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OpenAI alerta Polícia Federal sobre ameaças a Lula identificadas em conversas do ChatGPT

OpenAI repassou à Polícia Federal e ao TSE conversas de ao menos dois usuários do ChatGPT com intenção de atentado contra Lula e desativou pelo menos uma conta.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Monitor em sala de investigação exibindo janela de conversa de chatbot com texto borrado ao lado de pasta de documentos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A OpenAI identificou em conversas privadas do ChatGPT manifestações de intenção de atentado contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e repassou o material à Polícia Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral, por classificar o caso como risco à integridade física de outras pessoas. São pelo menos dois usuários, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 15 de outubro de 2026 e confirmada por outros veículos brasileiros.

Não há registro público anterior de a dona do ChatGPT ter acionado autoridades brasileiras por ameaças a uma autoridade pública. O episódio mostra, na prática, que o que se digita no chatbot pode ser revisado pela empresa e enviado à polícia quando há sinal de risco a terceiros.

O que a OpenAI repassou à Polícia Federal

Um dos casos concentra a maior parte do material, segundo o Correio Braziliense. O usuário relatou ao ChatGPT ter visto Lula em um palanque a cerca de 400 metros de sua residência, perguntou o que aconteceria caso matasse o presidente e quais penas enfrentaria se fosse preso. Também compartilhou a fotografia de uma torre que seria usada no ataque e enviou símbolos nazistas durante as conversas.

O Times Brasil, braço brasileiro da CNBC, acrescenta que as mensagens citavam fuzil de precisão, um rifle AR-15 com luneta e binóculos, além de fotografias de armas brancas e uma receita de explosivo. A OpenAI classificou o conjunto como situação com potencial de perigo à integridade física de outras pessoas.

A empresa desativou a conta de pelo menos um dos usuários envolvidos. Em nota reproduzida pelos dois veículos, afirmou que, "quando conversas indicam um risco iminente e concreto de que outras pessoas possam sofrer algum dano, notificamos as autoridades".

Como o caso chegou ao Ministério da Justiça

No início de outubro de 2026, a Polícia Federal encaminhou o material ao Ministério da Justiça para avaliar a abertura de dois inquéritos, segundo o Times Brasil. O repasse foi feito pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao ministro da Justiça. Uma das linhas trata de suspeita de ameaça e injúria; a outra, especificamente das ameaças ao presidente.

Procurada, a Polícia Federal informou ao Correio Braziliense que não comenta apurações envolvendo ameaças à segurança, para preservar a eficácia das medidas. Não há, até agora, informação oficial sobre identificação, indiciamento ou prisão dos usuários, e nenhuma das pessoas citadas foi acusada formalmente de crime por autoridade ou tribunal até a publicação desta matéria.

O TSE também foi comunicado. O contexto é de ano eleitoral no Brasil, com a corte responsável pela organização do pleito e, em conjunto com outros órgãos, por protocolos de segurança de candidatos.

O que muda para quem usa o ChatGPT no Brasil

Conversas com o ChatGPT não são sigilosas como uma mensagem criptografada de ponta a ponta. A política de uso da OpenAI prevê revisão humana de conteúdos sinalizados por sistemas automáticos e o compartilhamento com órgãos de segurança quando há indício consistente de risco de morte ou de lesão grave a outras pessoas. Foi esse caminho que a empresa diz ter seguido no caso brasileiro.

Há precedente recente no país. Em junho de 2026, um homem foi preso no Espírito Santo sob suspeita de usar o ChatGPT para planejar a morte do próprio filho, de 8 anos. Naquele episódio, segundo o Times Brasil, o alerta da OpenAI passou primeiro pelo FBI e só depois chegou ao laboratório de cibersegurança ligado ao Ministério da Justiça, que acionou a Polícia Civil capixaba.

A diferença agora está no alvo e no destinatário: ameaça a um chefe de Estado, comunicação direta à PF e aviso à Justiça Eleitoral.

Privacidade, prova e regras: os pontos abertos

O caso reabre três discussões sem resposta consolidada no Brasil. A primeira é de privacidade: até onde vai a revisão de conversas privadas por uma empresa estrangeira e qual a base legal, sob a LGPD, para o repasse espontâneo de dados a autoridades.

A segunda é de prova. Não está claro como esse material será tratado em eventual inquérito, nem que peso tem uma conversa com chatbot como indício de intenção criminosa — algo que a Justiça brasileira ainda não enfrentou em larga escala.

A terceira é de simetria. A OpenAI atua sob suas próprias regras de moderação, sem obrigação legal específica no país que a force a reportar ou que defina prazos e critérios quando ela decide reportar. Outras empresas de IA não têm política pública equivalente detalhada para o Brasil.

Não há informação pública sobre quantos casos brasileiros a OpenAI já levou a autoridades. Os próximos passos a acompanhar são a eventual confirmação de inquérito pelo Ministério da Justiça e, no Congresso, a pressão para que o marco legal da inteligência artificial trate de deveres de notificação e de limites de acesso a conversas.

Fontes

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