Por que o XRP não decolou: US$ 1,8 bilhão em ETFs e preço 62% abaixo do pico de 2018
XRP recebeu 13 semanas seguidas de entrada em ETFs nos EUA e segue 62% abaixo do topo de 2018. Entenda o papel da oferta em circulação e do uso da rede.

O XRP virou o caso mais desconfortável deste ciclo de criptomoedas: os ETFs americanos do token somam 13 semanas consecutivas de entrada líquida e cerca de US$ 1,803 bilhão captados, segundo levantamento da Cointribune, e o preço simplesmente não acompanhou. A tese é direta: dinheiro institucional não move preço quando a oferta em circulação cresce mais rápido que a demanda e o uso da rede cai — e o XRP é a prova disso.
Os números do contraste são brutais. De acordo com a CoinDesk, o XRP era negociado a US$ 1,33, ou 62,5% abaixo do pico de janeiro de 2018, de US$ 3,55. Na comparação de cada token com o próprio topo do ciclo anterior, o bitcoin acumulava alta de 314% sobre o pico de dezembro de 2017 (US$ 19.804), a dogecoin subia 322% sobre a máxima de janeiro de 2018, a BNB cerca de 2.800% e o ether 66%. Quem comprou XRP no auge do ciclo anterior e segurou está, quase nove anos depois, no vermelho, enquanto quem fez o mesmo com bitcoin quadruplicou o capital.
Por que o XRP não sobe: a conta da oferta em circulação
A primeira explicação é aritmética, e é a que o investidor pessoa física costuma ignorar. A oferta em circulação do XRP passou de 38,7 bilhões de tokens em 2017 para 63,1 bilhões, alta de 63%, enquanto o valor total de mercado do token caiu só cerca de 3% no mesmo período, segundo dados citados pelo analista Nicolai Sondergaard, da Nansen, à CoinDesk. Ou seja: o bolo ficou praticamente do mesmo tamanho e foi dividido em muito mais fatias.
Oliver Carding, do Tesseract Group, fez a conta na mesma reportagem: como há cerca de 63% mais XRP circulando do que havia no pico, "a mesma capitalização de mercado em circulação significaria um preço cerca de 39% mais baixo". Em valor agregado, o XRP se recuperou. Em preço por token, não — e é o preço por token que aparece na tela do investidor.
US$ 1,8 bilhão em ETFs é muito menos do que parece
O segundo ponto é a escala da demanda institucional. Os ETFs de XRP captaram US$ 1,80 bilhão desde a estreia, há quase um ano, de acordo com a CoinDesk, que compara: os ETFs de bitcoin registram com frequência mais de US$ 1 bilhão em um único dia. "A adesão ao ETF também foi contida em relação a BTC e ETH", disse Paul Howard, da Wincent, à publicação.
Há um detalhe ainda mais revelador nos dados da Cointribune: contra os US$ 1,803 bilhão de entradas líquidas, o patrimônio líquido dos fundos é de US$ 1,509 bilhão — uma diferença de US$ 294 milhões. O desempenho do token desde que as compras foram feitas é a explicação mais direta para essa lacuna, o que enfraquece o argumento de que o fluxo por si só sustenta preço.
A rede está sendo menos usada
O terceiro fator é de atividade. Dados recentes compilados pela CoinDesk mostram volume no mercado spot em queda de 53,5%, volume de futuros perpétuos em queda de 44% e endereços ativos em queda de 10,7%. A fatia do XRP no valor total do mercado de criptomoedas caiu de cerca de 5% para perto de 3% em quinze meses, segundo a Cointribune. O token recuou de aproximadamente US$ 1,42 em 12 de outubro para cerca de US$ 1,32 depois de dados de inflação nos Estados Unidos acima do esperado — uma queda de 7% em sete dias.
O contra-argumento: Ripple segue fechando parcerias
Em favor de quem está posicionado, a Ripple não parou. Em 14 de outubro, segundo a Cointribune, a empresa anunciou um acordo com a DriveWealth para integrar a stablecoin RLUSD ao XRP Ledger na liquidação de operações, começando pela Europa, e uma parceria com a Meritz Securities, na Coreia do Sul, para custódia e tokenização. Nenhuma das duas trouxe meta de volume divulgada, e a etapa regulatória do acordo coreano está prevista para fevereiro de 2027.
É aí que mora a diferença entre notícia e preço. Anúncio de parceria sem volume contratado não gera demanda mensurável por token no curto prazo. Pode gerar depois — e esse é exatamente o ponto em disputa.
O que observar daqui para frente
Para quem acompanha o ativo no Brasil, a lição aqui é de método, não de alvo de preço: acompanhe oferta em circulação, endereços ativos e volume real da rede com o mesmo rigor com que acompanha manchete de ETF. Três sinais valem o acompanhamento: o ritmo de liberação da oferta, a aceleração (ou não) dos fluxos semanais dos ETFs, e a conversão das parcerias anunciadas em volume divulgado a partir de 2027.
Nada aqui é recomendação de investimento, previsão de preço ou promessa de ganho. Criptomoedas são ativos voláteis, e os dados citados refletem a situação nas datas informadas pelas fontes.
Fontes
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