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Em quatro anos de embargo, a Nvidia caiu de 55% para 34% do mercado chinês de IA. Quem ganhou? A Huawei

Embargo americano de chips desacelerou a Nvidia na China em quatro anos. Huawei sobe para 28%, e China já treina IA em silício próprio.

Por Redação Ai Lucro · · 3 min de leitura
Linha de produção de semicondutores em fábrica, com wafers de silício e braços robóticos em ambiente limpo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Em 2022, os Estados Unidos cortaram o acesso da China aos chips de IA mais avançados do mundo. Quatro anos depois, a Nvidia perdeu quase um terço do mercado chinês de aceleradores de IA para a Huawei, e uma empresa de entregas chinesa treinou um modelo de 1,6 trilhão de parâmetros sem usar um único chip americano.

A tese da Redação Ai Lucro: o embargo não travou a China. Ele acelerou a construção de uma cadeia de semicondutores nacional que hoje disputa espaço com a própria Nvidia dentro do mercado chinês, mesmo que ainda não compita globalmente.

O que mudou no mercado de chips chinês

Os números falam sozinhos. Segundo dados da IDC, a participação da Nvidia no mercado chinês de aceleradores de IA caiu de cerca de 55% (participação anual estimada em 2025) para 34% no primeiro semestre de 2026—uma queda de 678 mil unidades embarcadas e de 44% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No mesmo intervalo, a Huawei subiu para 28% de participação, com 572 mil unidades enviadas: quase o dobro das mais de 300 mil do ano anterior. O mercado total de aceleradores de IA na China somou 2,008 milhões de unidades no primeiro semestre, mostrando que o bolo cresceu para ambas.

A estratégia chinesa vai além dos números de curto prazo. A Huawei revelou um roteiro próprio batizado de "Tau Scaling Law", com meta de alcançar densidade de transistores equivalente a 1,4 nanômetros até 2031. Desde 2023, a empresa já enviou mais de 100 milhões de dispositivos com processadores Kirin desenvolvidos internamente—um sinal de que a cadeia doméstica está operacional, não apenas em planejamento.

Em junho de 2026, a chinesa Meituan (conhecida por entregas e serviços locais) anunciou ter treinado um modelo de IA de 1,6 trilhão de parâmetros inteiramente em chips domésticos, sem depender de hardware americano. O anúncio foi simbólico: prova que a autossuficiência técnica deixou de ser aspiração e virou realidade, pelo menos para gigantes domésticas.

O que dizem os estudos

IDC (citada por Fortune e Benzinga via Reuters, 2026): Levantamento de embarques de aceleradores de IA para data center na China no primeiro semestre de 2026. Aponta queda da Nvidia para 34% e alta da Huawei para 28%. A limitação importante: é um dado de embarques (shipments), não de uso efetivo dos chips, e cobre apenas um semestre—relatórios trimestrais futuros da própria IDC podem confirmar ou revisar a tendência.

Rakesh Kumar, professor de engenharia elétrica e de computação da University of Illinois Urbana-Champaign e autor de "Chip Age: How Semiconductors Became the World's Most Powerful Resource" (2026): Em entrevista à Fortune, Kumar argumenta que os controles de exportação de 2022 tiveram "o efeito oposto" ao pretendido, forçando a China a investir pesado para montar seu próprio ecossistema. Já em setembro de 2022, antes dos controles entrarem em vigor, Kumar havia escrito na própria Fortune que a estratégia não funcionaria. É a análise qualitativa de um especialista reconhecido em seminários e mídia, não um estudo peer-reviewed com dados próprios.

O contra-argumento

Kumar reconhece o limite da tese: apesar dos avanços em Kirin, Tau Scaling Law e do treinamento doméstico de modelos como o da Meituan, as empresas chinesas provavelmente ainda não conseguem competir comercialmente em escala global. Para servir modelos de IA fora da China, elas continuam dependendo de infraestrutura americana.

Ou seja, a autossuficiência chinesa parece real dentro de casa, mas ainda não se traduz em poder de competição internacional equivalente ao da Nvidia. É a diferença entre ser autossuficiente e ser uma potência de exportação.

O que observar

Para quem acompanha a corrida tecnológica entre EUA e China, os sinais a monitorar nos próximos relatórios trimestrais da IDC e outras consultorias são:

  • Se a participação da Huawei no mercado doméstico chinês continua subindo ou estabiliza
  • Se outras empresas chinesas além da Meituan anunciam modelos de grande escala treinados só em silício nacional
  • Se a cadeia chinesa de chips consegue, em algum momento, atender clientes fora da China

Esse último ponto é o que vai definir, segundo a própria análise de Kumar, se o embargo americano apenas adiou o problema ou o transformou em algo maior.

Fontes

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