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Ciência e Pesquisa

Google reduz em cerca de 40 vezes erro de etapa-chave da computação quântica no chip Willow

No processador Willow, o Google demonstrou o cultivo de estados mágicos com cerca de 40 vezes menos erros. Entenda o que o avanço muda, e o que não muda, para o Bitcoin e a criptografia.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Criostato dourado de computador quântico suspenso em sala limpa de laboratório
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

O Google Quantum AI afirma ter demonstrado em hardware real uma técnica que reduz em cerca de 40 vezes os erros de uma das etapas mais caras da computação quântica, na comparação com estados produzidos sem o processo. O experimento rodou no processador Willow, usou o chamado cultivo de estados mágicos e foi publicado na revista Science em 15 de outubro de 2026. O anúncio foi apresentado pela pesquisadora Emma Rosenfeld e pelo engenheiro de software quântico Craig Gidney, ambos do Google Quantum AI, no blog oficial da empresa.

O resultado interessa muito além do laboratório. É esse tipo de avanço que define quando, e se, máquinas quânticas vão chegar perto de ameaçar a criptografia que hoje protege carteiras de criptomoedas, sistemas bancários e comunicações na internet.

O que é o cultivo de estados mágicos na computação quântica

É uma forma mais barata de fabricar um insumo de que o computador quântico precisa para fazer contas realmente úteis. Máquinas quânticas já corrigem boa parte dos próprios erros, mas algumas operações essenciais dependem dos estados mágicos, e produzi-los com qualidade alta sempre foi o ponto caro da conta.

A técnica demonstrada pelo Google funciona como um filtro. Segundo a descrição da empresa, injeta-se um estado ruidoso em uma pequena região do chip e, em seguida, roda-se uma sequência de medições coordenadas para detectar erros e descartar as tentativas defeituosas. O que sobra é um estado muito mais puro. Nos testes, os estados produzidos, chamados T-states, alcançaram fidelidade lógica de 99,99%, recorde segundo o Google. Vale notar o custo do filtro: conforme o relato da CoinDesk, apenas cerca de 8% das tentativas de preparação passaram pela verificação.

A técnica vem da literatura da área e foi refinada em 2024 por Craig Gidney, Noah Shutty e Cody Jones. O que mudou agora é que ela saiu do papel e rodou em silício.

O ganho prático está no custo. Segundo o Google, algumas estimativas indicavam que até 95% da capacidade de um computador quântico poderia ter de ser dedicada à produção desses estados pelo método tradicional, a destilação. Um processo mais enxuto significa menos qubits gastos com manutenção e mais qubits sobrando para a conta que realmente importa.

Por que isso importa para o Bitcoin

Porque a produção de estados mágicos é justamente o gargalo que aparece nas estimativas de quebra de criptografia. Em março de 2026, o Google calculou que um computador quântico supercondutor com menos de 500 mil qubits físicos poderia, em tese, quebrar a criptografia de carteiras de Bitcoin e Ethereum, sob premissas específicas de hardware. Um dos ataques modelados duraria cerca de nove minutos depois da exposição da chave pública e exigiria aproximadamente 500 mil estados mágicos confiáveis por segundo.

Vale a ressalva, e ela é importante: a CoinDesk observa que a redução de 40 vezes não pode ser simplesmente multiplicada pelas estimativas de março, porque o estudo anterior já partia do pressuposto de produção eficiente de estados mágicos. O experimento valida parte dessa abordagem de engenharia, não corta o custo do ataque em outras 40 vezes. O próprio Google diz que ainda é preciso demonstrar a técnica em escala maior para que ela seja realista em computação quântica prática, e que restam "muitos desafios técnicos".

Quem está mais exposto

As moedas da era Satoshi seguem como o caso mais sensível, porque suas chaves públicas ficaram visíveis desde a mineração, nos primeiros anos da rede. E quem não tem as chaves originais também não consegue mover esses saldos para endereços com proteção mais moderna.

Movimentações de carteiras antigas voltaram a chamar atenção neste ano. Em 7 de outubro de 2026, 100,02 BTC parados desde julho de 2010 foram movimentados após 16 anos, cerca de US$ 8,5 milhões, segundo a CoinDesk. Em agosto, seis carteiras inativas desde o período de 2011 a 2014 transferiram 553,59 BTC, algo em torno de US$ 40 milhões na época. Os dados são de contexto de mercado e não constituem recomendação de investimento.

O que muda para o brasileiro

No curtíssimo prazo, nada muda no uso diário de banco, Pix ou corretora. Não existe hoje máquina quântica capaz de quebrar a criptografia em produção, e o próprio Google trata o cenário como projeção baseada em premissas.

No médio prazo, a leitura é outra. Avanços como este encurtam o prazo de planejamento de quem precisa migrar sistemas para criptografia resistente a computadores quânticos, transição que bancos, processadores de pagamento e grandes empresas de tecnologia já discutem. Em termos de boas práticas gerais de segurança, e não de orientação individual, os pontos mais citados por desenvolvedores são evitar a reutilização de endereços e manter fundos em carteiras cujo software siga recebendo atualizações.

O que esperar

O próximo marco a observar não é um novo recorde isolado de fidelidade, e sim o cultivo de estados mágicos em escala maior, integrado a um processador com mais qubits lógicos. Enquanto isso não acontecer, qualquer estimativa de data para a quebra de criptografia segue sendo cálculo de projeto, não cronograma.

Fontes

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