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TPU do Google vai para a Oracle: primeira tentativa de furar o monopólio de 86% da Nvidia

Google vende TPU para a Oracle a partir de 2027: seu primeiro ataque frontal ao domínio de 86% da Nvidia no mercado de chips de IA.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Chip de inteligência artificial estilizado sendo transferido entre dois ambientes de data center
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Desde 2013, o Google desenvolve suas TPUs (Tensor Processing Units), os chips que treinam e fazem inferência para seus próprios modelos de IA. Em 13 anos, nunca os vendeu fora da própria nuvem. Isso muda em 2027: a Oracle, concorrente direta do Google Cloud, vai oferecer TPUs dentro da própria infraestrutura, a Oracle Cloud Infrastructure (OCI).

O anúncio foi feito em 27 de outubro de 2026, na Oracle AI World, em Las Vegas, conforme o blog oficial do Google Cloud. É a primeira vez que a OCI, uma nuvem rival, oferece TPUs — e o movimento mais agressivo do Google até agora para furar o domínio da Nvidia no mercado de chips de IA.

O que foi anunciado

Representantes de topo da OCI e do Google Cloud confirmaram a parceria de longo prazo com capacidade de múltiplos gigawatts, com deployment iniciando em 2027 e expandindo ao longo de vários anos. A geração mais recente do chip, a TPU 8ª geração, chega em duas versões: 8t, para treinamento com até 12,6 petaflops de computação em FP4, e 8i, para inferência. Um superpod reúne 9.600 chips, e a rede de interconexão Virgo conecta até 134 mil chips TPU 8t simultaneamente, mantendo 97% de "goodput" (eficiência útil) mesmo em larga escala, segundo o Google Cloud.

Mahesh Thiagarajan, da OCI, explicou a lógica: "cargas de trabalho de IA diferentes têm necessidades de computação diferentes. Trazer as TPUs do Google para a OCI dá aos clientes acesso a múltiplas arquiteturas de computação de IA líderes em uma única nuvem." Amin Vahdat, do Google, reforçou que "a próxima geração de IA vai exigir uma gama diversa de computação."

Por que o Google está abrindo o cofre agora

Um número explica tudo: 86,4%. É a participação de mercado da Nvidia em chips de IA para data center, segundo dados da Gartner no relatório AI Chip Market Statistics 2026 da Jon Peddie Research. Nenhum concorrente isolado — TPU, Trainium da AWS ou MTIA da Meta — se aproxima. Coletivamente, chips customizados dos próprios hyperscalers respondem por 22% das cargas internas, mas sem quebra de participação individual.

Vender a TPU fora de casa é a aposta do Google para transformar seu chip de ferramenta interna em concorrente real contra a Nvidia — e monetizar um ativo que, até aqui, apenas sustentava sua própria operação. Analistas do TD Cowen projetam receita de TPU de US$ 9,4 bilhões no segundo semestre de 2026, saltando para US$ 62,5 bilhões em 2027, segundo a KuCoin News.

O investimento por trás disso é gigantesco. A Alphabet registrou capex de US$ 51,36 bilhões no terceiro trimestre de 2026 — mais do que o dobro do mesmo período de 2025 — e mantém guidance anual entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões, com expectativa de aumento substancial em 2027. É esse volume de capital que financia a expansão de produção de TPUs para abastecer um cliente externo pela primeira vez.

O que isso significa para quem acompanha a disputa por chips

Para o pesquisador que monitora a corrida por capacidade computacional, o acordo Google-Oracle marca uma virada de estratégia: em vez de competir só pela nuvem em si, o Google agora compete também pelo hardware que outras nuvens — inclusive rivais — usam para treinar e rodar IA. É um movimento análogo ao que levou a Nvidia a dominar: vender o chip para todo mundo, não só usar internamente.

Mas o domínio da Nvidia não repousa só no silício. Repousa no CUDA, o ecossistema de software que mantém desenvolvedores presos à plataforma. Abrir a TPU para a Oracle não resolve essa barreira de troca automaticamente.

O contraponto

Mesmo com a expansão via Oracle, o Google Cloud segue como a terceira maior nuvem do mundo em receita, atrás da AWS e da Azure, que cresceu 48% no mesmo trimestre. Porém, o Google Cloud subiu 103% no terceiro trimestre de 2026, para US$ 30,71 bilhões — o ritmo mais rápido já registrado pela unidade. Abrir as TPUs para um rival direto no mercado de nuvem expande o alcance do chip, mas não garante que o Google supere o ecossistema que ainda mantém desenvolvedores amarrados à Nvidia.

O que observar

Três sinais vão mostrar se a aposta funciona: (1) se outros hyperscalers além da Oracle anunciarem acordos semelhantes; (2) se a receita de TPU da Alphabet se aproximar das projeções do TD Cowen ao longo de 2027; (3) se a participação da Nvidia nos seus 86% do mercado começar a recuar nos próximos relatórios da Gartner e da Jon Peddie Research.

Fontes

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