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Quatro agentes do Gemini 4 Argon zeram o Minecraft sem ajuda humana

Agentes do Gemini 4 Argon, do Google DeepMind, derrotaram o Ender Dragon em 27 horas de jogo autônomo, sem intervenção humana na estratégia.

Por Redação Ai Lucro · · 3 min de leitura
Torre improvisada de blocos de terra em um bioma de Minecraft ao entardecer, com partículas roxas ao fundo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Quatro agentes de IA baseados no modelo Gemini 4 Argon, do Google DeepMind, zeraram o Minecraft sem que nenhum humano distribuísse funções ou escrevesse lógica de jogo para eles. Em 27 horas e 14 minutos de partida totalmente autônoma, os agentes derrotaram o Ender Dragon, o chefe final do jogo, segundo relato do pesquisador Maxence Faldor publicado no X.

O caso chamou atenção porque mostra, de forma concreta, até onde chega hoje a autonomia de sistemas de IA quando colocados em um ambiente com regras claras e um objetivo bem definido — longe do exagero que costuma rodear o termo "agente de IA" no marketing de tecnologia.

Como os agentes se organizaram

Segundo o site TechCityAuthority, que acompanhou a partida, os quatro agentes não receberam divisão de tarefas prévia. Cerca de dez minutos depois do início, eles próprios combinaram, por chat, quem faria o quê: um ficou responsável por coletar recursos, outro por fabricar ferramentas, um terceiro por minerar diamantes e o quarto por construir o portal para o Nether, dimensão intermediária necessária para chegar ao covil do dragão.

Ainda segundo o TechCityAuthority, para controlar os personagens dentro do jogo, os agentes escreveram sozinhos 2.783 programas de computador, usados para comandar a biblioteca Mineflayer, interface que traduz código em ações dentro do Minecraft. Nenhum desses programas foi fornecido por um humano: cada linha de código surgiu das próprias decisões dos agentes ao longo da partida.

A estratégia que derrubou o Ender Dragon

A etapa final foi a mais difícil. O Ender Dragon se cura por meio de cristais instalados no topo de torres de obsidiana, e destruí-los é obrigatório para conseguir matá-lo. Um dos agentes identificou esse mecanismo por conta própria e chegou a uma solução pouco convencional: em vez de escavar ou construir estruturas elaboradas, passou a empilhar blocos de terra para alcançar o topo das torres e quebrar os cristais.

A tática só funcionou depois de 69 mortes na luta contra o dragão. Ao longo de toda a partida, os quatro agentes morreram 605 vezes, a maior parte delas — 351 — para monstros comuns do jogo, segundo o TechCityAuthority. O número mostra que, apesar do resultado final bem-sucedido, o processo foi longe de eficiente: mais parecido com tentativa e erro massivo do que com um plano executado sem falhas.

Quanto custou a partida

Rodar quatro agentes de IA por 27 horas seguidas, gerando quase 2.800 programas e lidando com centenas de mortes, tem preço. Segundo a FourWeekMBA, a partida consumiu cerca de US$ 520 em chamadas de API, calculados com o preço promocional de lançamento do Gemini 4 Argon. Ao preço padrão do modelo, sem desconto, o mesmo experimento custaria aproximadamente US$ 1.040.

Em reais, considerando a cotação atual do dólar, isso coloca o custo da experiência entre a faixa de R$ 2.800 e R$ 5.700 — para zerar um jogo que um humano experiente conclui em poucas horas e a custo zero.

O que o teste do Gemini 4 Argon diz sobre agentes de IA

O episódio serve como um teste de realidade para o termo "agente autônomo", cada vez mais usado por empresas de tecnologia para descrever produtos de IA. Dentro de um ambiente fechado, com regras fixas e um objetivo claro — como o Minecraft —, agentes baseados em modelos de linguagem já conseguem se organizar, dividir tarefas e criar estratégias sem intervenção humana direta.

Mas o custo em tokens e o volume de tentativas e erros também mostram os limites atuais dessa autonomia: ela ainda é cara, lenta e pouco previsível fora de contextos simples. Para tarefas do mundo real, com regras ambíguas e riscos maiores que perder uma vida virtual, o caminho até uma autonomia confiável segue sendo trabalhado por laboratórios como o Google DeepMind.

Fontes

Gemini 4 ArgonGoogle DeepMindagentes de IAMinecraft

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