OpenAI corre para fechar US$ 30 bilhões antes da Anthropic abrir capital — e evitar comparação direta
OpenAI negocia US$ 30 bilhões e quer fechar antes da Anthropic abrir na bolsa — a estratégia é evitar comparação pública com a rival.

A OpenAI está negociando uma rodada de US$ 30 bilhões que a avaliaria em mais de US$ 1,4 trilhão, e quer fechar o acordo até meados de novembro — data da estreia da Anthropic no mercado de ações. A pressa não é coincidência: segundo apuração da Reuters, a empresa de Sam Altman quer travar seu próprio preço antes que investidores tenham um comparativo público direto com a rival.
O valor representa alta de 64% sobre a avaliação anterior de US$ 852 bilhões em março de 2026, quando a rodada de US$ 122 bilhões foi co-liderada pelo SoftBank junto com Andreessen Horowitz, D.E. Shaw Ventures, MGX, TPG e T. Rowe Price Associates, com participação de Amazon, Nvidia e Microsoft. SoftBank Group e o fundo soberano MGX, de Abu Dhabi, estão entre os nomes em conversa para participar também da nova rodada, segundo a TradingKey.
Por que a pressa importa
Quando uma empresa fecha seu preço antes de uma rival virar pública, ela evita números auditados e a comparação direta que o mercado faria. É esse o cálculo da OpenAI. Edward Best, co-presidente de mercado de capitais da Willkie Farr & Gallagher, explicou à Reuters: "a OpenAI pode querer definir sua própria avaliação sem ter que se preocupar com uma comparação. É, de fato, uma corrida entre dois cavalos quando se trata de quem vai abrir capital."
Hoje, a OpenAI é uma empresa privada: não divulga balanços auditados e seu valor é definido em negociações diretas com investidores, como fundos soberanos e gestoras. Depois do IPO da Anthropic, previsto para meados de novembro de 2026, o mercado passaria a ter um preço público e auditável de uma concorrente direta, no mesmo setor, para comparar.
O que diz a apuração
- Reuters, via Global Banking & Finance Review (2026): a reportagem, com fontes de mercado e banqueiros de capital, aponta que a OpenAI busca cerca de US$ 30 bilhões a avaliação acima de US$ 1,4 trilhão, com SoftBank e MGX entre os investidores em conversa, e situa a corrida como uma tentativa explícita de fechar antes do IPO da Anthropic. Limitação: é apuração jornalística baseada em fontes de mercado, não documento oficial da OpenAI; os termos finais da rodada ainda podem mudar.
- OpenAI (dado da própria empresa): a companhia diz ter receita anualizada de cerca de US$ 50 bilhões, com expectativa de alcançar US$ 70 bilhões até o fim de 2026. Limitação: são números fornecidos pela própria OpenAI, sem auditoria independente divulgada publicamente.
Esses dois pontos sustentam a tese central da matéria — a pressa é estratégica, não só financeira — mas também expõem seu limite: nenhuma fonte oficial confirmou os termos definitivos da rodada.
O múltiplo que preocupa analistas
Uma avaliação de US$ 1,4 trilhão sobre uma receita anualizada de US$ 50 bilhões equivale a um múltiplo de cerca de 28 vezes a receita atual da OpenAI. Mesmo considerando a projeção otimista de US$ 70 bilhões até o fim do ano, o múltiplo ainda ficaria perto de 20 vezes.
Esse é o contra-argumento levantado por analistas de mercado: sustentar esse preço exige que a OpenAI mantenha crescimento acelerado por vários anos, em um momento em que o custo de capital subiu e o ceticismo sobre os gastos bilionários em infraestrutura de IA — data centers, chips, energia — também cresceu entre investidores institucionais.
O que acompanhar
Dois eventos vão testar essa tese nas próximas semanas. Primeiro, o fechamento (ou não) da rodada de US$ 30 bilhões da OpenAI, com os termos finais de SoftBank e MGX. Segundo, a abertura de capital da Anthropic, prevista para meados de novembro de 2026, que vai expor ao mercado público um balanço auditado de uma concorrente direta — o tipo de comparação que a OpenAI está, segundo a apuração da Reuters, correndo para evitar.
Para quem acompanha o setor de IA generativa, o desfecho dessas duas operações deve servir de termômetro sobre até que ponto o mercado ainda está disposto a pagar múltiplos de dezenas de vezes a receita por empresas de inteligência artificial, numa fase em que o custo de capital não é mais zero.
Fontes
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