Trump troca 'Artificial Intelligence' por 'Super Intelligence' nos EUA — e quer levar isso à lei em 60 dias
Trump ordena renomear IA para 'Super Intelligence' em comunicações federais. Mas a lei continua como está — por enquanto.

O presidente Donald Trump assinou, em 29 de setembro de 2026, uma ordem executiva que obriga o Poder Executivo americano a substituir os termos "AI" e "Artificial Intelligence" por "Super Intelligence" (SI) em comunicações oficiais, sites e relatórios. A medida tem prazo: 60 dias para que um assistente presidencial proponha uma definição federal e linguagem legislativa que leve o novo termo para dentro da lei — não apenas dos documentos do governo.
O detalhe que importa: enquanto a comunicação federal passa a usar "Super Intelligence" a partir de agora, as leis americanas continuam dizendo "IA". É, por ora, questão de linguagem. Mas se a proposta legislativa avançar, o termo pode virar obrigatório também na lei.
O que a ordem determina
De acordo com o fact sheet divulgado pela Casa Branca, a troca de vocabulário vale para documentos não estatutários: sites, relatórios e comunicações do Executivo federal. A Casa Branca argumenta que "Super Intelligence" reflete melhor "as verdadeiras capacidades" da tecnologia atual do que o termo usado até então.
A ordem batizada "Inaugurating The Era of Super Intelligence" dá ao assistente do presidente para ciência e tecnologia um prazo de 60 dias para propor uma definição federal oficial de "Super Intelligence" e sugerir linguagem legislativa que a incorpore à lei — não apenas à comunicação do governo.
Até lá, a ordem recorre à definição estatutária de IA já consolidada na Seção 9401(3) do Título 15 do Código dos Estados Unidos.
O documento cita dois antecedentes como base: a Genesis Mission, iniciativa de mais de US$ 5 bilhões para acelerar avanços em ciência, medicina, energia e manufatura, e o National Super Intelligence Policy Framework, framework de política divulgado em março de 2026.
O que não muda
A análise jurídica da IAPP (International Association of Privacy Professionals) é direta: "a mudança imediata é linguística, não uma reescrita completa das leis americanas sobre IA". Na prática:
- Leis federais e estaduais em vigor continuam usando "IA" normalmente.
- Contratos já assinados e documentos históricos não precisam ser reescritos.
- Regulamentações existentes sobre inteligência artificial seguem válidas como estão.
A ordem não cria nenhuma obrigação jurídica nova nem redefine a tecnologia em texto de lei — é, segundo a própria Casa Branca, uma questão de comunicação. Por ora.
O risco prático: dois vocabulários para a mesma coisa
Enquanto o governo federal passa a usar "SI" em seus materiais, frameworks de governança corporativa, políticas internas de empresas e questionários de fornecedores continuam usando "IA" — criando dois vocabulários jurídicos para descrever, muitas vezes, os mesmos sistemas.
O governo não detalhou como o cumprimento será fiscalizado nem previu penalidade para agências que mantiverem "IA" em comunicações.
Por que isso importa fora dos EUA
Para quem acompanha regulação de tecnologia, o caso é menos sobre semântica e mais sobre precedente. Empresas e órgãos que lidam com contratos, licitações ou comunicação com o governo americano agora precisam navegar dois vocabulários — um que vale para o texto da lei, outro para a comunicação oficial.
Se a proposta legislativa que deve sair dentro de 60 dias avançar no Congresso, o termo "Super Intelligence" pode deixar de ser escolha de comunicação e passar a aparecer em texto de lei. Isso tende a influenciar como outros países, incluindo o Brasil, nomeiam a tecnologia em futuros marcos regulatórios — mesmo que, por ora, nenhuma lei brasileira precise mudar uma vírgula.
Fontes
Leia também

xAI tentou passar 35 turbinas a gás como "portáteis" para escapar de regulação. Juíza viu o golpe

Rússia libera Bitcoin na bolsa oficial enquanto evasão de sanções em cripto cresce 694%

Startup indiana sem receita busca US$ 3 bilhões em dívida para comprar 29 mil chips Nvidia
