Dados transmitidos sem criptografia: EUA bane DeepSeek de todas as agências civis federais
EUA bane inteligência artificial chinesa de agências civis federais após descobrir transmissão de dados sem proteção para China — ordem obriga remoção imediata.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) publicou nesta terça-feira (20) uma ordem que obriga todas as agências civis do governo federal a excluir imediatamente o DeepSeek, aplicativo de inteligência artificial desenvolvido na China, de seus sistemas de TI. A razão: descoberta de que dados coletados nos EUA eram transmitidos para servidores na China sem criptografia, além de vínculo confirmado com a ByteDance, dona do TikTok.
O que foi descoberto
A ordem repousa em uma análise forense do aplicativo DeepSeek para iOS feita pela empresa de segurança NowSecure em fevereiro de 2025. O relatório identificou transmissões de dados sem criptografia, uso de algoritmos de criptografia fracos, armazenamento local inseguro e risco de rastreamento de usuários por fingerprinting. Os pesquisadores também constataram compartilhamento de dados com a ByteDance.
O DHS justificou a proibição citando o risco de que informações coletadas e armazenadas nos Estados Unidos por produtos DeepSeek sejam transmitidas a servidores na China, onde ficariam sujeitas à legislação chinesa de acesso a dados por autoridades locais. Agências que dependem do DeepSeek para alguma função específica podem pedir exceção em até 60 dias, pedido que será avaliado pela CISA, agência de cibersegurança do governo americano.
Precedentes e pressão internacional
A proibição desta semana não é a primeira medida dos Estados Unidos contra a DeepSeek. Em dezembro de 2025, uma lei já havia restringido o uso da empresa chinesa em sistemas de segurança nacional e de inteligência americanos. Em setembro de 2026, um relatório do governo dos EUA acusou a DeepSeek e outras cinco empresas chinesas de inteligência artificial de usar "destilação de modelos em larga escala" para extrair informações de sistemas de IA americanos, prática sobre a qual OpenAI e Anthropic também levantaram preocupações públicas.
A Alemanha também pediu à Google e à Apple que removessem o aplicativo DeepSeek das lojas de aplicativos, mostrando que a pressão sobre a empresa chinesa não parte exclusivamente de Washington.
Posição de Pequim
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, criticou a ordem, afirmando que Pequim se opõe ao que chamou de tentativa dos Estados Unidos de "estender excessivamente o conceito de segurança nacional" e prometeu "defender resolutamente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas."
O que isso sinaliza para a disputa tecnológica entre potências
A ordem do DHS mostra que Washington trata modelos de IA chineses como risco de segurança nacional, não apenas como concorrência comercial. A base legal da exclusão é a mesma usada em bans anteriores contra fornecedores como Kaspersky, Huawei e ZTE, o que indica que o governo americano está classificando a DeepSeek na mesma categoria de risco de cadeia de suprimentos.
O episódio é indicador importante para quem pesquisa a disputa de tecnologia entre EUA e China: mostra que medidas de exclusão de modelos de IA chineses em infraestrutura pública podem se espalhar para outros países alinhados com segurança americana, e que o critério de corte não é mais o desempenho do modelo, mas a cadeia de dados por trás dele. Vale acompanhar se a União Europeia e outros aliados dos EUA adotam medidas semelhantes nos próximos meses, e se o Brasil enfrenta pressão equivalente sobre o uso de modelos chineses em órgãos públicos.
Fontes
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