem já usa hardware wallets da marca, o episódio reforça um cuidado prático: comprar sempre diretamente no site oficial da Ledger ou em revendedores listados por ela, verificar o selo de integridade da embalagem e nunca inserir a frase de recuperação em um dispositivo que pareça ter sido aberto ou alterado antes do uso.
Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.
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