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Dívida de US$ 50 bi da CoreWeave derruba ação quase 25% e Nasdaq tem pior semana desde junho

Ação da CoreWeave caiu mais de 11% na sexta e quase 25% na semana em meio à desconfiança com a dívida de US$ 50 bilhões em data centers de IA. Nasdaq teve a pior semana desde junho.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Corredor de data center com fileiras de racks iluminadas por luz vermelha de alerta
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A ação da CoreWeave caiu mais de 11% na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, e fechou a semana com perda de quase 25%, a pior em mais de 11 meses, segundo a Reuters. No centro da queda está a dívida de US$ 50 bilhões que a empresa apoiada pela Nvidia contraiu para erguer data centers de inteligência artificial — e a desconfiança do mercado de crédito sobre a capacidade dela de pagar essa conta. O baque não ficou na companhia: o Nasdaq Composite recuou 2,14% no dia e cerca de 4,5% na semana, a pior desde junho, de acordo com a CNN Business.

Até aqui, a discussão sobre o boom de IA girava em torno de quanto as empresas iriam gastar. Nesta semana, o mercado passou a perguntar quem vai pagar — e a cobrar mais caro para financiar.

O que aconteceu com a dívida da CoreWeave

O alerta partiu do mercado de crédito, antes da bolsa. Segundo a Reuters, os títulos da empresa com vencimento em outubro de 2031 chegaram a superar 16% de rendimento na quinta-feira, patamar associado a papéis em dificuldade, e perderam cerca de 3 centavos por dólar na semana. O custo dos seguros contra calote, os CDS, passou de 1.000 pontos-base, recorde histórico para a companhia. Quanto mais alto o CDS, mais caro é se proteger de um não pagamento.

A CoreWeave é uma das chamadas "neoclouds": compra GPUs em massa e aluga capacidade de computação para quem treina modelos de IA. O modelo exige muito capital antes de qualquer receita, e a empresa bancou essa corrida com dívida.

A desvalorização vem de longe. Pela CNN Business, a ação está mais de 65% abaixo do pico alcançado pouco depois do IPO de março de 2025 e, só nesta semana, perdeu um quarto do valor.

O cenário macro apertou ainda mais. Dados de inflação acima do esperado aumentaram a expectativa de alta de juros, informou a Reuters, e juros maiores encarecem justamente o tipo de financiamento de que empresas de infraestrutura endividadas dependem.

"A tranche subprime da aposta em IA"

A frase mais citada da semana é de Gil Luria, chefe de pesquisa de tecnologia da D.A. Davidson. Em declaração à CNN Business, ele disse não estar claro que a CoreWeave terá retorno suficiente para quitar a dívida que tomou e classificou esse grupo de empresas como "a tranche subprime da aposta em IA", o que, na visão dele, explica por que são as primeiras a cair. É uma avaliação de analista, não um diagnóstico oficial de insolvência.

Há leitura oposta. A Evercore manteve a recomendação de desempenho acima da média e, conforme a Reuters, argumentou que o mercado pode estar tratando o rendimento mais alto dos títulos no mercado secundário como prova de que o modelo de negócio parou de funcionar — o que a casa não considera o caso.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou nesta semana que a força financeira da CoreWeave está "melhorando a cada dia", segundo a Reuters. O aval público não conteve a queda.

O contágio chegou a concorrentes e aos chips

O estrago se espalhou pelo setor. Ainda pela Reuters, a Nebius caiu 10%, e as operadoras de data centers Applied Digital e IREN recuaram 9% cada. O índice de semicondutores perdeu 3,8% na sexta — oitavo dia consecutivo de baixa — e 11,4% na semana, o pior desempenho semanal desde abril de 2025, conforme a CNN Business.

Fora dos Estados Unidos, o Kospi da Coreia do Sul caiu 14,5% na semana, a maior queda desde 2008. O índice de volatilidade VIX subiu mais de 20% na sexta e passou de 20 pontos, sinal de nervosismo elevado.

O que muda para o investidor brasileiro

O efeito aqui é indireto, mas existe. BDRs de empresas americanas e ETFs listados na B3 que replicam índices como o Nasdaq-100 acompanham os pregões de Nova York, e fundos multimercado com posição no setor também refletem a oscilação. Nada disso é recomendação de investimento.

O ponto prático é outro: boa parte do investimento global em data centers, inclusive projetos anunciados para o Brasil, depende de crédito barato. Se o custo de financiamento subir de forma duradoura, o ritmo de expansão pode desacelerar.

O que esperar

Três indicadores definem os próximos capítulos: os balanços das neoclouds, os contratos de longo prazo que sustentam a receita dessas empresas e a trajetória dos juros nos Estados Unidos. Enquanto os rendimentos dos títulos seguirem em nível de estresse, o setor tende a operar com volatilidade alta.

Fontes

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