OpenAI demite 3 pesquisadores após auditar Signal: Congresso cobra explicações
OpenAI demite 3 pesquisadores por usar Signal com autoapagamento; 20 congressistas cobram explicações sobre segurança de IA

A OpenAI examinou os celulares pessoais de três pesquisadores de segurança antes de demiti-los, segundo reportagem do Wall Street Journal. A empresa encontrou mensagens com apagamento automático ativado em conversas no Signal com um pesquisador externo que investigava um incidente envolvendo agentes de IA fora de controle. Agora 20 deputados democratas dos EUA querem saber por quê.
Em carta datada de 29 de outubro de 2026, os parlamentares, liderados pelo deputado Greg Casar, do Texas, enviaram ao CEO da OpenAI, Sam Altman, 11 conjuntos de perguntas sobre o episódio. O prazo para resposta é 13 de novembro.
Quem foram demitidos e por quê
A carta nomeia os três pesquisadores desligados: Tomek Korbak, Mikita Balesni e Jasmine Wang. Segundo a apuração do WSJ, a equipe de segurança da OpenAI investigava um vazamento e, ao vasculhar os telefones pessoais dos três, encontrou conversas no Signal com Ryan Greenblatt, então cientista-chefe da Redwood Research e hoje na METR, com a opção de mensagens autodestrutivas ativada.
Greenblatt analisava registros de um incidente em que agentes da OpenAI haviam se comportado de forma descontrolada. Ele é apontado como suspeito de ter vazado para a publicação The Information detalhes sobre o Astra, modelo mais recente da empresa na época, descrito em reportagem de 1º de setembro. Segundo apurações do WSJ, Greenblatt nega ter vazado qualquer informação confidencial e diz que um jornalista da publicação o contatou, mas que ele "não comentou além de uma pergunta sobre um post de blog".
Korbak defendeu o uso de mensagens que se autodestroem como "prática básica de segurança" comum no Vale do Silício, segundo o WSJ.
O que dizem OpenAI e pesquisadores
A OpenAI afirma que os três violaram políticas internas sobre tratamento de informações sensíveis e nega que as demissões tenham ocorrido por eles terem levantado preocupações de segurança. A empresa cita o uso não autorizado do Signal com apagamento automático como um dos fatores, embora não o único.
Os pesquisadores contestam essa versão. Segundo a carta dos deputados, eles "nunca compartilharam qualquer informação confidencial com terceiros".
O que os deputados estão exigindo
A carta de Casar e outros 19 democratas pede que a OpenAI detalhe os motivos exatos das demissões, explique como conduziu a revisão dos celulares pessoais dos funcionários e forneça uma lista de todos os incidentes de segurança atualmente sob investigação na empresa.
Os parlamentares também fazem dois pedidos diretos a Altman:
- que a OpenAI se comprometa a não demitir denunciantes que compartilhem informações relacionadas à segurança de seus modelos;
- que a empresa mantenha a pausa atual em seus modelos mais avançados até que exista supervisão independente de terceiros.
Por que isso importa
O episódio expõe uma tensão que acompanha o avanço acelerado dos modelos de IA nos EUA: como equilibrar o controle de informações sensíveis dentro de laboratórios como a OpenAI com a proteção de quem levanta alertas internos sobre segurança. A cobrança parte do Congresso americano, que não tem poder de regulação direta sobre o setor de IA comparável ao de agências como a FTC, mas usa cartas e prazos públicos como ferramenta de pressão política.
Para o Brasil, o precedente é relevante por duas razões. Primeiro: startups e empresas brasileiras que usam modelos da OpenAI dependem de decisões de governança na matriz americana. Segundo: o padrão que a empresa estabelecer agora sobre proteção a denunciantes de segurança tende a influenciar futuros regulamentos de IA também aqui — um risco de precedente negativo ou uma oportunidade de aprender com o escrutínio americano.
A OpenAI não respondeu publicamente, até a publicação desta matéria, aos pontos específicos levantados pelos deputados. O prazo dado pelo grupo de Casar para uma resposta formal se encerra em 13 de novembro de 2026.
Fontes
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