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Data center no espaço: SpaceX promete payback de 1 ano. A conta de um analista chega a um século

SpaceX promete retorno em 1 ano para data center orbital. A matemática de um analista usando dados do Google chega a um século — uma diferença que explica as dúvidas sobre a infraestrutura de IA em órbita.

Por Redação Ai Lucro · · 5 min de leitura
Estação de dados futurista orbitando a Terra com painéis solares conectados a servidores
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

O diretor financeiro da SpaceX disse a investidores, na teleconferência do terceiro trimestre, que a nova computação se paga em menos de um ano aos preços de aluguel atuais. É esse número que sustenta parte da fusão de US$ 1,25 trilhão entre SpaceX e xAI. Só que, usando o próprio dado do Google sobre o custo de construir data centers em órbita, o investidor Jim Chanos chegou a uma conta bem diferente: um payback de até um século.

A tese da SpaceX e da xAI é que colocar servidores de IA em órbita resolve, de uma vez, os dois maiores gargalos da infraestrutura de inteligência artificial na Terra: energia e espaço físico para licenciamento. O cálculo de Chanos, publicado no blog da TIKR, mostra por que essa conta pode não fechar tão rápido quanto Musk promete.

A fusão e a aposta de US$ 1,25 trilhão

Em 30 de janeiro de 2026, a SpaceX pediu à FCC, a agência reguladora de telecomunicações dos Estados Unidos, autorização para lançar até 1 milhão de satélites sob o nome SpaceX Orbital Data Center System, segundo a Data Center Dynamics. O pedido veio dias antes do anúncio da fusão com a xAI, avaliada em US$ 1,25 trilhão.

Jeff Bezos também entrou na corrida. Em março de 2026, a Blue Origin apresentou à FCC o projeto Sunrise, com 51.600 satélites de data center, apoiados pela futura constelação TeraWave. Questionado em maio sobre o prazo de 2 a 3 anos que Musk defende para a tecnologia se tornar competitiva, Bezos foi direto à CNBC: Alguns dos cronogramas que ouvimos são muito curtos. As pessoas falam em dois ou três anos. Isso é provavelmente um pouco ambicioso.

A conta que não fecha

A peça central da dúvida vem de dentro do próprio setor. Amanda Peterson Corio, chefe de energia de data centers do Google, afirmou em evento do setor que data centers no espaço podem custar até 100 vezes mais do que os da Terra, segundo a The Information.

Chanos pegou esse número e fez a conta: multiplicando por 100 o custo estimado de um gigawatt de capacidade na Terra, ele chega a US$ 5 trilhões por gigawatt em órbita. O problema é que o CFO da SpaceX fala em payback de menos de um ano usando os preços de aluguel atuais, os mesmos cobrados para capacidade terrestre. Se o custo de construção é 100 vezes maior mas o preço de venda é igual, o retorno do investimento não cai para menos de um ano: ele se estica para até um século, segundo o cálculo de Chanos.

O que dizem os estudos

Cálculo de Jim Chanos (TIKR Blog, 2026): o investidor, conhecido por posições contrárias a SpaceX e Tesla, partiu da estimativa de custo 100x do Google para projetar US$ 5 trilhões por gigawatt em órbita e comparar com o payback de menos de um ano alegado pela SpaceX. É um cálculo analítico feito a partir de dados de terceiros, não uma auditoria própria dos custos da SpaceX — que não divulga sua planilha de despesas. Chanos recomenda que investidores não deem nenhum valor à computação orbital até que a Starship mostre quanto custa, de fato, um gigawatt no espaço.

Declaração de Amanda Peterson Corio (Google / The Information, 2026): a executiva do Google, que também testa chips em órbita no Project Suncatcher, disse que a paridade de custo entre data centers espaciais e terrestres só seria viável se o custo de lançamento cair para US$ 200 por quilo ou menos — possivelmente só a partir de 2035, dependendo do avanço da Starship. É uma declaração pública em evento do setor, sem estudo quantitativo detalhado publicado, e vem de uma concorrente direta da SpaceX no mesmo mercado de infraestrutura de IA, o que pode pesar na escolha de ser cautelosa com os números de um rival.

O contra-argumento

A SpaceX e Musk têm uma resposta direta a essas contas: dizem que elas já estão superadas. O CFO da empresa mantém a estimativa de payback inferior a um ano aos preços de aluguel atuais, e Musk afirmou, em fevereiro de 2026, que os data centers orbitais serão mais baratos que os terrestres dentro de 2 a 3 anos, segundo a CNN. Se o custo de lançamento da Starship cair na velocidade que Musk projeta, tanto o cálculo de Chanos quanto a cautela do Google perdem força — a conta de US$ 5 trilhões por gigawatt depende do multiplicador de 100x se manter, e esse número é uma estimativa do Google, não um preço fechado de mercado.

O que acompanhar

Nenhum dos dois lados tem a palavra final porque a peça que faltava — o custo real de lançar e operar um gigawatt em órbita — ainda não existe fora de projeções. Três sinais vão indicar qual conta está certa:

  • Custo de lançamento da Starship. O limiar citado pelo Google é US$ 200 por quilo. Qualquer redução divulgada pela SpaceX nesse número muda a equação diretamente.
  • Primeiro gigawatt real em órbita. Enquanto a SpaceX não publicar custos auditados de uma operação orbital em escala, tanto o payback de menos de um ano quanto o de um século são projeções, não resultados.
  • Resposta da FCC aos pedidos de SpaceX e Blue Origin. A aprovação (ou rejeição parcial) das constelações de 1 milhão e 51.600 satélites vai definir o cronograma regulatório antes mesmo do cronograma técnico.

Esta análise não constitui recomendação de investimento.

Fontes

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