Musk oferece comprar 418 casas de moradores que o processam por ruído - a condição: desistir da ação
xAI oferece buyouts imobiliários com cláusula que exige abandono de processo sobre poluição sonora do Colossus em Southaven.

A xAI e a SpaceX estão oferecendo comprar até 418 casas em Southaven, no Mississippi, a cerca de 800 metros da usina que alimenta o Colossus. De acordo com a Forbes e a BigGo Finance, os contratos impõem uma exigência incômoda: o vendedor precisa abandonar uma ação coletiva contra o ruído das turbinas a gás.
A ação foi movida em junho de 2026 por moradores que reclamam de ruído contínuo e vibração causados pelas turbinas. É nesse contexto que as ofertas de compra começaram a chegar às caixas de correio do bairro.
O que os contratos exigem
A subsidiária MZX, responsável pelas negociações, informou aos moradores que as empresas "require property for its business purposes" (precisam do imóvel para fins comerciais). O detalhe central está na letra fina: quem vende a casa também assina um termo renunciando à participação na ação coletiva sobre poluição sonora.
O preço médio oferecido gira em torno de US$ 180 mil por residência, segundo as fontes. Até 15 de outubro de 2026, porém, apenas cinco propostas haviam resultado em compra registrada—bem abaixo das 418 casas no plano. A xAI não divulgou oficialmente o escopo completo nem confirmou se esse número será atingido.
A versão da empresa
A xAI e a SpaceX negam as alegações de ruído excessivo feitas pelos moradores. As empresas afirmam já ter tomado medidas para reduzir o impacto, incluindo ajustes na operação dos geradores e construção de barreiras acústicas.
Em contrapartida, se comprometeram com autoridades locais a remover as turbinas a gás atuais e instalar uma usina de 1,2 gigawatt no prazo de um ano. O limite legal de ruído em Southaven é de 70 decibéis.
A xAI argumenta que a compra das casas é uma solução voluntária e vantajosa, não uma forma de silenciar críticos. Quem recusa a proposta mantém o direito de continuar no processo judicial.
O que mostram os documentos
A reportagem se baseia nos próprios contratos de compra, mostrados por moradores à Forbes e à BigGo Finance, além dos autos da ação coletiva. Os documentos revelam o que está escrito nas propostas e o que consta em registros públicos até 15 de outubro.
A limitação é clara: o número de 418 casas é a estimativa do plano divulgada pelas fontes, não uma confirmação oficial da xAI. Como apenas cinco vendas estavam registradas até meados de outubro, o alcance final pode mudar conforme novas negociações avancem.
O contraponto da empresa—de que a compra é opcional, não coercitiva—consta em declarações públicas da xAI, mas não muda o fato central: quem aceita vender a casa renuncia ao direito de continuar no processo sobre o ruído.
Por que isso importa
O caso ilustra um custo invisível da corrida pela infraestrutura de IA: o conflito direto entre empresas e comunidades vizinhas. Enquanto xAI, OpenAI e outras anunciam novos complexos de centenas de megawatts, a conta de energia, calor e ruído recai sobre quem mora ao lado.
Vale acompanhar se o número de compras vai se aproximar das 418 casas mencionadas e qual será o desfecho da ação coletiva, já que o resultado pode servir de precedente para outras comunidades perto de data centers de IA nos Estados Unidos—e, potencialmente, em qualquer país onde essas usinas venham a se instalar perto de áreas residenciais.
Fontes
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