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USDC: Mizuho vê fuga de capital ante IA, mas transações na rede Base multiplicaram 92 mil vezes

Banco japonês corta preço da Circle temendo que agentes de IA redirecionem USDC para produtos com rendimento. Dados on-chain mostram uso transacional disparando 92 mil vezes.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Representação abstrata de fluxos de dados financeiros digitais convergindo e se bifurcando sobre um painel escuro
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A Mizuho Securities vê uma ameaça no horizonte: agentes de IA vão comparar automaticamente onde o dinheiro rende mais e sugerir que a Circle mude seu USDC para contas de poupança ou stablecoins com juros embutidos. Por isso cortou o preço-alvo da Circle de US$ 45 para US$ 43 mantendo recomendação de venda. Só que os dados on-chain contam outra história. Transações entre agentes de IA via USDC multiplicaram por 92 mil vezes em pouco mais de um ano, mostra a Chainalysis. As duas leituras não se cancelam — expõem uma tensão real que ainda não tem veredito e que interessa a quem acompanha onde IA e cripto se cruzam de verdade.

USDC e agentes de IA: a tensão entre especulação e uso real

A tese do banco: dinheiro parado vai procurar rendimento

A Circle depende quase inteiramente de um único motor: a receita de reserva, os juros que ganha investindo o dinheiro que respalda cada USDC emitido. No segundo trimestre de 2026, essa receita representou 95,2% do faturamento total da empresa, conforme o próprio balanço da Circle, citado pela nota da Mizuho. É uma concentração que deixa a empresa exposta a qualquer coisa que reduza o volume de USDC parado.

A Mizuho projeta exatamente isso. Agentes como o Muse vão comparar automaticamente rendimentos e sugerir migrações: de USDC parado para contas do FDIC, como a SoFi, ou para stablecoins com rendimento embutido. No cenário base, a receita de reserva cai 10% a 20%. Em adoção acelerada, o banco projeta migração de até US$ 9 bilhões (US$ 7 bilhões para fiat, US$ 2 bilhões para stablecoins com rendimento) e corte de 18% na receita.

Um detalhe reforça o argumento: apenas 17% do USDC em circulação fica na plataforma da Circle. Os outros 83% estão na Coinbase (30%) ou em terceiros (53%) — tudo potencialmente suscetível a um comando automático de agente de IA.

O que os dados on-chain mostram: uso disparando, não encolhendo

A Chainalysis mede outra coisa: transações reais, não simulações. Pagamentos entre agentes de IA via protocolo x402 na blockchain Base saltaram de cerca de 1.500 transações em meados de 2025 para 138 milhões no terceiro trimestre de 2026. Um salto de aproximadamente 92 mil vezes.

Mais de 87% desse volume fica entre um centésimo de centavo e 10 centavos de dólar — valores que redes de cartão tradicionais não conseguem processar de forma economicamente viável. Carteiras ligadas aos Estados Unidos concentraram 88,1% dos pagamentos ligados à inferência de modelos de IA. Separadamente, a própria Circle informou que 99,3% do volume do protocolo x402 no trimestre anterior foi liquidado em USDC.

Esses números vêm da própria rede Base registrando cada transação, não de comunicado da Circle. E apontam para algo que a Mizuho não previu: agentes de IA usando USDC como trilho de pagamento entre si, comprando dados, poder computacional e acesso a modelos.

Dinheiro parado não é dinheiro em movimento

A diferença entre as duas leituras está aí. A Mizuho mede USDC parado — poupança digital que um agente financeiro poderia mover para ganhar mais juros. A Chainalysis mede USDC em movimento, usado como meio de troca entre agentes.

Os dados da Circle sobre o primeiro semestre de 2026 reforçam esse segundo ângulo: processou mais de US$ 36 trilhões em volume on-chain, com receita de US$ 1,4 bilhão, 59% repassada a parceiros de distribuição, segundo o The Block. Nenhum desses números invalida a tese da Mizuho — só mostra que o uso transacional está crescendo ao mesmo tempo em que o banco projeta fuga do dinheiro parado. As duas coisas podem ser verdadeiras, e é aí que está o risco real: ninguém sabe qual efeito vai pesar mais na receita da Circle.

O que dizem as fontes

Mizuho Securities (nota de research, 2026): projeta queda de 10% a 20% na receita de reserva no médio prazo, com cenário acelerado de até US$ 9 bilhões saindo da capitalização do USDC. É um modelo de simulação sobre comportamento hipotético de agentes de IA, não um dado de uso observado. Vale notar que a Mizuho recomenda venda da ação, o que é um interesse comercial declarado na direção do papel.

Chainalysis (relatório "Inside North America's $3 Trillion Crypto Economy", outubro de 2026): mede transações reais e completas do protocolo x402 na rede Base, mostrando salto de ~1.500 para 138 milhões de pagamentos entre meados de 2025 e o terceiro trimestre de 2026. A limitação é de escopo: cobre só a Base e o x402, não o universo total de agentes, outras blockchains ou outras stablecoins. A maior parte das transações é de valor unitário muito baixo (menos de 10 centavos), o que mede frequência de uso, não necessariamente peso financeiro agregado.

O que observar

Acompanhe três sinais nos próximos meses: os próximos balanços trimestrais da Circle, para saber se a receita de reserva realmente começa a cair; se plataformas de agentes de IA (tipo Muse) lançam de fato recursos de "otimização de rendimento" que movam USDC para fora; e se a participação do USDC nos pagamentos via x402 segue perto de 99%, ou começa a perder espaço para concorrentes com rendimento embutido. Isso não é recomendação de compra ou venda de CRCL, USDC ou qualquer outro ativo — é uma tese em disputa entre um banco e os próprios dados da rede. O veredito ainda está em aberto.

Fontes

iacriptousdccircle

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