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A rede elétrica é o novo gargalo da IA: IEA mapeia 134 políticas que decidem quem escala

Relatório encomendado pela presidência francesa do G7 mapeia 134 regulações sobre energia em 34 países e mostra por que o estrangulamento deixou de ser o chip.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Torres de transmissão de energia elétrica ao lado de um complexo de data center ao entardecer
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A corrida global pela inteligência artificial deixou de ser decidida na fábrica de chips. Segundo relatório que a Agência Internacional de Energia (IEA) publicou em 14 de outubro de 2026 a pedido da presidência francesa do G7, o fator que vai limitar quem consegue escalar IA entre 2026 e 2030 é a capacidade de conectar e abastecer data centers de eletricidade.

O gargalo mudou de lugar

O relatório "Powering Artificial Intelligence" mapeou 34 jurisdições que juntas respondem por 90% da capacidade global de data centers e encontrou 134 políticas e regulações voltadas à integração desses centros à rede elétrica. O detalhe que marca a urgência: quase 40% dessas regulações foram anunciadas ou entraram em vigor nos 12 meses anteriores à publicação.

Isso significa que o arcabouço regulatório que vai decidir onde a próxima onda de data centers de IA pode ser construída está sendo escrito neste momento. Países como Coreia do Sul, Espanha e Itália, entre outras jurisdições mapeadas pela IEA, disputam espaço na rede elétrica ao lado de Estados Unidos e China — competição por capacidade de conexão, não apenas por capacidade de computação.

O volume de dinheiro em jogo explica a pressa. Segundo a IEA, o capex de hyperscalers em data centers deve superar US$ 700 bilhões em 2026. Esse dinheiro só se traduz em capacidade útil se houver eletricidade disponível e rede capaz de escoá-la.

Os números por trás do estrangulamento

O consumo de eletricidade de data centers deve dobrar de 485 terawatt-hora (TWh) em 2025 para 950 TWh em 2030, segundo a IEA, o equivalente a cerca de 3% da demanda elétrica global. Dentro desse total, o consumo específico de data centers voltados a IA deve triplicar no período. Nos Estados Unidos, a agência projeta que data centers vão responder por quase metade de todo o crescimento da demanda elétrica até 2030.

O relatório também traz um custo ambiental que costuma ficar fora do debate sobre chips: cerca de 34% da capacidade identificada de data centers de IA está em áreas de estresse hídrico alto ou extremo, usadas para resfriamento. As emissões de CO2 ligadas a data centers, hoje estimadas em 150 milhões de toneladas por ano, podem chegar a 350 milhões de toneladas até 2035 no cenário central da IEA.

O que dizem os estudos

"Powering Artificial Intelligence: Strategies for Integrating Data Centres into Electricity Systems" — Agência Internacional de Energia, a pedido da presidência francesa do G7, 2026. Relatório de dados oficiais (não é artigo revisado por pares) que mapeou políticas, regulação e estratégia corporativa em 34 jurisdições responsáveis por 90% da capacidade mundial de data centers, encontrando 134 políticas sobre integração à rede elétrica, quase 40% criadas no último ano, e projetando emissões de até 350 milhões de toneladas de CO2 por ano até 2035. Limitação: por ser produzido por uma agência intergovernamental, reflete também as prioridades políticas de quem encomendou o estudo, e projeções de longo prazo dependem do ritmo real de investimento.

"Data centre electricity use surged in 2025" — IEA, 2026. Nota de dados oficiais com modelagem de demanda elétrica global baseada no pipeline de projetos de data center e na capacidade instalada por país, projetando a duplicação do consumo elétrico de data centers de 485 TWh (2025) para 950 TWh (2030). Limitação reconhecida pela própria IEA: é o cenário central, e gargalos de cadeia de suprimentos, como turbinas a gás e transformadores, tornam cenários mais agressivos de crescimento menos prováveis.

O outro lado

A própria IEA faz a ressalva que funciona como contraponto à narrativa de crise energética iminente: os gargalos de cadeia de suprimentos para turbinas a gás, transformadores e componentes de TI estão reduzindo a probabilidade dos cenários mais agressivos de crescimento de demanda. A agência nota ainda que a projeção central de 2026 não acelerou em relação ao relatório equivalente de 2025. Em outras palavras, o próprio estrangulamento de energia pode estar funcionando como um freio natural à expansão da IA, moderando o ritmo em vez de produzir um colapso.

O que observar

Para quem acompanha a disputa por infraestrutura de IA, o indicador a monitorar não é mais apenas o lançamento de um novo chip ou cluster, mas o calendário regulatório elétrico de cada país: licenças de conexão à rede, leilões de capacidade e acordos de prioridade de fornecimento para data centers. Vale acompanhar também os relatórios trimestrais de capex dos hyperscalers frente à meta de US$ 700 bilhões para 2026, e os próprios updates da IEA sobre o ritmo de turbinas a gás e transformadores, já que é esse hardware de energia, não o de IA, que a agência aponta como o verdadeiro fator limitante da década.

Fontes

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