FERC bloqueia cobrança de data centers de IA; consumidores já pagaram US$ 29,4 bi
Regulador rejeitou plano da PJM que faria data centers pagar sua energia. Consumidores já absorveram US$ 29,4 bi em custos não cobrados.

A FERC rejeitou, em 9 de outubro, o plano da PJM para cobrar dos data centers de IA sua própria energia. Sem uma regra federal, o custo elétrico continua socializado entre todos os consumidores da rede — uma conta que já passou de US$ 29,4 bilhões.
A decisão importa a quem acompanha a corrida de infraestrutura da IA: por enquanto, os consumidores comuns da região PJM (13 estados do Atlântico Médio e Centro-Oeste, mais Distrito de Columbia) subsidiam a expansão elétrica dos data centers.
O que a FERC aceitou e o que rejeitou
O plano da PJM tinha três componentes. A FERC descartou o essencial: a opção "bring your own new capacity" (BYONC), que obrigaria data centers a trazer sua própria geração de energia ou aceitar ser cortados primeiro em caso de emergência na rede.
Segundo o site especializado mgrid.org, a comissão manteve apenas dois itens menores: a definição de "grande carga" (50 megawatts ou mais em um único local) e um registro que rastreia localização, cronograma de rampa e contratos de capacidade de cada instalação. Essas provisões entraram em vigor em 12 de outubro.
O argumento da FERC não foi que data centers devem pagar menos. A comissão entendeu que o plano invadia a jurisdição dos estados sobre consumidores de varejo e era potencialmente discriminatório ao isolar uma categoria de cliente para corte prioritário. A disputa que a FERC resolveu foi sobre quem tem autoridade — não sobre o mérito de cobrar.
Quem está pagando, em números
Enquanto reguladores decidem, o custo já está nas contas. Segundo análise da Monitoring Analytics (monitor independente da PJM), encargos atribuíveis a data centers somaram US$ 29,4 bilhões nos últimos quatro leilões de capacidade, equivalente a 46% dos US$ 63,6 bilhões em encargos totais do período.
No leilão mais recente, a proporção foi menor, mas ainda substancial: US$ 6,3 bilhões dos US$ 16,4 bilhões em encargos vieram de data centers — cerca de 38%. A PJM planeja apresentar aos reguladores uma proposta revisada até o final de outubro de 2026.
Ressalva metodológica: os dados cobrem apenas a região PJM, a maior operadora de rede do país, mas não a única. A categoria "data centers" agrega instalações de portes e usos diferentes, nem todas necessariamente ligadas a treinamento ou inferência de IA.
A bola agora está com os estados
A rejeição da FERC transfere para legislaturas estaduais a responsabilidade de decidir quem financia a infraestrutura elétrica dos data centers. Para a Citizens Utility Board, organização de defesa do consumidor, isso tornou urgente a aprovação do POWER Act em Illinois e de legislações equivalentes em outros estados.
É nesse nível que o pesquisador de geopolítica da tecnologia deve acompanhar: sem regra federal unificada, a disputa sobre quem paga vira colcha de retalhos estado por estado. Cada legislatura decidirá separadamente se cobra tarifas específicas de data centers, exige geração própria ou segue socializando o custo.
O que observar a partir de agora
A proposta revisada que a PJM promete até o fim de outubro é o próximo marco. Vale monitorar também o avanço de legislações estaduais como o POWER Act em Illinois e decisões equivalentes em outros estados da cobertura PJM — é nesse nível que a disputa sobre custo elétrico da IA deve se decidir nos próximos meses.
Fontes
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