Circle vai levar o USDC a cerca de 40 mercados emergentes, com a América Latina no alvo
A Circle anunciou a entrada do USDC em cerca de 40 mercados emergentes, incluindo a América Latina, apoiada na compra da Tazapay por US$ 400 milhões e em aporte de US$ 100 milhões da Binance.

A Circle, emissora da stablecoin USDC, anunciou em 16 de outubro de 2026 que pretende entrar em cerca de 40 mercados emergentes e em desenvolvimento, com América Latina, Sudeste Asiático, África e Oriente Médio no alvo. O anúncio foi feito pelo CEO Jeremy Allaire durante as reuniões do FMI e do Banco Mundial, em Bangcoc, segundo o Crypto Briefing e a Reuters.
A investida mira justamente países onde a moeda local é volátil e o acesso a dólar é caro ou burocrático.
Por que a Circle quer levar o USDC a mercados emergentes
Porque, na tese da empresa, a demanda já existe. Segundo a Circle, pessoas e empresas nessas regiões vêm recorrendo a stablecoins para pagar, receber do exterior e manter saldo em dólar sem conta bancária fora do país. Em vez de criar o mercado, a emissora diz querer formalizar o que já acontece.
Allaire descreveu o momento como um ponto de inflexão, em que a tecnologia blockchain estaria saindo da fase de adotantes iniciais para a de "escala mainstream", de acordo com declarações reportadas pela Reuters. O executivo também citou como vetor de uso do USDC o crescimento de transações entre agentes de inteligência artificial, com pagamentos de frações de centavo.
Como a Circle vai bancar a expansão: Tazapay e Binance
A expansão vem amarrada a um acordo de US$ 400 milhões para a compra da Tazapay, empresa de pagamentos transfronteiriços sediada em Singapura. O fechamento está previsto para 2027 e depende de aprovação regulatória, informou o Crypto Briefing. A Tazapay entrega à Circle licenças e trilhos de pagamento já instalados em várias jurisdições asiáticas, o que encurta o caminho de entrada.
No lado do capital, a Binance investiu US$ 100 milhões em participação na Circle em setembro de 2026, dentro de um acordo comercial renovado de cinco anos voltado a ampliar a adoção do USDC, com foco declarado em mercados emergentes.
USDC segue em segundo lugar, atrás da Tether
O USDC tinha US$ 73,3 bilhões em circulação no segundo trimestre de 2026, alta de 19% em um ano. São cerca de 25% do mercado global de stablecoins, contra aproximadamente 60% da Tether, emissora do USDT, segundo os dados citados pela Reuters. A expansão é, portanto, também uma tentativa de encurtar essa distância em territórios onde a concorrente domina hoje.
Os números acima servem como contexto de mercado e não constituem recomendação de investimento.
Licença bancária e Genius Act como argumento de venda
A diferenciação que a Circle tenta vender é regulatória. A empresa obteve licença bancária federal nos Estados Unidos em julho de 2026, e o Genius Act americano, que cria um regime específico para stablecoins de pagamento, deve entrar em vigor em janeiro de 2027. Allaire chamou a data de divisor de águas, afirmando que o mundo passará a ter dólares digitais com amparo legal.
O que muda para o brasileiro
Na prática, a tendência é chegar mais trilhos de pagamento e remessa em dólar digital ao país, via corretoras, fintechs e provedores de pagamento internacional, com custo potencialmente menor em transferências e no recebimento de freelancers e exportadores de serviços.
O movimento, porém, encontra um ambiente regulatório já desenhado. O Banco Central publicou em 10 de novembro de 2025 as Resoluções BCB 519, 520 e 521, em vigor desde 2 de fevereiro de 2026, que trazem as prestadoras de serviços de ativos virtuais para dentro do mercado regulado e tratam operações com ativos virtuais referenciados em moeda estrangeira como câmbio, conforme a Agência Brasil. Ou seja: comprar, vender ou transferir USDC no Brasil passa pelas regras de câmbio, com exigência de autorização para quem presta o serviço.
A Circle não detalhou publicamente quais países da América Latina entram primeiro, nem cronograma por mercado. Até aqui, o que está confirmado é a intenção, o cheque pela Tazapay e o aporte da Binance. O teste real virá quando a empresa precisar obter autorizações locais, uma a uma, em dezenas de reguladores diferentes.
Fontes
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