Sábado, 17 de outubro de 2026Inteligência artificial e tecnologia, todo dia
IA no Dia a Dia

Deepfakes somam 554 casos no 1º turno das eleições, aponta levantamento da Lupa e Unicamp

Projeto VigIA confirmou 920 peças feitas com IA no primeiro turno, 554 delas deepfakes, e metade sem o aviso obrigatório. Veja como identificar vídeos falsos.

Por Redação Ai Lucro · · 3 min de leitura
Pessoa observando um vídeo no celular com o rosto parcialmente distorcido em uma sala escura
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Um levantamento do projeto VigIA, da agência de checagem Lupa em parceria com o Laboratório de Inteligência Artificial da Unicamp, confirmou 920 peças produzidas com inteligência artificial nas eleições deste ano. Dessas, 554 eram deepfakes, ou seja, vídeos, áudios e imagens que simulam falas e atitudes de pessoas reais. O relatório foi divulgado em 1º de outubro e cobre o período de 16 de agosto a 28 de setembro, o primeiro turno.

Os números do primeiro turno

Os pesquisadores coletaram 1.941 postagens suspeitas e usaram programas de detecção e checagem humana para confirmar o uso de IA. As deepfakes representam cerca de 60% das peças confirmadas.

Só 371 das 920 peças traziam a rotulagem obrigatória que avisa que o conteúdo foi gerado ou alterado por IA. As outras 549 estavam em situação irregular, incluindo 75 publicadas por partidos e candidatos.

Quem mais produz esse material, de acordo com a reportagem do Terra, são pessoas comuns e perfis sem identificação: 525 das 554 deepfakes vieram deles, e 29 de perfis mantidos por partidos ou candidatos. A promoção de candidaturas motivou 45% das publicações confirmadas, e o restante se dividiu entre ataques a adversários e sátira.

Entre os presidenciáveis, Lula apareceu em 379 peças e Flávio Bolsonaro em 190. No caso de Lula, cerca de 39% tinham tom humorístico e 34% buscavam atacar a imagem. No de Flávio, cerca de 40% tentavam favorecê-lo e 28% eram satíricas.

A fundadora da Lupa, Cristina Tardáguila, afirmou que a tecnologia já faz parte da comunicação política do dia a dia, e não apenas de episódios isolados.

Um caso que circulou no WhatsApp

Um exemplo recente é o vídeo falso em que o jornalista William Waack, da CNN Brasil, aparece dizendo que Lula planejaria um golpe de Estado. A CNN Brasil desmentiu o conteúdo em 29 de setembro, e a Aos Fatos publicou a checagem em 3 de outubro, classificando o material como deepfake.

A principal pista foi a falta de sincronia entre a voz e o movimento da boca do apresentador, sinal de que o áudio foi inserido sobre as imagens. A busca reversa de imagens não encontrou registro anterior do vídeo. As postagens somavam ao menos 20 mil interações nas redes da Meta, e o material também circulou no WhatsApp, onde o alcance não pode ser medido.

O que diz a regra

O TSE decidiu em 1º de setembro quais critérios caracterizam uma deepfake: conteúdo sintético realista que altera imagem, voz ou manifestação de uma pessoa. Segundo o escritório Lantyer, a definição foi aprovada por 5 votos a 2, mas, no caso concreto analisado, a Corte rejeitou a multa por 4 votos a 3. O Terra lembra que a legislação eleitoral proíbe esse tipo de conteúdo quando caracterizado como propaganda capaz de enganar o eleitor, com possibilidade de cassação de mandato.

O que o eleitor pode fazer

Especialistas citados em outras reportagens recomendam alguns cuidados simples:

  • Observe se os lábios acompanham a fala e se o olhar parece natural.
  • Desconfie de pele lisa demais, sem marcas de expressão.
  • Procure o mesmo conteúdo em veículos de imprensa ou em agências de checagem antes de compartilhar.
  • Se o vídeo promete revelar algo gravíssimo e só circula em grupos e redes, é motivo para esperar a confirmação.

A matéria do Terra não traz dados de monitoramento do segundo turno, e as reportagens consultadas não detalham quais ferramentas as plataformas usam para remover o material. O que se sabe é que a maior parte do conteúdo irregular vem de perfis comuns e anônimos, o que dificulta a fiscalização.

Para o usuário comum, a consequência prática é a mesma de qualquer golpe com IA: um vídeo convincente já não é prova de que algo aconteceu. Confirmar a origem antes de repassar vale mais do que a pressa de ser o primeiro a compartilhar.

Fontes

deepfakeeleições 2026desinformaçãointeligência artificialchecagem

Leia também