Altman reclama que RAM em PC é desperdício — mas sua empresa controla 40% da oferta global
Altman critica desperdício de memória em PCs, mas OpenAI controla 40% do suprimento global de DRAM — enquanto preços explodem 485% em um ano.

Sam Altman criticou a memória RAM em PCs como uma "péssima alocação" de recursos — a maioria fica ociosa 95% do tempo. Dias depois, o CEO estava na Coreia do Sul negociando com a Samsung para reservar mais DRAM para a OpenAI, a mesma empresa que agora controla cerca de 40% do suprimento global.
A contradição é o centro da polêmica: quem reclama da escassez é também quem ajudou a criá-la.
O que Altman disse
No podcast Cheeky Pint, Altman argumentou que computadores pessoais retêm memória parada 95% do tempo, enquanto data centers a mantêm em uso constante. "Do ponto de vista de alocação global, é bem terrível", disse, pois o suprimento de DRAM é limitado.
A crítica provocou reação imediata: usuários e veículos de tecnologia apontaram a ironia. A escassez que torna o "desperdício" do PC pessoal tão grave vem, em parte, da própria corrida por chips que a OpenAI ajudou a acelerar.
A viagem à Coreia
Em 31 de outubro de 2026, Altman visitou a sede da Samsung Electronics em Yongin, onde se encontrou com cerca de 50 executivos das divisões de eletrônicos, finanças e biotecnologia. A comitiva da OpenAI incluiu Richard Ho, vice-presidente de hardware, além de Kiran Mani, Andreas Hartl e Arvind KC. Do lado da Samsung estavam Jun Young-hyun, vice-presidente do Device Solutions (a divisão de chips), e líderes da divisão DX.
A pauta girou em torno de chips de memória e infraestrutura de IA. A visita ocorre um ano após as duas empresas assinarem, em outubro de 2025, uma carta de intenções sobre fornecimento, acordo que a imprensa internacional batizou de "Dirty DRAM Deal" — por reservar cerca de 40% da produção global de DRAM para a OpenAI.
O timing não é coincidência. A Samsung reportou capex de 29 trilhões de wons no Q3 2026, 3,2 vezes o valor de um ano antes, com 94% (27,2 trilhões) na divisão de chips — para acompanhar uma demanda que a própria OpenAI ajuda a inflar.
Quanto o consumidor está pagando
Um kit DDR5-5600 de 64GB que custava US$ 191 em agosto de 2025 estava sendo vendido por US$ 1.118 em agosto de 2026 — alta de 485% em um ano. O componente agora responde por 35% do custo de material de um notebook, ante 15%-18% um trimestre antes. A projeção do setor é de alta média de 17% nos preços dos PCs em 2026.
A TrendForce projeta alta de 78% a 83% em DRAM móvel (LPDDR5X) e de 43% a 48% em DDR5 para PC no Q2 2026, ambas puxadas pela demanda de data centers de IA.
O que dizem os estudos
TrendForce (relatório de empresa, 2026): a consultoria de mercado projetou alta de 78% a 83% nos preços de DRAM móvel e de 43% a 48% em DDR5 de PC no Q2 2026, com base em pesquisa de preços de contratos junto a Samsung, SK Hynix e Micron (levantamento de 14/05/2026). Limitação: é projeção de mercado de uma consultoria com interesses no setor que analisa, sujeita a revisão trimestral, sem auditoria independente.
Samsung Electronics (dados oficiais, 2026): a empresa divulgou, em seu balanço do Q3, capex de 29 trilhões de wons — 3,2 vezes o valor de um ano antes —, com 94% destinado à divisão de chips. Limitação: é dado da própria companhia, que tem interesse em justificar o investimento perante investidores, e não detalha quanto é direcionado especificamente à OpenAI.
O contra-argumento
A crítica mais repetida contra Altman é direta: a OpenAI fechou, em outubro de 2025, contratos com Samsung e SK Hynix por cerca de 40% da produção global de DRAM. Se o componente está escasso e caro o suficiente para fazer o preço de um kit subir quase 500% em um ano, parte considerável dessa pressão vem da própria estratégia comercial da OpenAI — a mesma empresa cujo CEO agora chama de "péssima alocação" o hábito de pessoas comuns reterem DRAM em seus computadores.
O que observar
Acompanhe os próximos relatórios trimestrais da TrendForce sobre preços de DRAM e NAND, os balanços de capex de Samsung, SK Hynix e Micron, e se a OpenAI formaliza novos contratos após a visita de outubro. Para quem vai comprar notebook ou celular novo, o sinal é claro: a conta da escassez criada pela corrida da IA está sendo repassada ao consumidor, e a alta de preço, segundo o setor, ainda não deu sinais de reversão.
Fontes
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