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JPMorgan diz que o risco do bitcoin é 3 vezes o das ações. Um estudo acadêmico calculou 76 vezes

JPMorgan aposta em 10% ao ano no bitcoin por 15 anos — mas estudo acadêmico calculou risco 76 vezes maior que ações

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Sala de análise financeira com monitores exibindo gráficos de retorno e volatilidade
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

O JPMorgan Asset Management colocou o bitcoin pela primeira vez no modelo oficial que usa para projetar retornos de longo prazo de mais de 200 classes de ativos. A conta: 10% ao ano, compostos, nos próximos 10 a 15 anos — acima de ações large-cap dos EUA (7,5%), ouro (5,5%) e REITs americanos (8,2%). O preço dessa aposta é uma volatilidade de 55% ao ano, cerca de três vezes a das ações. Um estudo acadêmico independente, porém, mediu um risco ainda mais extremo: 76 vezes o de um índice de ações tradicional. A diferença de régua importa para quem olha o bitcoin como ativo institucional, não apenas como aposta especulativa.

O que o JPMorgan projetou

A 31ª edição anual do relatório "Long-Term Capital Market Assumptions", divulgada em 19 de outubro de 2026 pelo JPMorgan Asset Management, integrou o bitcoin ao modelo de premissas de retorno de longo prazo pela primeira vez. O banco usa dados de mercado até 30 de setembro de 2026.

O retorno de 10% ao ano que o JPMorgan projeta é uma taxa composta. Convertido para retorno aritmético médio, sobe para 20,9% — a diferença existe porque a alta volatilidade reduz o crescimento cumulativo em relação à média simples. Para efeito de comparação, o banco projeta 7,5% ao ano para ações large-cap dos EUA, 7,7% para small-caps, 8,2% para REITs e 5,5% para o ouro.

A volatilidade anualizada estimada do bitcoin, 55%, é três vezes a das ações large-cap (18%) e do ouro (17,2%). Apesar de incluir o ativo no modelo de retornos, o JPMorgan não o integrou às matrizes de covariância principais usadas para otimizar carteiras — mantém uma matriz separada só para o bitcoin, citando correlações instáveis com ativos convencionais como motivo para não tratá-lo como peça padrão de alocação.

O que dizem os estudos

JPMorgan Asset Management (2026). Projeta retorno composto de 10% ao ano para o bitcoin em horizonte de 10 a 15 anos, com volatilidade anualizada de 55%, com base em dados até setembro de 2026 cobrindo mais de 200 classes de ativos. Limitação: é a premissa interna de um banco para planejamento de portfólio, não um estudo independente nem uma garantia de retorno — o próprio JPMorgan trata o número como estimativa para planejamento, não como previsão de preço, e mantém o bitcoin fora de seus modelos centrais de alocação.

Nuhiu, Aliu, Horák e Peci (SAGE Open, 2023). Mediram, com dados de 2016 a 2022 das 15 criptomoedas mais negociadas segundo o CoinMarketCap, que carteiras compostas só de criptomoedas apresentaram risco 76 vezes maior que o índice de ações britânico FTSE100. Limitação: a janela de dados cobre um ciclo específico de alta volatilidade do mercado cripto — incluindo o colapso de 2022 — e usa uma cesta de 15 ativos, não apenas bitcoin, o que pode inflar o risco medido em relação a uma carteira concentrada em bitcoin.

Os dois números — 3 vezes segundo o JPMorgan, 76 vezes segundo o estudo — não são incompatíveis: medem métricas diferentes (volatilidade futura projetada de um ativo único contra risco histórico de uma carteira diversificada). Mas ilustram como a régua de risco do bitcoin muda bastante conforme a metodologia e a amostra.

O contraponto: o mesmo banco que inclui, também isola

Incluir o bitcoin no modelo de retornos não significa que o JPMorgan o trate como ativo institucional pronto para alocação em carteiras diversificadas. A decisão de manter uma matriz de covariância separada só para o bitcoin é um sinal de cautela explícito: o banco reconhece potencial de retorno, mas não confia na estabilidade da correlação do ativo com ações, bônus e outras classes para colocá-lo no motor principal de otimização. É a diferença entre dizer "o ativo pode rentabilizar bem" e dizer "o ativo se comporta de forma previsível dentro de uma carteira".

O fluxo institucional já está em movimento

Enquanto o relatório circulava, o dinheiro institucional já mostrava direção. Os ETFs de bitcoin à vista captaram US$ 526,6 milhões em um único dia, segunda-feira, 19 de outubro de 2026 — a maior entrada diária desde 22 de setembro, segundo a BeInCrypto. No mesmo dia, os fundos de ether tiveram saída de US$ 103,28 milhões. A divergência sugere que o apetite institucional recente está mais concentrado em bitcoin, coincidindo com o dia em que o JPMorgan formalizou sua projeção.

O que observar

Três pontos merecem atenção nos próximos trimestres: se o JPMorgan eventualmente migra o bitcoin para suas matrizes de covariância principais (sinalizaria confiança maior na correlação do ativo); se os fluxos de ETFs à vista sustentam a tendência de captação positiva observada em outubro; e se novos estudos acadêmicos revisados por pares atualizam a medição de risco de carteiras cripto com dados pós-2022, período ainda não coberto pelo estudo da SAGE Open.

Nada neste texto é recomendação de compra, venda ou investimento em bitcoin, ether ou qualquer criptoativo. Projeções de retorno de longo prazo são premissas de planejamento, não previsões de preço, e carregam incerteza alta — a volatilidade de 55% ao ano estimada pelo próprio JPMorgan é evidência disso.

Fontes

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