Itaú primeiro a formalizar Bitcoin e Ethereum; o atalho da Resolução 520 que exchanges não têm
Itaú notificou o Banco Central em 28/10/2026 e virou o primeiro banco a formalizar cripto, usando o atalho regulatório que exchanges não têm.

O Itaú notificou o Banco Central em 28 de outubro de 2026, tornando-se o primeiro banco do Brasil a formalizar a venda de Bitcoin, Ethereum e outros criptoativos. Cumpriu a exigência dois dias antes do prazo de 30 de outubro.
O grande diferencial: o Itaú usou um atalho regulatório que exchanges não têm. Não é um serviço novo — opera com cripto desde dezembro de 2023. O que muda é o status regulatório: agora está formalmente enquadrado nas regras que o Banco Central desenhou para disciplinar o mercado de criptoativos.
O atalho da Resolução 520
A formalização usa a Resolução BCB nº 520, em vigor desde 2 de fevereiro de 2026. A norma dá 270 dias para que instituições financeiras já autorizadas pelo Banco Central — como bancos, corretoras de valores e instituições de pagamento — notifiquem a oferta de serviços de ativos virtuais.
É um caminho mais simples do que o exigido de exchanges dedicadas, os chamados Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs), que precisam passar por um processo completo de autorização junto ao BC. Como o Itaú já é supervisionado pelo Banco Central como banco, a resolução permite que ele apenas comunique a atividade, em vez de pedir uma licença do zero.
15 criptoativos com custódia própria
O Itaú oferece negociação de 15 criptoativos, incluindo Bitcoin, Ether e a stablecoin USDC, com custódia própria — sem depender de terceiros para guardar os ativos dos clientes, segundo a Crypto Briefing.
Enquanto o banco avança, a fila das exchanges trava
O contraste fica mais claro quando se olha para o outro lado do mercado. Até 18 de setembro de 2026, apenas cinco empresas haviam protocolado pedido formal de autorização como PSAV dedicado no Banco Central. Dessas, quatro ainda estavam em análise, e uma teve o pedido negado por documentação deficiente, segundo levantamento da Blue Consult.
Ou seja: exchanges que nasceram para operar com cripto enfrentam uma fila de autorização mais lenta e rigorosa do que o atalho usado por um banco que já tinha o carimbo do Banco Central para outras atividades. Isso inverte, na prática, a ordem de chegada que se esperaria em um mercado regulado — quem já estava dentro do sistema financeiro tradicional sai na frente.
O que muda em 6 de novembro
O Banco Central adiou para 6 de novembro de 2026 a data a partir da qual fica proibido operar com prestadores de ativos virtuais que não estejam autorizados ou notificados. A partir dessa data, operar sem status regularizado deixa de ser uma zona cinzenta.
Isso cria urgência para exchanges que ainda não protocolaram ou tiveram o pedido negado. Se não conseguirem estar no radar do BC até lá, correm o risco de sair do ar.
O que acompanhar
Para quem acompanha a institucionalização do cripto no Brasil, três pontos merecem atenção nas próximas semanas:
- Se outros grandes bancos (Bradesco, Banco do Brasil, Santander, BTG) seguem o mesmo caminho do Itaú e notificam o BC antes do prazo de 30 de outubro.
- Como evolui a fila de autorização das cinco PSAVs dedicadas após 6 de novembro, e se o número de pedidos aumenta sob pressão do novo prazo.
- Se o Banco Central publica dados consolidados sobre quantas instituições — bancos e exchanges — estão formalmente enquadradas na Resolução 520 até o fim de 2026.
Fontes
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