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Anúncios no ChatGPT podem ser segmentados por e-mail, telefone e tema do prompt, mostra investigação

Investigação da 404 Media mostra que anunciantes podem segmentar usuários do ChatGPT por e-mail, telefone e tema da conversa. O Brasil está no piloto de anúncios desde agosto.

Por Redação Ai Lucro · · 5 min de leitura
Celular sobre mesa de madeira exibindo conversa de chatbot com bloco patrocinado separado por linha cinza
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Qualquer anunciante pode comprar espaço dentro das conversas do ChatGPT e mirar grupos específicos a partir de endereço de e-mail, número de telefone ou de um identificador único do celular. A conclusão é de uma investigação publicada em 15 de outubro pela 404 Media. Segundo a reportagem, o anunciante também pode pedir que a peça apareça quando a conversa tratar de determinado tema — o que liga a exibição ao conteúdo do prompt que a pessoa acabou de escrever.

O caso interessa diretamente a quem usa o ChatGPT no Brasil: o país entrou no piloto de publicidade da ferramenta em 4 de agosto, como o oitavo mercado da fila, e está entre os três maiores do mundo em usuários ativos semanais, ao lado de Estados Unidos e Índia, de acordo com a CNN Brasil.

Como funciona a segmentação de anúncios no ChatGPT

Pelo que a 404 Media descreve, há dois caminhos.

O primeiro é o envio de listas de público. Conforme o relato reproduzido pelo site canadense MobileSyrup, os identificadores aceitos incluem e-mails e telefones em formato bruto, versões desses mesmos dados protegidas por hash e identificadores únicos de celulares Android — o código usado pelo sistema para fins de publicidade. Pelo que as reportagens descrevem, a OpenAI cruza a lista enviada com sua própria base de usuários.

O segundo são os chamados "context hints": descrições de temas ou palavras-chave que indicam em que tipo de conversa o anúncio deve aparecer. Segundo as reportagens, esses termos orientam o cruzamento feito pela OpenAI, e não funcionam como regra de correspondência exata. É essa opção que aproxima o sistema do que o usuário digita na hora. Para demonstrar o funcionamento, a 404 Media comprou dois anúncios no sistema self-service da própria OpenAI mirando pessoas que perguntavam ao ChatGPT sobre privacidade.

Os limites que a OpenAI declara

A empresa afirma que o sistema tem travas. A lista enviada pelo anunciante precisa ter mais de 25 mil usuários para que a segmentação seja ativada, e os dados de contato enviados são apagados depois de 24 horas. A OpenAI diz ainda que anunciantes recebem apenas métricas agregadas de desempenho da campanha, não o conteúdo das conversas.

Um detalhe apontado pelo MobileSyrup relativiza o controle que sobra para o usuário: ao desligar a "ads personalization", o próprio ChatGPT avisa que os anúncios ainda podem se basear na conversa atual. Desativar a personalização reduz o uso do histórico, mas não desliga o vínculo com o que está sendo digitado naquele momento.

A reportagem completa da 404 Media está atrás de assinatura; os números citados aqui aparecem na parte aberta do texto e na cobertura do MobileSyrup.

O que muda para quem usa o ChatGPT no Brasil

A publicidade no ChatGPT vale por aqui apenas para quem usa o plano gratuito e o plano Go, de R$ 39,99 por mês. Não aparece para assinantes Plus, Pro, Business, Enterprise e Edu, segundo a CNN Brasil. A OpenAI também afirma não exibir anúncios para usuários com menos de 18 anos, conforme as regras do piloto relatadas pelo BPMoney.

Na prática, o anúncio surge depois da resposta. Dave Dugan, head de soluções globais de anúncios da OpenAI, descreveu o formato ao Meio & Mensagem: o usuário recebe a resposta orgânica, aparece uma linha cinza e, abaixo dela, pode vir uma peça marcada como patrocinada. A empresa chama isso de independência da resposta. Ainda segundo o Meio & Mensagem, Dugan afirma que cerca de 20% das perguntas feitas ao ChatGPT têm intenção comercial direta, e é nesse recorte que a publicidade entra; temas pessoais e conselhos de relacionamento não acionam anúncios. Grupos como WPP, Publicis, Omnicom, Monks e BETC Havas participam do piloto.

A escala explica o interesse do mercado: o ChatGPT tem mais de 900 milhões de usuários no mundo, e menos de 3% deles mantêm assinatura paga, de acordo com a CNN Brasil.

LGPD: o que a lei brasileira exige

Usar e-mail e telefone para cruzar listas de público é, no Brasil, tratamento de dado pessoal — e a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) exige base legal, finalidade informada e direito de oposição do titular. O artigo 18 da lei prevê, entre outros pontos, que o titular pode pedir informação sobre as entidades com as quais seus dados foram compartilhados (inciso VII) e que pode se opor a tratamento feito com dispensa de consentimento quando houver descumprimento da lei (parágrafo 2º).

Esta seção traz informação geral sobre o texto da lei, não orientação jurídica para casos individuais.

Até a publicação desta matéria, não há manifestação pública da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) sobre o caso. Nada no material consultado indica infração reconhecida por autoridade ou tribunal: o que existe é a descrição técnica do sistema feita pela reportagem e as respostas públicas da OpenAI sobre retenção e agregação de dados.

O que acompanhar a partir de agora

Os testes de publicidade na plataforma começaram em fevereiro deste ano, segundo o BPMoney, e a OpenAI vem ampliando o piloto país por país desde então — o Brasil foi o oitavo mercado e foi tratado pela empresa como relevante para moldar o formato. Resta ver se a empresa vai detalhar publicamente as regras de uso dos identificadores de contato e se a ANPD vai pedir esclarecimentos.

Para quem não quer aparecer no inventário, as opções hoje são duas: revisar a configuração de personalização de anúncios nas preferências da conta — lembrando da ressalva sobre a conversa atual — ou assinar um plano a partir do Plus.

Fontes

chatgptopenaipublicidadeprivacidadelgpd

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