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Gigantes de IA criam padrão único de robots.txt, mas 30% dos bots já ignoravam permissões

Novo padrão no robots.txt promete controlar treino de IA, mas TollBit documenta: 30% dos bots já desobedeciam regras.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Servidor de data center à noite com feixe de luz azul passando por um portão semiaberto, simbolizando um sinal digital de permissão
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

No dia 30 de outubro de 2026, OpenAI, Google, Microsoft e Anthropic anunciaram um padrão único no robots.txt para controlar o treinamento de IA. É um avanço técnico real. Mas na mesma semana, a TollBit documentou que 30% dos bots de IA já ignoravam permissões explícitas no quarto trimestre de 2025—contra 3% um ano antes. A tese deste texto é simples: o novo sinal resolve um problema de padronização, não o problema de confiança.

O que muda no robots.txt

O mecanismo nasce de um Internet-Draft chamado "Machine-Readable Training Preference Signal", escrito por Kevin Kelley, da Anthropic, e publicado no IETF Datatracker em 30 de outubro de 2026, com expiração prevista para 3 de maio de 2027. Ele cria um token de política chamado __usage_ai-training, usado como um User-Agent especial dentro do robots.txt:

User-Agent: __usage_ai-training
Disallow: /
Allow: /press-kit/

Com isso, um site bloqueia o uso do conteúdo para treino de modelos generativos em todo o domínio, exceto em pastas específicas, sem precisar escrever uma regra separada para cada robô de cada empresa de IA. Segundo a SiliconANGLE, sites precisam hoje adicionar uma entrada separada para cada provedor de IA no robots.txt — e, se um provedor usa vários scrapers, cada um exige sua própria regra.

É importante separar dois conceitos que o draft distingue: o token vale para treinamento de modelos generativos, não para todo tipo de uso automatizado. A Microsoft, por exemplo, prometeu um controle separado chamado "AI grounding", justamente para manter o acesso de robôs que buscam uma página específica para citar como fonte em uma resposta, mesmo quando o dono do site bloqueou o treino.

Quem assinou e quando

Segundo a SiliconANGLE e a Unite.AI, o grupo que apoia o padrão inclui OpenAI, Google, Microsoft e Anthropic, com a Meta mencionada como simpática à ideia sem compromisso formal de implementação. Os prazos variam: OpenAI e Microsoft falam em aplicar o sinal "nos próximos meses"; o Google projeta a adoção só para 2027. A Anthropic, autora do draft, está mais adiantada.

O que dizem os estudos

O primeiro documento que sustenta esta matéria é o Internet-Draft do IETF (2026), de autoria de Kevin Kelley/Anthropic. Não é um artigo revisado por pares nem um padrão formal: é um rascunho normativo individual, e o texto do documento registra explicitamente que "this I-D is not endorsed by the IETF". Ele define o mecanismo técnico, mas não obriga nenhuma empresa a cumpri-lo e não afeta dados de treinamento já coletados antes da sua publicação.

O segundo é o relatório "State of the Bots", da TollBit, empresa que monetiza conteúdo para provedores de IA—o que é um ponto de atenção para quem lê o dado: a companhia tem interesse comercial em mostrar que o problema que resolve é grave. Ainda assim, o número é específico e verificável pela metodologia proprietária da TollBit sobre tráfego de bots em sites parceiros: a taxa de scrapes de IA que ignoraram permissões explícitas do robots.txt subiu de cerca de 3% no quarto trimestre de 2024 para 30% no mesmo período de 2025. O ChatGPT-User, da própria OpenAI, liderou as violações a 42%.

O outro lado: por que o sinal pode não bastar

O contra-argumento mais forte não vem de críticos externos, mas da documentação das próprias empresas. A OpenAI explica publicamente que crawlers como o ChatGPT-User e o Perplexity-User são projetados para ignorar o robots.txt quando a navegação é "iniciada pelo usuário" dentro de uma conversa, e não por um rastreamento automático de treinamento. Ou seja, parte do que a TollBit classifica como violação pode ser, por definição da própria empresa, um comportamento esperado do produto, não uma falha de conformidade com o novo sinal.

Isso não invalida o padrão, mas limita o que ele resolve. O token __usage_ai-training ataca o treinamento de modelos. Não ataca busca em tempo real, não ataca indexação para produtos de IA generativa com citação de fonte, e não tem qualquer mecanismo de fiscalização: é uma promessa de honra, não uma barreira técnica.

O que observar

Para quem acompanha governança de dados de treinamento, três coisas valem monitorar nos próximos meses: se a OpenAI e a Microsoft de fato publicam suporte ao token em seus crawlers documentados antes do verão europeu de 2027; se o draft ganha um número de RFC ou continua como Internet-Draft individual até expirar em maio de 2027; e se o próximo relatório trimestral da TollBit mostra queda na taxa de violação de robots.txt, o que seria o primeiro sinal real de que o padrão funciona na prática, e não só no papel.

Fontes

robots.txtIETFOpenAIAnthropicGoogleMicrosofttreinamento de IAweb scraping

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