Segunda-feira, 2 de novembro de 2026Inteligência artificial e tecnologia, todo dia
Big Tech

Figure AI derrete frota de robôs humanoides em forno de aço para proteger tecnologia

Figure AI mandou robôs F.02 pularem em forno de aço fundido na Finlândia para impedir cópia de hardware e software proprietários.

Por Redação Ai Lucro · · 3 min de leitura
Braço robótico industrial sendo baixado sobre forno siderúrgico com aço fundido incandescente
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A Figure AI, startup americana de robótica humanoide, destruiu toda a frota aposentada do seu robô F.02 — o primeiro modelo da empresa levado a operar em uma fábrica — em um forno de aço fundido na Finlândia. Segundo a Interesting Engineering, as máquinas foram programadas para saltar sozinhas dentro do forno em setembro de 2026, numa operação pensada para impedir que hardware e software proprietários fossem copiados ou revendidos.

Por que a Figure AI decidiu derreter os próprios robôs

A empresa aposentou o F.02 ao lançar o F.03, geração mais nova que já está em operação. Em vez de desmontar as máquinas peça por peça, a Figure optou pela destruição total. Segundo a mesma reportagem, desmontar os robôs de forma convencional consumiria tempo de engenharia que a equipe precisa para desenvolver o F.04, a próxima geração.

Há também um motivo mais direto: segurança industrial. Destruir os componentes no forno elimina o risco de peças, placas e softwares proprietários caírem em mãos de concorrentes caso os robôs fossem descartados ou revendidos como sucata.

Como foi a destruição dos robôs humanoides

A operação aconteceu em uma siderúrgica de Imatra, na Finlândia, que opera um forno elétrico a arco de 75 toneladas. Os robôs F.02 foram levados até a borda do equipamento e, segundo o relato da Interesting Engineering, executaram suas próprias rotinas de movimento treinadas para saltar no metal fundido.

A empresa relatou que as máquinas continuaram respondendo aos comandos de movimento mesmo sob falhas de equipamento causadas pelos campos eletromagnéticos extremos do forno. No total, foram seis ciclos de fusão realizados em uma janela de 24 horas, com cerca de 20 minutos de operação por ciclo antes que o aço começasse a solidificar, até consumir toda a frota aposentada.

Antes de serem desativados, os F.02 trabalharam por 11 meses na fábrica da BMW em Spartanburg, nos Estados Unidos, segundo a eeNews Europe, movimentando mais de 90 mil peças e contribuindo para a produção de mais de 30 mil veículos.

A sugestão de Arnold Schwarzenegger

O episódio ganhou um tom de espetáculo por causa de uma provocação nas redes sociais. O CEO da Figure, Brett Adcock, publicou na rede X pedindo sugestões de como se despedir "adequadamente" dos robôs desativados. Foi quando o ator Arnold Schwarzenegger respondeu sugerindo um final "estilo Terminator", em referência à cena em que seu personagem desaparece dentro de metal líquido em "O Exterminador do Futuro 2".

A Figure transformou a brincadeira em projeto real: filmou toda a fundição e, segundo a eeNews Europe, está processando o aço recuperado em instalações nos Estados Unidos para criar "um número limitado de objetos comemorativos" feitos com material que fez parte dos robôs.

O que isso mostra sobre a corrida da robótica com IA

O caso ilustra até onde fabricantes de robôs humanoides estão dispostos a ir para proteger propriedade intelectual em um setor que mistura hardware caro, modelos de IA proprietários e dados de treinamento coletados em fábricas reais, como a parceria da Figure com a BMW.

Para empresas que investem pesado em robótica aplicada à indústria, cada geração de robô carrega não só peças mecânicas, mas também semanas de treinamento de modelos de movimento e decisão. Descartar esse conhecimento sem controle pode significar entregar de bandeja know-how a concorrentes.

A Figure não detalhou publicamente quanto custou a operação na Finlândia nem se o método de destruição em forno siderúrgico vai se tornar padrão para desativar gerações futuras, como o F.03 quando for substituído pelo F.04. Por ora, a empresa segue concentrada em escalar a produção do F.03 e avançar no desenvolvimento da próxima geração de robôs.

Fontes

Figure AIrobôs humanoidesrobóticaBrett Adcock

Leia também