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Alphabet dobra receita de nuvem, mas capex de IA deixa caixa negativo e derruba ação 11%

Fluxo de caixa livre virou negativo em US$ 9,1 bilhões enquanto Google Cloud cresceu 100%, mostrando que receita de IA ainda não cobre o investimento em data centers.

Por Redação Ai Lucro · · 3 min de leitura
Corredor de data center à noite com racks de servidores iluminados em azul e verde
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A Alphabet divulgou na quarta-feira o resultado do terceiro trimestre de 2026 com uma contradição que assusta Wall Street: a receita do Google Cloud mais que dobrou para US$ 30,7 bilhões, mas o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 9,1 bilhões, uma queda de 73% em 12 meses. O capex em inteligência artificial superou a capacidade de geração de caixa de uma das maiores big techs do setor. O mercado reagiu na hora: a ação caiu até 11% no after-hours, apagando mais de US$ 280 bilhões em valor de mercado em uma única sessão.

Para quem acompanha o capex da inteligência artificial como termômetro de bolha, o resultado da Alphabet é o primeiro sinal numérico e oficial de que o ritmo de investimento em data centers já superou a receita gerada, mesmo com a nuvem crescendo em ritmo de recorde.

O número que assustou Wall Street

O capex do trimestre somou US$ 51,4 bilhões, de acordo com o 8-K protocolado na SEC. O valor ficou abaixo da expectativa de analistas, de US$ 55,09 bilhões, mas isso não evitou o choque: o fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,1 bilhões superou em muito a projeção do mercado, de -US$ 2,70 bilhões, segundo o CNBC. No acumulado de 12 meses, o fluxo de caixa livre caiu 73%, para US$ 19,75 bilhões.

O lucro por ação também decepcionou. Em termos contábeis (GAAP), o EPS diluído foi de US$ 2,12, contra US$ 2,87 no mesmo trimestre do ano anterior. Excluindo perdas não realizadas em participações acionárias, o EPS ajustado foi de US$ 2,67, ainda abaixo dos US$ 3,02 esperados pelos analistas. Foi a primeira vez em quatro anos que a Alphabet não entrega o lucro esperado por Wall Street, segundo o CNBC.

Olhando para frente, o CEO Sundar Pichai sinalizou que o capex de 2027 deve superar US$ 300 bilhões, mais do que o dobro do patamar de 2025.

O contraste com a Microsoft

No mesmo dia, a Microsoft reportou fluxo de caixa livre positivo e acima do esperado, e a ação subiu mais de 5%, segundo o CNBC. O contraste entre as duas gigantes de nuvem e IA, divulgando resultados no mesmo dia com desfechos opostos, dá ao mercado um critério concreto: não basta crescer receita de IA, é preciso mostrar que esse crescimento já converte em caixa. A Alphabet mostrou o primeiro; a Microsoft, os dois.

O que dizem os estudos

  • Formulário 8-K (Alphabet/SEC, 2026): demonstrações financeiras trimestrais auditadas confirmam fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,07 bilhões e capex de US$ 51,36 bilhões no trimestre. É o relato financeiro oficial, mas números trimestrais são voláteis e não detalham capex por unidade de negócio.
  • Cobertura da teleconferência de resultados (CNBC/Investing.com, 2026): compilação de estimativas de consenso de Wall Street mostra queda de 73% no fluxo de caixa livre em 12 meses e perda de mais de US$ 280 bilhões em valor de mercado no after-hours. É reportagem financeira baseada em dados de mercado; a reação de curto prazo no after-hours pode não refletir a avaliação de médio prazo dos investidores.

O contra-argumento

Nem todo analista lê o resultado como alarme. Luke Lango argumentou que parte da queda é "ruído contábil": uma perda não realizada de cerca de US$ 8,2 bilhões ligada à participação da Alphabet na SpaceX, registrada como despesa não operacional, inflou a diferença entre o EPS contábil e o ajustado. Para Lango, o negócio principal de nuvem e IA continua crescendo (a receita do Google Cloud dobrando é a prova disso), e o problema de caixa seria pontual, não estrutural.

O que observar

O capex da Alphabet para 2027, projetado acima de US$ 300 bilhões, é o número a acompanhar no próximo ano: se o fluxo de caixa livre continuar negativo enquanto esse valor sobe, a tese de que a receita de IA já paga a conta do investimento perde força. Se o fluxo de caixa voltar a ficar positivo nos próximos trimestres, como aconteceu com a Microsoft agora, o episódio desta quarta-feira terá sido um ruído contábil pontual, não o primeiro sintoma de que o capex da IA correu na frente da receita.

Fontes

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